Chefe do Judiciário do Irã diz que país está aberto a negociar com os EUA, mas rejeita 'imposições'
O chefe do Poder Judiciário do Irã, Gholamhossein Mohseni Ejei, afirmou nesta sexta-feira que Teerã está aberto a dialogar com os Estados Unidos, mas não aceitará “imposições” sob ameaça.
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— A República Islâmica nunca renunciou às negociações (...) mas, de fato, não aceitamos imposições — declarou em um vídeo publicado no site do Judiciário, Mizan Online.
— Não queremos a guerra; não queremos que ela continue — enfatizou. — [No entanto, o Irã] não vai, de forma alguma, abandonar seus princípios e valores diante desse inimigo malicioso, com o objetivo de evitar a guerra ou impedir sua continuidade — ponderou.
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Irã e EUA realizaram apenas uma rodada de conversas após a instauração, em abril, de uma frágil trégua, depois de quase 40 dias de conflito, iniciado com os bombardeios norte-americanos e israelenses em 28 de fevereiro.
A Casa Branca, no entanto, tem sustentado que o cessar-fogo em vigor representa o fim das hostilidades. O governo do presidente Donald Trump argumenta que não há confrontos desde 7 de abril, o que, na prática, encerraria o conflito do ponto de vista legal.
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Nos últimos dias, as negociações estagnaram, e os EUA impuseram um bloqueio naval aos portos iranianos. Teerã, por sua vez, mantém quase fechado o Estreito de Ormuz, rota fundamental para o transporte de hidrocarbonetos extraídos do Golfo.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, ameaçou nesta semana retomar as operações contra o Irã.
Trump deveria ser informado por comandantes militares sobre as opções disponíveis, segundo o site Axios.
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Ejei insistiu que Washington não obteve “nada” com essa guerra, acrescentando que Teerã não vai “se intimidar” nas negociações.
Em uma mensagem escrita divulgada na quinta-feira, o líder supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que os EUA sofreram uma “derrota vergonhosa” no conflito.
Ele acrescentou que os iranianos manterão sua capacidade nuclear e de mísseis como parte de seu “patrimônio nacional”.
Apesar da trégua, o impasse nas negociações mantém o cenário instável. Sem avanço em um acordo, cresce o risco de retomada dos confrontos, diante da troca de ameaças e da pressão econômica exercida por Washington sobre Teerã.
