Chefe do Pentágono diz que Teerã pode fazer 'acordo sábio' e que bloqueio a portos iranianos seguirá 'pelo tempo que for necessário'
Em coletiva de imprensa no Pentágono nesta sexta-feira, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o bloqueio americano à navegação iraniana continuará "pelo tempo que for necessário" para cumprir a missão "ousada e perigosa" de Washington de acabar com a ameaça do Irã à segurança global. Teerã, por sua vez, condiciona a retomada das negociações de paz com os EUA à suspensão do bloqueio, mas, segundo a imprensa americana, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, vai se encontrar com deverá se encontrar com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e com Jared Kushner, genro do presidente americano, Donald Trump, neste fim de semana em Islamabad, no Paquistão, para seguir com os esforços diplomáticos.
Tanto Washington quanto Teerã têm buscado exercer controle sobre o Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% de petróleo e gás para comercialização mundial em tempos de paz, desde que concordaram com um cessar-fogo. O Irã afirma que apenas navios com permissão da Guarda Revolucionária Islâmica poderão passar. A Marinha americana diz estar interceptando todos os navios que chegam ou se dirigem a portos iranianos. Nos últimos dias, ambos os lados apreenderam embarcações que, segundo eles, violavam suas respectivas restrições à navegação.
— O Irã sabe que ainda tem uma janela de oportunidade para fazer uma escolha sábia na mesa de negociações — disse Hegseth ao reiterar um dos principais objetivos de Trump: impedir que o Irã obtenha armas nucleares, mas insistiu que os Estados Unidos não estavam "ansiosos por um acordo".
Hegseth reclamou que manter o Estreito de Ormuz aberto não deveria ser responsabilidade dos Estados Unidos. Ele ecoou a queixa de Trump de que os europeus não estavam ajudando.
— A Europa e a Ásia se beneficiaram de nossa proteção por décadas, mas o tempo de tirar proveito sem contribuir acabou.
O secretário de Defesa dos EUA sugeriu que os aliados tradicionais dos EUA na Europa estão "se aproveitando da situação" e sendo desleais ao não usarem suas próprias forças para abrir o Estreito de Ormuz, que foi fechado devido à guerra do presidente Trump contra o Irã.
— Não estamos contando com a Europa, mas eles precisam do Estreito de Ormuz muito mais do que nós — insistiu Hegseth.
A manobra do Irã para bloquear o estreito interrompeu o fornecimento global de energia — especialmente na Europa, onde muitos líderes permanecem frustrados. O presidente francês, Emmanuel Macron, chegou a afirmar que os EUA não podem reclamar da falta de apoio “em uma operação que escolheram realizar sozinhos”.
As críticas contundentes de Hegseth ecoam as declarações de Trump de que outras nações deveriam "ir buscar seu próprio petróleo" e "começar a aprender a lutar por si mesmas".
