Chay Suede estreia no teatro: 'Talvez seja a maior descoberta da minha vida como ator'

 

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Roobertchay Domingues da Rocha Filho não sonhava em ser ator, até se tornar Chay Suede. A carreira do artista não seguiu o percurso mais tradicional para a profissão. Ele chamou atenção pela primeira vez aos 18 anos, ao participar do programa de calouros Ídolos em 2010, pelo talento musical. Depois, ganhou projeção nacional na novela teen Rebelde, emendou papéis no horário nobre da TV Globo e atuações no cinema. Em 2026, após quase duas décadas, chegou o momento de experimentar o teatro, que muitas vezes é a primeira escola de um ator.

"Foi um sonho que foi crescendo conforme eu também fui aprendendo a sonhar em ser ator", conta em entrevista à CBN.

Após temporada no Rio de Janeiro, Chay apresenta o espetáculo "A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay" no Teatro Cultura Artística, em São Paulo, até o início de maio. São quase duas horas de um monólogo de texto complexo, com toques humorísticos e filosóficos. Assinada por Caetano W. Galindo e Felipe Hirsch, a dramartugia é regada por episódios da vida do artista, mas também por referências a histórias consagradas da literatura, como ‘A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Tristram Shandy’ (Laurence Sterne) e ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’ (Machado de Assis).

"A princípio, eu não imaginava que o Felipe Hirsch [também diretor] fosse querer fazer um monólogo comigo, na minha primeira peça da vida. Mas, quando ele colocou na cabeça que seria isso, encarei como ponto de partida e não questionei mais (...). Entendo que esse acabou sendo o meu caminho — como todo o resto, como as outras coisas que também aconteceram na minha vida, um pouco de forma avessa", relembrou.

A dimensão do desafio ficou ainda mais clara durante os ensaios. Acostumado a atuar para as câmeras, Chay conta que, no início do processo, teve a sensação de que a experiência acumulada na TV e no cinema pouco ajudaria no palco. Mas, com o tempo, percebeu que estava errado.

"As coisas que eu aprendi ao longo da minha vida estavam ali em mim e que eu estava fazendo uso delas o tempo inteiro — talvez sem enxergar, porque elas já fazem parte de mim, sou eu. Hoje, vejo que há muitas coisas da minha experiência no audiovisual que consegui aproveitar e outras que precisei construir do zero. Mas, a verdade é que eu sou um ator. No palco ou em qualquer lugar, continuo sendo um ator", pontua.

"Achei realmente que precisaria aprender a andar de novo. Tive que engatinhar. Mas, quando percebi, a gente já estava correndo", acrescenta.

O mundo de Narciso

Na peça, o personagem Carvalheiro Roobertchay leva o público a passear por 12 cenas inspiradas na infância e na adolescência de Chay Suede — que, assim como sua trajetória profissional, reservam momentos improváveis. Mas, engana-se quem compra o ingresso pensando que irá assistir a uma clássica biografia. Desde os primeiros encontros, Caetano W. Galindo e Felipe Hirsch tinham muito claro o que não queriam: a "terapia em praça pública", a exposição real do indivíduo real.

A solução encontrada foi recorrer ao formato de pseudodocumentário para borrar os limites entre verdade, mentira, realidade, literatura e ficção. O objetivo é refletir sobre o mundo do “scroll infinito”, marcado pela obsessão pelo real, mas também pelos filtros, pela veneração e pela mercantilização da imagem. "Nosso tempo é o mundo de Narciso do outro lado do espelho, em que nem o amor-próprio sobrevive à nossa devoção pela imagem (...). O reflexo virou o monstro e matou a vida real", define o epílogo da obra.

Chay Suede em 'A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay'

Divulgação/Flavia Canavarro

"Para mim, foi a melhor forma de tocar nos temas que queríamos abordar sem parecer panfletários ou piegas — e sem tirar o corpo fora, como se não fizéssemos parte da engrenagem que também é objeto da nossa crítica (...). Não deixo de fazer parte desse sistema, e nem acho bonito por causa disso. Colocar-se dentro da ficção de forma documental foi uma escolha muito consciente nossa", ressalta Chay.

O formato faz com que o espectador deixe o teatro com mais perguntas do que respostas, e ajuda a tornar cada sessão única. Chay conta que esse tem sido um dos aspectos mais enriquecedores da experiência nas apresentações até agora: "Até hoje as pessoas ainda riem e se emocionam em pontos inéditos. Perceber que cada plateia, e cada indivíduo dentro dela, carrega suas próprias experiências e possibilidades é fascinante. Cada pessoa se relaciona com o texto e com o que você oferece de maneira única".

