Chefe da OMS se reunirá com premier da Espanha antes de ir às Ilhas Canárias acompanhar crise em cruzeiro com hantavírus

 

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O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, se reunirá neste sábado, em Madri, com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, antes de seguir para as Ilhas Canárias, onde acompanhará a operação montada para receber o cruzeiro MV Hondius, foco de um surto de hantavírus que mobiliza autoridades sanitárias de vários países.

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O encontro está marcado para as 17h no horário local (12h no Brasil), no Palácio de Moncloa, sede da Presidência do Governo espanhol. Depois, Tedros viajará para Tenerife, a cerca de três horas de voo da capital espanhola, para supervisionar a chegada da embarcação e a retirada controlada de passageiros e tripulantes.

A presença do chefe da OMS amplia o peso internacional da resposta ao surto, embora a própria organização venha reiterando que o risco para a população mundial permanece baixo.

"A OMS avalia o risco para a população mundial apresentado por esse evento como baixo", destacou a agência da ONU no boletim divulgado na sexta-feira.

Seis casos confirmados e três mortes

Segundo o relatório mais recente da OMS, há oito casos notificados ligados ao surto, incluindo três mortes — um casal de passageiros holandeses e uma mulher alemã. Desses oito casos, seis foram confirmados em laboratório como infecções por hantavírus, todos identificados como causados pelo vírus Andes (ANDV), a única cepa conhecida com registros de transmissão entre humanos em situações de contato muito próximo.

Os outros dois casos seguem classificados como prováveis.

Hantavírus em cruzeiro

Reprodução

Atualmente, quatro pacientes estão hospitalizados: um em estado grave em Johannesburgo, na África do Sul; dois em hospitais nos Países Baixos; e um em Zurique, na Suíça.

Uma pessoa atendida em Düsseldorf, na Alemanha, testou negativo para hantavírus. Em Singapura, dois moradores que estiveram a bordo do navio também tiveram resultado negativo.

Segundo a operadora Oceanwide Expeditions, "já não há nenhuma pessoa com sintomas a bordo".

Operação nas Canárias corre contra o tempo

O MV Hondius, navio de bandeira holandesa usado também em expedições polares, partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1º de abril, para um cruzeiro pelo Atlântico. Com cerca de 150 pessoas de aproximadamente 20 nacionalidades, navega agora rumo a Tenerife, onde é esperado neste domingo.

No mesmo dia, começarão voos especiais para repatriar passageiros e tripulantes a seus países de origem.

Mas a janela operacional é curta.

— A única janela de oportunidade que temos (...) é por volta das 12h de domingo e até que as condições [meteorológicas] mudem a partir de segunda-feira — explicou um porta-voz do governo regional das Canárias.

Se a evacuação não ocorrer dentro desse prazo, "o navio deverá seguir viagem porque as condições de navegação vão mudar de maneira muito significativa no entorno do porto", acrescentou. A embarcação recebeu autorização apenas para fundear diante da costa — não para atracar.

Os Estados Unidos já anunciaram que organizam um voo especial para retirar seus cidadãos.

Novo caso suspeito amplia rastreamento

Enquanto a operação se aproxima, autoridades sanitárias seguem rastreando contatos em diferentes países.

Uma comissária da KLM que teve contato com uma das passageiras holandesas mortas testou negativo. Já na Espanha, uma mulher que estava em um voo ligado ao caso foi hospitalizada na região de Valência após apresentar sintomas compatíveis com hantavírus.

No Reino Unido, um cidadão britânico em Tristão da Cunha — remota ilha do Atlântico Sul onde o MV Hondius fez escala — é tratado como caso suspeito.

A OMS também continua monitorando as 29 pessoas que deixaram o navio durante uma escala na ilha de Santa Helena, em 24 de abril.

Origem do contágio segue indefinida

Segundo a ONU, o primeiro contágio ocorreu antes mesmo do início da expedição. O primeiro passageiro morto, um holandês de 70 anos, apresentou sintomas em 6 de abril. Como o período de incubação do vírus varia de uma a seis semanas, a hipótese é que ele e a esposa tenham sido infectados antes de embarcar.

O casal havia viajado por Chile, Uruguai e Argentina antes de subir no navio em Ushuaia.

Na sexta-feira, autoridades da Terra do Fogo classificaram como "praticamente nula" a possibilidade de o contágio ter ocorrido em solo argentino.

O hantavírus é endêmico em algumas áreas andinas da Argentina, onde são registrados cerca de 30 casos por ano.