China classifica como 'inaceitável' morte de Ali Larijani em bombardeio israelense

 

Fonte:


A China condenou nesta quinta-feira como "inaceitável" o assassinato do chefe de segurança e dirigente histórico da República Islâmica do Irã, Ali Larijani, em um bombardeio aéreo israelense.

Contexto: Israel ataca chefe da segurança do Irã em bombardeio, dizem emissoras locais

Em outra ofensiva: Israel diz ter matado comandante da Basij, milĂ­cia do regime iraniano, em TeerĂŁ

"Sempre nos opusemos ao uso da força nas relações internacionais. As ações destinadas a assassinar dirigentes iranianos e atacar alvos civis são ainda mais inaceitáveis", declarou em coletiva de imprensa o porta-voz diplomático chinês Lin Jian.

Larijani é a figura de mais alto perfil a morrer nos ataques israelenses e americanos depois do líder supremo Ali Khamenei, assassinado no dia em que começaram os bombardeios contra o Irã, em 28 de fevereiro.

"A China insta as partes envolvidas a cessar imediatamente as operações militares e evitar que a situação regional saia do controle", acrescentou Lin.

A China Ă© aliada do IrĂŁ e tem pedido aos Estados Unidos e a Israel que interrompam seus ataques contra o paĂ­s, ao mesmo tempo em que critica os bombardeios iranianos contra paĂ­ses do Golfo que abrigam bases militares americanas.

Declaração de vingança

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou, em comunicado, que lançou mísseis contra o centro de Israel “em vingança pelo sangue do mártir Ali Larijani e de seus companheiros”. Um dia antes, o Estado judeu afirmou ter matado o chefe de segurança do país, além do comandante da força paramilitar Basij, Gholamreza Soleimani. Nesta quarta, Israel também disse ter matado o ministro da Inteligência do Irã, Esmail Khatib, embora autoridades iranianas ainda não tenham confirmado o ocorrido — algo que tem sido comum ao longo da guerra.

— Surpresas significativas são esperadas ao longo deste dia em todas as frentes — disse nesta quarta o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, sem dar mais detalhes.

Guga Chacra: Fechamento de Ormuz Ă© a maior derrota de Trump

Os nomes de Larijani e Soleimani — e, se confirmado, também de Khatib — se somam à lista de líderes iranianos assassinados pelos EUA e por Israel, que inclui o líder supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia de guerra. Agora, o Exército israelense afirmou estar determinado a “localizar, encontrar e neutralizar” o sucessor de Khamenei, Mojtaba, que não aparece em público desde que foi nomeado, há mais de uma semana. À imprensa, o porta-voz da polícia de Israel declarou:

— Não sabemos nada sobre Mojtaba Khamenei. Não o ouvimos, não o vemos, mas podemos dizer uma coisa: vamos rastreá-lo, encontrá-lo e neutralizá-lo.

Enquanto isso, o Irã realizou nesta quarta-feira os funerais de Larijani e de seu filho, também morto em um ataque israelense, além de Soleimani e dos mais de 80 marinheiros da fragata afundada por um submarino americano nas costas do Sri Lanka. Imagens exibidas pela televisão estatal mostraram milhares de pessoas acompanhando o cortejo em Teerã, com bandeiras iranianas e retratos dos mortos. As autoridades anunciaram o funeral de Khamenei há duas semanas, mas depois adiaram a cerimônia por tempo indeterminado.

Uma das autoridades mais relevantes da República Islâmica a morrer desde o início do conflito, Larijani teve uma trajetória marcada por posições-chave. Ele já foi ministro, presidente do Parlamento e candidato à Presidência em diversas ocasiões. Oriundo de uma tradicional família iraniana, construiu uma carreira que o colocou entre os principais articuladores políticos do regime. Nos bastidores, seu nome era associado a possíveis negociações delicadas, incluindo cenários de transição política e interlocução com potências estrangeiras, como os EUA — hipótese que ganhou peso após a morte do aiatolá.

Khatib, por sua vez, havia sido alvo de sanções pelo Departamento do Tesouro americano em 2022 por “envolver-se em atividades cibernéticas contra os Estados Unidos e seus aliados”. O Tesouro também classificou o Ministério da Inteligência iraniano, em outra rodada de sanções, como “um dos principais serviços de segurança do governo iraniano, responsável por graves violações de direitos humanos”: “Sob sua liderança, o (Ministério da Inteligência) reprimiu um grande número de defensores de direitos humanos, ativistas pelos direitos das mulheres, jornalistas, cineastas e membros de minorias religiosas”, afirmou.

Galerias Relacionadas

Escalada militar

A escalada militar tem ampliado o impacto regional do conflito. O Irã passou a atacar interesses dos Estados Unidos e a atingir infraestruturas estratégicas no Golfo, além de manter pressão sobre o Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte global de petróleo e gás. Autoridades iranianas alertaram que as repercussões econômicas da guerra tendem a se intensificar.

Em resposta, forças americanas realizaram bombardeios contra instalações militares iranianas ligadas ao lançamento de mísseis, incluindo alvos associados à ameaça ao tráfego marítimo no estreito. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou aliados que resistem a se envolver diretamente no conflito, mas afirmou que Washington não depende de apoio externo para suas operações.

Intrigas, manobras e rivalidades: Conheça os bastidores da escolha de Mojtaba Khamenei como líder supremo do Irã

Enquanto isso, o conflito se estende para outras frentes. No Líbano, ataques israelenses atingiram áreas fora dos subúrbios ao sul de Beirute — reduto do grupo xiita Hezbollah — e deixaram ao menos 12 mortos e dezenas de feridos, segundo o Ministério da Saúde libanês. Outras vítimas foram registradas no Vale do Bekaa e em Sidon.

O Hezbollah, apoiado pelo Irã, mantém ataques contra Israel desde o início da guerra, ampliando a instabilidade na região. O número de mortos no Líbano continua a crescer, enquanto milhares de deslocados buscam abrigo em cidades do sul do país, muitas vezes em condições precárias.

(Com AFP)