China chama guerra dos EUA e Israel contra Irã de 'ilegítima', mas pede para iranianos liberarem Ormuz
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, afirmou em encontro em Pequim com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, que a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã é 'ilegítima'.
'Estamos prontos para continuar nossos esforços para reduzir as tensões. Estabelecer um cessar-fogo abrangente é necessário e inevitável. A região está em uma encruzilhada crucial, e encontros diretos entre os dois lados são essenciais', enfatizou, segundo a agência de notícias iraniana Tasnim.
Yi, pediu o fim 'completo' das hostilidades no Oriente Médio e instou os Estados Unidos e o Irã a reabrirem o estratégico Estreito de Ormuz 'o mais rápido possível'.
'A China acredita que uma cessação completa das hostilidades deve ser alcançada sem demora, que a retomada das hostilidades é ainda mais inaceitável e que a continuação das negociações permanece essencial', disse Wang Yi.
Araghchi enfatizou que, embora Teerã permaneça totalmente preparada para enfrentar quaisquer ações hostis, também se mostra 'séria e firme no campo da diplomacia', informou a agência de notícias iraniana Fars.
Durante o encontro, Abbas também enfatizou o objetivo iraniano de fortalecer as relações com a China, no âmbito de um acordo de parceria estratégica assinado entre os dois países em 2021.
Durante sua viagem a Pequim, ele também conversou por telefone com o ministro da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan, de acordo com a emissora estatal iraniana IRIB.
EUA e Irã estão finalizando memorando para encerrar a guerra, diz imprensa americana
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Divulgação/Casa Branca
Os governos dos Estados Unidos e do Irã estão finalizando um memorando curto de uma página para acabar com a guerra no Oriente Médio. As informações são de autoridades americanas sob condição de anonimato para o site de notícias dos bastidores da política americana Axios e uma autoridade paquistanesa para a agência de notícias Reuters.
Segundo a Axios, apesar da proximidade, os EUA ainda aguardam respostas iranianas para alguns pontos importantes em até dois dias.
Nada foi totalmente definido, porém, de acordo com site, esse é o momento mais próximo de um acordo desde o começo da guerra.
Algumas das definições do acordo estão o compromisso do Irã com uma moratória no enriquecimento nuclear, o acordo dos EUA em suspender as sanções e liberar bilhões em fundos iranianos congelados, e ambas as partes suspenderem as restrições ao trânsito pelo Estreito de Ormuz.
Apesar disso, esse memorando seria uma espécie de primeiro passo para um acordo final, o que abre margem para uma retomada de conflitos.
Mesmo com essa proximidade, autoridades americanas acreditam que uma possível fragmentação das lideranças do Irã podem gerar discordâncias sobre o aceite.
O memorando de entendimento possui uma página e 14 pontos está sendo negociado entre os enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, e vários funcionários iranianos, tanto diretamente quanto por meio de mediadores.
O texto declararia o fim da guerra e o começo de um período de 30 dias de negociações sobre um acordo detalhado para abrir o estreito, limitar o programa nuclear do Irã e suspender as sanções americanas.
A notícia surge após o presidente Donald Trump anunciou a suspensão temporária da operação militar para destravar o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz.
O republicano tentou justificar o recuo, dizendo que um plano de paz definitivo com os representantes do Irã está próximo.
Trump afirmou que a pausa é um 'gesto de boa vontade' para verificar se um acordo final com o Irã, mediado pelo Paquistão, pode ser assinado.
Nas redes sociais, o presidente americano declarou que houve 'grande progresso' nas conversas.
Antes de anunciar a trégua na escolta, Trump demonstrou otimismo sobre um possível acordo para o fim da guerra, mas acusou o Irã de fazer jogo duplo.
Com o fechamento do Estreito de Ormuz, os estoques globais de petróleo despencaram a um nível sem precedentes e são os mais baixos em 8 anos.
Abril registrou a maior queda já documentada para um único mês. Segundo uma agência internacional de inteligência de mercado, houve uma redução de 200 milhões de barris – o equivalente a mais de 6 milhões de barris por dia.
Até o início da guerra, 20% de todo o petróleo comercializado no mundo passavam pelo Estreito de Ormuz.
Com a perspectiva de que o acordo de paz poderá ser assinado, o preço do petróleo hoje teve um leve recuo e está na casa dos 108 dólares o barril do tipo Brent, referência internacional.
Embarcação no Estreito de Ormuz.
PUNIT PARANJPE /AFP
