Chefe de Segurança Interna do Irã promete

Chefe de Segurança Interna do Irã promete 'nova estratégia' em guerra contra os EUA após troca de ataques

Fonte: Bandeira da fonte

O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, afirmou nesta quarta-feira que o regime teocrático prepara uma nova estratégia na guerra contra os EUA, que abarcará as ações militares e as disputas diplomáticas e econômicas.
A declaração ocorre após novos ataques trocados entre os países, incluindo um bombardeio americano que deixou quatro mortos durante um casamento na cidade de Kuhestak, denunciado por autoridades iranianas como um "crime de guerra".
As tensões também continuam elevadas no Estreito de Ormuz, onde ações hostis voltaram a ser registradas.
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"Com essas tentativas desesperadas, vocês não apenas não conseguirão sair do fundo do inferno que construíram para si mesmos", escreveu Rezaei nesta quarta-feira em uma publicação em farsi na rede social X.
"Em breve vocês verão que a nova estratégia do Irã no campo de batalha, na diplomacia e no enfrentamento do bloqueio econômico vai destruir seus alicerces".

Veterano dos tempos da Revolução Islâmica de 1979 e da Guerra Irã-Iraque, Rezaei não detalhou que medidas exatamente seriam adotadas.
Nomeado para o cargo no mês passado pelo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, sua escolha foi apontado por analistas como uma aproximação com a linha-dura do regime teocrático — que é mais resistente a um processo de negociação, e tem pregado a resistência a imposições americanas.
O aceno sobre uma nova estratégia a ser aplicada acontece em um momento de renovadas tensões.
Após a sinalização do governo americano de que a abordagem sobre o Irã mudaria de foco para uma campanha de bloqueio comercial, liderada pelo secretário do Tesouro Scott Bessent, os EUA voltaram a atacar militarmente o território iraniano nos últimos dias, incluindo os bombardeios contra o sul do país na terça-feira, que Washington justificou como resposta a tentativas de ataque contra navios comerciais e suas tropas.
Explosões foram ouvidas em diferentes cidades iranianas e uma contagem parcial indicava 18 mortos, porém um episódio em particular recebeu a atenção da mídia estatal, após os estilhaços de um projétil americano caírem sobre um local em que era celebrado um casamento.
O Crescente Vermelho do Irã informou que quatro pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas no evento.
O incidente provocou reações exasperadas das autoridades iranianas.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que a ação mostrava "a realidade desta guerra ilegal" e o verdadeiro rosto do crime de guerra", acrescentando que a ação americana faria parte de um "esforço desesperado dos EUA para dissimular seu fracasso".
O principal negociador iraniano nas conversas mediadas pelo Paquistão, Mohammad Bagher Ghalibaf, retomou um termo que se tornou recorrentre entre simpatizantes da Revolução Islâmica após 1979, ao tratar Washington por "Satã".

"Escola de Minab: crianças massacradas.
Ginásio de Lamerd: crianças assassinadas.
Casamento em Kuhestak: crianças assassinadas ao lado de suas famílias.
Se uma potência atua como Satã, escolhe alvos como Satã e mata como Satã, é Satã", afirmou Ghalibaf em uma publicação no X.
O porta-voz do Comando Central das Forças Armadas dos EUA Tim Hawkins rejeitou a alegação sobre crime de guerra, e afirmou que "as Forças Armadas dos Estados Unidos nunca atacam civis, ao contrário da Guarda Revolucionária".
Os ataques americanos não passaram sem resposta.
Teerã iniciou uma campanha de retaliação ainda na terça-feira, anunciando ataques contra bases americanas em Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein e na região autônoma curda do Iraque.
Novas ações também foram anunciadas pela Guarda Revolucionária do Irã no Estreito de Ormuz — principal instrumento de pressão utilizado pelo governo iraniano, que fechou a rota comercial desde o início da guerra, afetando o mercado global de petróleo.
O Exército ideológico do Irã afirmou nesta quarta-feira que dois petroleiros sofreram incêndios após colisões com minas navais durante o tráfego fora de uma rota designada pelas autoridades de Teerã, em Ormuz.
Em um comunicado, a Guarda disse que os dois navios pediram "ao Exército dos Estados Unidos para transitar por uma rota ilegal", colidiram com as minas "e explodiram".
Trump afirmou que os ataques anteriores, no domingo, tinham sido uma "represália pela tentativa fracassada dos iranianos de colocar minas navais no estreito" e pelo "lançamento por parte dos iranianos de oito mísseis, todos interceptados com sucesso, contra nossa base militar na Jordânia".
(Com AFP)