Chefe do Judiciário do Irã diz que regime vai televisionar julgamentos de manifestantes presos

 

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O chefe do Judiciário iraniano anunciou que o regime teocrático pretende televisionar os julgamentos de manifestantes presos. A declaração ocorre em meio a uma violenta repressão, que já deixou mais de 3.400 mortos, e ao temor de uma aplicação em massa da pena de morte.

Um oficial iraniano de alto escalão afirmou à agência de notícias Reuters que o Irã vai atacar bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio caso seja bombardeado, e que os países vizinhos já foram avisados dessa decisão.

A declaração é mais uma tentativa de dissuadir as ameaças do ex-presidente Donald Trump de intervir em nome dos manifestantes. Segundo três diplomatas ouvidos pela Reuters, alguns integrantes das forças americanas na base aérea do Catar foram aconselhados a deixar o local até a noite desta quarta-feira.

As autoridades, no entanto, enfatizam que se trata de uma mudança de postura, e não de um esvaziamento em larga escala, como ocorreu antes de um ataque com mísseis iranianos em junho do ano passado, após um bombardeio americano a três instalações nucleares do Irã. A base no Catar é a maior dos Estados Unidos no Oriente Médio e abriga cerca de 10 mil militares. Um oficial americano disse à Reuters que os Estados Unidos estão retirando parte do pessoal de bases na região.

A situação diplomática também se agravou. Os contatos diretos entre o ministro das Relações Exteriores do Irã e o enviado especial dos Estados Unidos foram suspensos, refletindo o aumento das tensões entre os dois países. As autoridades iranianas marcaram para esta quarta-feira a primeira execução ligada à nova onda de protestos contra o regime.

O jovem Erfan Soltani, de 26 anos, será enforcado por participação nas manifestações, segundo grupos de direitos humanos. Após a prisão, Erfan Soltani passou por um julgamento acelerado, sem direito à presença de advogados, sem acesso a garantias básicas e com pouca transparência. Enquanto isso, Donald Trump vem prometendo medidas “muito fortes” contra o Irã caso o país execute manifestantes e afirma que ajuda está a caminho.