Chefe do tráfico em favela onde foram apreendidas 48 toneladas de maconha, Motoboy tem mais de 300 anotações criminais
Suspeito de chefiar o tráfico na Favela Nova Holanda, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, onde 48 toneladas de maconha foram apreendidas, nesta terça-feira, Rodrigo da Silva Caetano, o Motoboy, tem uma longa ficha policial. Em nome dele, segundo dados do site do Conselho Nacional de Justiça, há 14 mandados de prisão expedidos pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a maior parte por crimes como tráfico, roubos e associação ao tráfico. Ele é considerado foragido e possui 300 anotações criminais.
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Segundo investigações policiais, Motoboy ocupa o segundo escalão da cúpula do Comando Vermelho (CV). O traficante é suspeito de usar a estrutura do tráfico da Nova Holanda para transformar territórios da comunidade em uma espécie de entreposto de drogas do da facção. Segundo investigações policiais, bandidos do CV vindos da Região dos Lagos, da Região Serrana e do Sul do estado compram drogas na comunidade do Complexo da Maré que são revendidas no interior.
Integrando de um grupo formado por “donos de morros”, o traficante também é investigando por dar suporte a invasões a comunidades controladas por facções rivais e por fornecer armas e homens para assaltos milionários. Um deles aconteceu em 22 de junho de 2020, quando pelo menos 20 homens armados de fuzis atacaram um centro de distribuição de uma rede de supermercados, em Duque de Caxias na Baixada Fluminense. Na ocasião, foram roubados cerca de R$ 15 milhões em mercadorias, e um vigilante foi morto. Numa segunda ação, oito dias depois, bandidos da mesma quadrilha atacaram o terminal de cargas do Aeroporto Santo Dumont e levaram mais de 80 notebooks.
Mais de 250 policiais militares apreendem 48 toneladas de maconha no Complexo da Maré
Genilson Araujo
A operação avançou até a madrugada de ontem e resultou no que a PM aponta como a maior apreensão de drogas já feita no país. Informações recebidas pelo setor de inteligência das polícias Civil e Militar revelam que as 48 toneladas de maconha encontradas escondidas na Favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, em Bonsucesso, na Zona Norte, percorreram longo caminho até chegar ao Rio — mais precisamente ao território controlado pelo Comando Vermelho (CV).
Avaliada pela PM em cerca de R$ 50 milhões, a carga, oriunda de países da América do Sul que fazem fronteira com o Brasil, viajou por aproximadamente 1,7 mil quilômetros até o local onde foi farejada pelo pastor-belga malinois Hulk, do Batalhão de Ações com Cães (BAC).
Um entreposto
Chefiada pelo traficante Rodrigo da Silva Caetano, o Motoboy, que tem 14 mandados de prisão em seu nome e mais de 300 anotações criminais, a Nova Holanda funciona como uma espécie de entreposto de distribuição de drogas para morros e favelas dominados pelo CV.
Entre os traficantes da facção que compram drogas na favela há bandidos vindos da Região dos Lagos, da Região Serrana e do Sul Fluminense. Segundo levantamento feito pela Polícia Civil, até o início de março de 2026 pelo menos 1.283 comunidades do Rio de Janeiro já estariam sob algum tipo de influência do CV.
Estimativa feita pela polícia aponta que o tráfico na Nova Holanda arrecada, por mês, cerca de R$ 40 milhões com uma série de negócios ilícitos, incluindo o comércio de drogas e a venda de sinal clandestino de TV a cabo e de internet, além do roubo de veículos e de cargas, que são repassados a receptadores. Parte desse dinheiro vai para a “caixinha” da facção, administrada pela cúpula do Comando Vermelho. A verba é utilizada para, entre outras coisas, financiar assaltos e a compra de armamento.
