Chilli Beans prevê venda de ativos e operações de M&A em recuperação extrajudicial

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Fonte da notícia: Globo Globo

A Chilli Beans prevê venda de ativos e operações de fusões e aquisições como parte da recuperação extrajudicial apresentada nos últimos dias à Justiça paulista. Segundo a petição inicial, a reestruturação também contempla aumento de capital e diferentes alternativas de pagamento aos credores, com o objetivo de adequar as obrigações financeiras à capacidade de geração de caixa do grupo.

O pedido reúne sete sociedades e abrange R$ 328,69 milhões em créditos. A companhia chegou à Justiça com adesão de credores titulares de R$ 115,41 milhões, equivalentes, portanto, a 35,11% do total, e assumiu o compromisso de superar metade dos créditos abrangidos em até 90 dias.

A recuperação ocorre após episódios de inadimplência e cobrança antecipada. Em fato relevante, a Vert Companhia Securitizadora informou que a Mustang 25 Participações, uma das empresas do grupo, deixou de pagar uma parcela de suas notas comerciais.

Segundo o comunicado, a devedora foi notificada, mas não regularizou o pagamento no prazo adicional de dois dias úteis previsto em contrato. A Vert comunicou, então, a caracterização de um evento de vencimento antecipado automático das notas comerciais devidas pela Mustang e, consequentemente, de resgate antecipado obrigatório das debêntures lastreadas nesses títulos.

Informou ainda que notificaria a devedora para pagar o montante antecipadamente devido em até três dias úteis e convocaria assembleia de debenturistas para deliberar sobre o assunto. Na inicial da recuperação extrajudicial, assim, a Chilli Beans descreve o risco de que o inadimplemento de uma sociedade se espalhe pelas demais.

Segundo o documento, cláusulas de vencimento cruzado e garantias prestadas entre as empresas fazem com que execuções, bloqueios e antecipações de vencimentos tenham repercussões sobre o conjunto do grupo. A companhia pede à Justiça a suspensão de ações e execuções relacionadas aos créditos abrangidos pela recuperação, além da proibição de retenções, arrestos, penhoras e outras constrições patrimoniais.

A petição afirma que a proposta foi construída após meses de negociação com credores. Para completar o apoio necessário à homologação, o grupo diz manter tratativas avançadas com os demais credores abrangidos, especialmente bancos públicos.

A renegociação envolve obrigações financeiras sem garantia real ou parcelas não integralmente cobertas pelas garantias contratuais, incluindo operações de antecipação de recebíveis e risco sacado. Também abrange operações financeiras contratadas por franqueados nas quais empresas do grupo figurem como avalistas, fiadoras ou garantidoras, inclusive obrigações ainda não exigíveis perante as requerentes.

Segundo a petição inicial, as condições de pagamento de funcionários e fornecedores não serão afetadas. Os números apresentados à Justiça mostram deterioração das receitas.

Nos nove primeiros meses de 2026, o faturamento bruto informado pelas requerentes foi de R$ 151,26 milhões, queda de 29,9% sobre os R$ 215,76 milhões registrados no mesmo período de 2025. No exercício completo de 2025, o faturamento havia recuado 3,9%, para R$ 390,67 milhões.

O grupo atribui a crise ao encarecimento do crédito, à retração do consumo e à redução do movimento nos shopping centers. Também cita a concorrência de plataformas asiáticas de baixo custo e os investimentos necessários para diversificar a atuação no segmento óptico.

Segundo a petição, a alta do custo do financiamento atingiu simultaneamente a franqueadora e os franqueados, dificultando a abertura de unidades, o giro dos estoques e a sustentação das operações.

Publicação Original Globo valor.globo.com
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