Chileno preso por injúria racial em voo pede desculpa e diz que passa por tratamento psiquiátrico: 'não era eu'

 

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O executivo chileno Germán Andrés Naranjo Maldini, preso no Brasil após episódio envolvendo acusações de racismo e homofobia em um voo da Latam, se reuniu com seu advogado nesta segunda-feira a quem deu um depoimento desculpando-se pelas agressões verbais contra um tripulante. Maldini afirmou estar fora de si e disse que passava por tratamento psiquiátrico.

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A defesa do executivo informou ter pedido à Justiça Federal avaliação da condição clínica e do estado mental de Maldini. Segundo seu advogado, Carlos Kauffmann, Maldini "faz tratamento psiquiátrico há mais de 13 anos, possui histórico de internações relacionadas à saúde mental e faz uso contínuo de medicação controlada".

Ainda de acordo com Kauffmann, as informações médicas foram levadas oficialmente às autoridades "para demonstrar que o chileno necessita de acompanhamento e avaliação especializada, independentemente da manutenção da prisão".

Segndo o advogado, Germán relatou não ter clareza sobre os acontecimentos registrados durante o voo, afirmando estar "profundamente abalado, envergonhado e arrependido". O estrangeiro também apresentou pedido público de desculpas ao tripulante envolvido no caso e aos brasileiros.

Em inglês, ditou o seguinte depoimento à defesa:

“Eu acredito em todos os seres humanos. Eu os amo sem diferenças. Eu acredito no amor sem diferenças. Eu só ajudei pessoas durante toda a minha vida, sem diferenças. Fiquei chocado pelas minhas palavras no vídeo. Isso não reflete o que eu acredito".

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"Perdi meu irmão um tempo atrás e bebi demais. Estava passando por tratamento psiquiátrico. Queria poder dizer isso para todas as pessoas que aparecem no vídeo: a pessoa que vocês viram não sou eu, é uma pessoa que estava fora de si. Mando amor para todas as pessoas e minhas sinceras desculpas para quem eu machuquei".

Em seguida, ele se dirige ao comissário de bordo que afirmou ter "cheiro de negro brasileiro".

"Provavelmente, você está bravo demais para me perdoar, mas espero ter a chance de me desculpar pessoalmente com você. De novo: não era eu. Minha mente estava em um estado alterado. Queria ter a oportunidade e a permissão de escrever essa carta de próprio punho, mas, por ora, tive que pedir que meu advogado o fizesse.”

Em nota, o advogado de Maldini disse que "está extremamente triste, consternado, envergonhado com tudo isso, e pede desculpas públicas a todos os brasileiros, em especial, ao tripulante que se sentiu ofendido".

Kauffmann relatou que Maldini lhe disse que a conduta que teve no voo "é incompatível com a sua vida, com o seu histórico, e que jamais, jamais, poderia fazer algo nesse sentido de maneira consciente, de maneira intencional".

Maldini foi detido na sexta-feira, dia 15, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após fazer comentários racistas e homofóbicos dentro de um avião contra membros da tripulação e passageiros. Em uma das ofensas, ele ofende um comissário dizendo que tem "cheiro de negro brasileiro" e afirma que ser gay "é um problema".

O episódio ocorreu em 10 de maio, no voo LA8070 da Latam Airlines, que seguia de São Paulo para Frankfurt, na Alemanha. Ele foi detido quase uma semana depois, no retorno de sua viagem ao exterior, após participar de uma feira internacional a trabalho.

Germán Naranjo Maldini atuava como gerente da Landes, uma empresa chilena de alimentos e biotecnologia marinha. Na noite de sexta-feira, a Landes afastou “formal e preventivamente” o executivo de suas funções, de acordo com a imprensa chilena.

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Ainda no fim de semana, a Latam divulgou comunicado em que disse repudiar "com a mais absoluta veemência qualquer ato de violência, racismo, discriminação ou ataque à dignidade humana".

A empresa classificou a agressão verbal a seu comissário como "covarde" e que conduz "rigorosa apuração interna sobre a conduta de todos os envolvidos". Também afirmou que "confia na aplicação exemplar das medidas legais cabíveis, incluindo a legislação do passageiro indisciplinado".