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A ação deflagrada anteontem reuniu mais de 250 policiais militares, incluindo agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidões (Recom), do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM) e do 22 BPM (Maré). O destaque da operação, no entanto, foi mesmo Hulk, de 4 anos, lotado no Batalhão de Ações com Cães (BAC) da Polícia Militar.
A maconha estava dentro de uma espécie de cisterna concretada no alto de uma construção abandonada na comunidade. Ao passar pelo local, Hulk começou a ficar agitado, o que despertou a desconfiança dos agentes. O ponto, inicialmente, não havia chamado atenção. Após o sinal dado pelo cão, foi preciso fazer uma abertura na parede para se chegar ao material.
— Os agentes estavam verificando, mas estava tudo vedado, concretado. O Hulk ficou agitado, mudou o comportamento. Os agentes desconfiaram e começaram a quebrar o concreto — contou o comandante do BAC, tenente-coronel Luciano Pedro.
Hulk foi doado à corporação ainda filhote, aos seis meses, por um militar. Desde então, participa de treinamentos contínuos na sede do batalhão e já atuou em ocorrências importantes. Condutor do animal, o sargento do BAC Wildemar de Oliveira afirma que o cão é destaque na corporação.
— Ele está há quatro anos com a gente, é muito agitado. Já participou de várias apreensões, mas esta, sem dúvida, é a mais importante até agora — observou.
A retirada desta montanha de mais de 24.600 tabletes de entorpecente da favela mobilizou equipes por cerca de cinco horas e exigiu viagens de quatro caminhões, cada um com capacidade para transportar cinco toneladas. Além da grande quantidade de droga, os policiais apreenderam quatro fuzis e quatro pistolas escondidos perto do local onde a carga foi encontrada. Um quinto fuzil foi apreendido em outro ponto da comunidade por policiais militares, que chegaram a trocar tiros com criminosos durante a operação. Ainda foram recuperados 26 veículos roubados, entre motos e carros, e um suspeito foi preso.
Informações preliminares revelam que a maconha armazenada na Nova Holanda estaria no local há menos de seis meses. O material teria chegado aos poucos, em remessas variadas. A polícia investiga a informação de que, além de usar a rota para transportar a droga por estradas, parte do material encontrado também teria sido transportada em um trecho por pequenos barcos, a partir da Baía de Guanabara, que banha a comunidade. A incineração de todo esse material tinha previsão de começar ontem mesmo, de acordo com o major Maicon Pereira, porta-voz da PM:
— A última grande apreensão de drogas no Brasil ocorreu em 2021, quando a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 36,5 toneladas em Mato Grosso do Sul — observa o major.
Um ‘dono de morro’
Rodrigo da Silva Caetano ocupa o segundo escalão da cúpula do CV. Integrante de um grupo formado por “donos de morros”, o traficante também é investigado por dar suporte a invasões a comunidades controladas por facções rivais e por fornecer armas e homens para assaltos milionários.
Um desses crimes aconteceu no dia 22 de junho de 2020, quando pelo menos 20 homens armados de fuzis atacaram um centro de distribuição de uma rede de supermercados, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Na ocasião, foram roubados cerca de R$ 15 milhões em mercadorias, e um vigilante foi morto. Em uma segunda ação, oito dias depois, bandidos da mesma quadrilha atacaram o terminal de cargas do Aeroporto Santo Dumont e levaram mais de 80 notebooks.
— Essa apreensão recorde é resultado de uma ação cirúrgica da Polícia Militar, evidenciando toda a sua capacidade técnica e operacional. Por meio de planejamento, inteligência e da atuação especializada do Batalhão de Ações com Cães e de todas as unidades envolvidas na operação, atingimos um resultado expressivo para o enfraquecimento das organizações criminosas e, principalmente, sem efeitos colaterais. Com isso, a Polícia Militar aplica mais um duro golpe no tráfico de drogas — disse o secretário da Polícia Militar, coronel Sylvio Guerra.
* Estagiária sob orientação de Cláudia Meneses
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