"No fim das contas, a peça é uma para cada espectador. Talvez seja a maior descoberta da minha vida como ator", acrescenta.

Confira a entrevista completa:

Chay, sua carreira não é exatamente tradicional para um ator. Começou em programa de calouros, já fez novela teen, shows pelo Brasil, lançou disco, novela das nove, novela de época… O teatro sempre foi um sonho? E como você decidiu que agora era o momento de dar esse passo?

CHAY: Ser ator não era um sonho quando eu era criança. Então, consequentemente, o teatro também não. A forma como eu entrei nesse mundo da interpretação, da dramaturgia e do universo do ator foi exatamente como você falou: às avessas.

Comecei por meio de um programa de calouros, por uma grande coincidência. Eu estava trabalhando como “alienígena” com o meu pai — dava sustos no labirinto de terror que ele tinha. Estava de férias depois de passar na Universidade Federal e esperando o início das aulas. Por acaso, eu estava no Rio e, também por acaso, acontecia a última rodada de audições do Ídolos, muito perto de onde a gente estava trabalhando. Então, mesmo a minha entrada no mundo artístico foi de uma forma muito maluca e muito inesperada pra mim.

Eu queria, sim, trabalhar com arte, mas nunca me imaginei na frente das câmeras. Quando era adolescente, eu me imaginava atrás das câmeras, escrevendo como roteirista ou dirigindo. Também não pensava em ter uma carreira musical.

Eu tinha uma relação com a música e, por isso, meu pai me incentivou a me inscrever no Ídolos, muito pela ocasião: “já que a gente tá aqui... Pô, uma coisa dessa não acontece todo dia, né? A gente tá do lado de onde você pode fazer uma audição, vai que". Não era algo que eu estivesse batalhando ou buscando. Eu tinha outros planos, mas a vida foi me levando para esse lugar.

O sonho de me tornar ator veio depois que eu já tinha tido minha primeira experiência, em Rebelde.

Chay Suede em 'A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay'

Divulgação/Mayra Azzi

Mesmo durante Rebelde, eu ainda não achava que tinha encontrado o meu lugar, a minha profissão. Foi um pouco depois. E, assim que essa coisa bateu de verdade, que eu entendi que eu não ia conseguir viver sem ser um ator, aí sim eu passei a sonhar com tudo isso. Passei a sonhar em ser ator, em fazer teatro, em fazer cinema e em trabalhar com diretores de quem gosto. Esse sonho foi crescendo em mim. Não foi algo que surgiu, como costuma acontecer com muitos atores, ainda muito jovens.

Em geral, eles planejam e sonham com isso desde cedo e começam pelo teatro, com algumas exceções. No meu caso, foi diferente: o sonho foi crescendo conforme eu também fui aprendendo a sonhar em ser ator. A coisa foi meio ocasional.

Aproveitei as oportunidades que apareceram por muitos motivos, para além de simplesmente um compromisso com a profissão naquele momento. Esse compromisso foi crescendo conforme eu fui entendendo as possibilidades do que ser um ator traria pra minha vida, enquanto profundidade artística mesmo.

Quando comecei a trabalhar, eu não fazia ideia do que um ator realmente fazia. E, conforme fui descobrindo, fui me apaixonando e percebendo que não conseguiria mais viver sem interpretar.

No programa da peça, o espetáculo é descrito como “livremente inspirado em histórias reais e seguramente baseado em histórias irreais”. Vocês também chamam a obra de pseudodocumentário. Como chegaram a essa ideia? E o que esse formato abre de possibilidades de exploração ao ficar "em cima do muro" — no bom sentido — entre ficção e documentário?

CHAY: Acho que a escolha de fazer um pseudodocumentário — ou mesmo um mockumentary — passa por entender que o mockumentary, em si, também é um gênero de ficção. Não considero que seja ficar em cima do muro, porque, se fosse assim, teríamos que colocar uma série de obras belíssimas que trabalham nesse gênero nessa mesma categoria, e eu não acho que seja o caso.

Pelo contrário: é uma escolha muito definitiva trabalhar com um pseudodocumentário. Antes de qualquer coisa, é uma escolha arriscada — justamente o oposto de ficar em cima do muro. É trabalhar com elementos existentes da nossa vida e usá-los como palco para discutir assuntos seríssimos a partir desses fatos, podendo criar ficção em cima disso e borrar os limites entre verdade e mentira. Também borra os limites do que o público conhece sobre determinado artista e do que não conhece sobre esse universo. A partir desse palco — dessa cena montada, com bases reais — surgem possibilidades infinitas para a ficção acontecer. Então, desde o início, foi uma escolha muito acertada.

