Chegada de Vorcaro consolida apelido de ‘Tremembé de Brasília’ da Papudinha

Chegada de Vorcaro consolida apelido de ‘Tremembé de Brasília’ da Papudinha

Fonte: Bandeira



Um batalhão de polícia instalado originalmente para o patrulhamento de um presídio serviu para que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumprisse parte da pena e se tornou o centro de detenção de presos dos três maiores escândalos recentes do país.


Desde o mês passado, Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, se juntou aos condenados pela tentativa de golpe e a um ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na Papudinha, como ficou conhecido o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.

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A chegada de envolvidos em casos de grande repercussão nacional também tem rendido ao batalhão, entre advogados e policiais, o apelido de "Tremembé de Brasília", em alusão ao presídio no interior paulista onde condenados como Suzane von Richthofen e o ex-jogador Robinho ficaram presos.


"Houve um crescimento muito grande de advogados ligados a facções, então a Vara de Execuções Penais entendeu que o batalhão se enquadraria em uma sala de estado-maior", afirma o comandante do batalhão, tenente-coronel Allenson Lopes, a respeito da mudança na função inicial do lugar.


"Aí nós começamos a receber advogados e recebemos o ex-vice-governador do Distrito Federal Benedito Domingos, em 2016.

Com os advogados presos aqui, o Supremo decidiu que o ex-presidente [Bolsonaro] viria pra cá."


A ida de Bolsonaro em janeiro deste ano (em março ele obteve a prisão domiciliar) consolidou a decisão do batalhão de destinar uma ala inteira para o que tem chamado de custodiados do STF.


Estão presos no local o ex-ministro da Justiça de Bolsonaro Anderson Torres, o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, cinco ex-coronéis da Polícia Militar do DF e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa.


Cota agora divide cela com Torres e Silvinei, enquanto Vorcaro ocupa a antiga cela de Bolsonaro.

Os cinco coronéis da PM compartilham uma maior, ao lado, com capacidade para até dez pessoas.


Completam a lista da Papudinha o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, investigado pelos descontos ilegais em aposentadorias e pensões.

Stefanutto está detido em uma cela com mais sete advogados em outra ala, onde estão os demais policiais militares que foram condenados, mas não foram expulsos da corporação.


O ex-presidente do BRB estava sozinho na cela que havia sido ocupada por Bolsonaro —hoje em prisão domiciliar.

Com a chegada de Vorcaro, a quem a Polícia Federal acusa de pagar propina para Costa, o batalhão precisou fazer um remanejamento entre os presos.


A Polícia Militar diz que também reforçou o policiamento e criou um rodízio no intervalo do banho de sol para impedir que Vorcaro se encontre com Costa ou os companheiros de cela dele.


Segundo relatos de três pessoas com acesso à unidade, o ex-presidente do BRB tem passado praticamente todo o dia com seus advogados em uma sala separada para tentar fechar um acordo de delação premiada, em horários autorizados pelo STF.

A proposta foi oficialmente recusada pelo Ministério Público Federal (MPF).


Já Silvinei tem usado parte do tempo para estudar, assim como o ex-comandante do Departamento de Operações (DOP) da PM-DF Jorge Eduardo Naime Barreto.


Os cinco coronéis da Polícia Militar também fizeram uma espécie de acordo de paz na prisão e deram uma trégua nas rixas históricas, de acordo com relatos de familiares e advogados que estiveram com o grupo.


Imagens de Daniel Vorcaro após ser preso, em março

Reprodução/g1