Chefe do Serviço Postal dos EUA disse a pessoas próximas que quer deixar cargo

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O diretor-geral do Serviço Postal dos Estados Unidos, David Steiner, disse a pessoas próximas que está profundamente desanimado com o cargo e quer renunciar, segundo quatro pessoas familiarizadas com seu pensamento. A saída, se concretizada, ocorreria em um momento em que o órgão enfrenta escrutínio por seus prejuízos financeiros e pelos esforços do presidente Donald Trump para endurecer as regras do voto pelo correio.

Steiner, que assumiu o cargo em julho de 2025 depois que a Casa Branca forçou a saída de seu antecessor, manifestou frustração com a falta de apoio da Casa Branca e do Congresso para enfrentar os problemas financeiros de longa data do serviço, disseram as fontes.

Ao mesmo tempo, o Serviço Postal foi colocado no centro do debate sobre o papel do governo federal no processo eleitoral depois que Trump determinou, em março, que o órgão atuasse como uma central de processamento de cédulas enviadas pelo correio. Na segunda-feira, a Suprema Corte impediu o órgão de implementar elementos importantes do plano, impondo um revés significativo à Casa Branca.

As pressões culminaram em uma audiência tensa no Senado, em junho, na qual parlamentares dos dois partidos interrogaram Steiner sobre a baixa qualidade dos serviços de entrega, as restrições propostas por Trump ao voto pelo correio e sua remuneração.

A audiência deixou Steiner furioso, disseram as fontes. Em conversas posteriores, ele descreveu o cargo como ingrato, alertou que a situação financeira do órgão estava se tornando cada vez mais grave sem ajuda federal e afirmou que queria sair, segundo as pessoas, que falaram sob condição de anonimato.

“A mensagem era: não foi para isso que ele aceitou o cargo, e ele não entrou para apanhar desse jeito”, disse uma das fontes.

O Serviço Postal contestou as informações fornecidas pelas fontes, afirmando que elas não tinham “absolutamente nenhuma validade”, mas não comentou episódios específicos. O órgão não respondeu a um pedido de entrevista com Steiner.

O diretor-geral do Serviço Postal, que comanda o órgão independente de 630 mil funcionários, é contratado e avaliado por um conselho de governadores bipartidário, cujos integrantes são indicados pelo presidente e confirmados pelo Senado. A estrutura do órgão foi concebida deliberadamente para proteger o serviço postal de interferências políticas.

Steiner, ex-integrante do conselho de administração da FedEx e ex-presidente-executivo da Waste Management, disse aos integrantes do conselho durante o processo de seleção que pretendia permanecer no cargo por cerca de dois anos, segundo as fontes.

Desde que assumiu, ele afirmou repetidamente a parlamentares que, sem novos recursos, o Serviço Postal seria obrigado a reduzir os dias de entrega e fechar agências deficitárias, em sua maioria localizadas em áreas rurais de tendência republicana.

Os parlamentares rejeitaram em grande parte as propostas de Steiner para reduzir os serviços, enquanto empresas de correspondências e encomendas se mostraram insatisfeitas com os fortes aumentos de tarifas destinados a reduzir os prejuízos.

Trump, em seus dois mandatos, envolveu-se mais com o Serviço Postal do que seus antecessores, pressionando o órgão a elevar as tarifas de encomendas, interferindo no processo de escolha do diretor-geral e tentando implementar restrições ao voto pelo correio.

Seu envolvimento fez, em alguns momentos, com que o órgão e seus dirigentes se tornassem alvo de intenso escrutínio do Congresso. O diretor-geral do Serviço Postal dos Estados Unidos, David Steiner, presta depoimento durante audiência do Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado REUTERS/Elizabeth Frantz

Audiência no Senado colocou Steiner sob os holofotes Na audiência de junho, Steiner discutiu com o presidente do comitê, o senador republicano Rand Paul, do Kentucky, sobre os anos de prejuízos financeiros do órgão, e com a senadora democrata Elissa Slotkin, de Michigan, que acusou Steiner de ser um “peão” nos planos de Trump para restringir o acesso ao voto.

Steiner defendeu a proposta de Trump. “Eu imaginaria que os Estados gostariam de ter essas informações para garantir que as cédulas que acreditam estar enviando sejam de fato as cédulas que estão sendo enviadas”, afirmou durante a audiência.

O senador republicano Josh Hawley, do Missouri, também pediu que Steiner abrisse mão de seu bônus devido aos problemas na prestação dos serviços do órgão. Steiner recebe salário anual de US$ 346.780, de acordo com documentos financeiros do Serviço Postal, e recebeu em 2025 um bônus de transferência equivalente a 50% de seu salário. David Steiner, diretor-geral do Serviço Postal dos Estados Unidos (USPS), durante audiência do Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado Valerie Plesch/Bloomberg

As quatro pessoas familiarizadas com o pensamento de Steiner disseram não estar claro em que medida os questionamentos do Congresso sobre as regras de Trump para o voto pelo correio contribuíram para sua frustração. Elas observaram que Steiner já havia cogitado deixar o cargo no fim de 2025 devido à difícil situação financeira do Serviço Postal.

Na tentativa, naquela época, de elevar o ânimo de Steiner e obter apoio da Casa Branca para seus planos de reestruturação, doadores de Trump ligados ao setor postal organizaram, em dezembro de 2025, uma viagem para que o diretor-geral jogasse golfe com o presidente em um de seus resorts na Flórida, disseram as fontes.

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