O Felipe trouxe a ideia de fazer um pseudodocumentário, e eu sempre gostei muito de mockumentary. Para mim, foi a melhor forma de tocar nos temas que queríamos abordar sem parecer panfletários ou piegas — e sem tirar o corpo fora, como se não fizéssemos parte da engrenagem que também é objeto da nossa crítica. Estamos criticando certas coisas, mas sabemos que fazemos parte da engrenagem do que vemos acontecer e do que queremos discutir. Nos distanciar disso, como se fôssemos meros espectadores desse mundo em ebulição, em ponto de terminar, desse mundo do “scroll infinito” de que falamos tanto na peça, talvez fosse, de fato, ficar em cima do muro.

Pelo contrário, a gente se coloca como objeto de manobra mesmo, objeto de engrenagem para então falar. Eu faço parte disso e, justamente por isso, consigo olhar para certas coisas e dizer: “vejo isso assim, assim e assim”. Não deixo de fazer parte desse sistema, e nem acho bonito por causa disso. Colocar-se dentro da ficção de forma documental foi uma escolha muito consciente nossa.

No programa do espetáculo, o Caetano Galindo diz que você já chegou sabendo que não queria seguir pela via mais simples nessa estreia no teatro.

CHAY: Também não queria ir pela via mais difícil. Na verdade, a ideia de fazer assim foi do Felipe. A princípio, eu não imaginava que ele fosse querer fazer um monólogo comigo, por exemplo, como minha primeira peça da vida. Não imaginei que ele se arriscaria assim, mas ele se arriscou. E, depois de mais de 50 peças de teatro, eu não poderia ser a pessoa a dar para trás — eu confio muito nele. Então, quando ele colocou na cabeça que o que faríamos seria um monólogo, encarei isso como ponto de partida e não questionei mais.

Chay Suede em 'A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay'

Divulgação/Flavia Canavarro

A partir daí, passamos a discutir que monólogo seria esse. Mas, se eu for sincero, não queria começar da forma mais difícil, como acabou sendo. Mas também entendo que esse acabou sendo o meu caminho — como todo o resto, como as outras coisas que também aconteceram na minha vida, um pouco de forma avessa ao que a gente pode imaginar cronologicamente na vida de um ator. E eu entendi que no teatro também não seria diferente.

Falando um pouco mais da sua experiência e da preparação para o espetáculo: como foi adaptar o seu trabalho do audiovisual — de novelas e cinema — para o teatro? Antes da estreia, em entrevista ao O Globo, você disse que se sentia como se estivesse reaprendendo a andar. E agora, como se sente?

CHAY: Essa sensação foi mudando. Logo no início dos ensaios, eu tinha a sensação de que havia pouquíssima experiência acumulada no meu trabalho no audiovisual que eu poderia aproveitar no teatro. Hoje, eu vejo que estava errado.

Muitas coisas vêm à tona — coisas que conquistei no audiovisual, no cinema, na televisão. Mas, no começo, o primeiro impacto de estar sozinho no palco, tendo que dar conta de um texto como esse, que é caudaloso, longo — são quase duas horas falando sozinho —, um texto quase machadiano, com tantas conexões e imagens difíceis de construir, me assustou. Achei realmente que precisaria aprender a andar de novo. Tive que engatinhar.

Mas, quando percebi, a gente já estava correndo. Vi que não seria um caminho tão distante do que eu já tinha feito. No começo, até um pouco antes da estreia, eu tinha a sensação de que estava começando do zero. Conforme a peça foi caminhando e a gente foi apresentando, isso mudou.

Chay Suede fala à CBN sobre sua estreia no teatro

Ontem [sábado, dia 14] foi a 25ª apresentação. Eu percebi que não, que as coisas que eu aprendi ao longo da minha vida estavam ali em mim e que eu estava fazendo uso delas o tempo inteiro — talvez sem enxergar, porque elas já fazem parte de mim, sou eu. Hoje, vejo que há muitas coisas da minha experiência no audiovisual que consegui aproveitar e outras que precisei construir do zero. Mas, a verdade é que eu sou um ator. No palco ou em qualquer lugar, continuo sendo um ator.

Claro que o teatro exige coisas muito específicas, que a TV e o cinema não exigem — e vice-versa. Mas essas ferramentas estão em mim, e boa parte delas eu tenho conseguido aproveitar.

Como tem sido lidar com o público no teatro? Porque, claro, uma novela das nove tem enorme repercussão, mas no teatro o público está ali na sua frente — rindo, chorando, reagindo. Como tem sido essa experiência?

CHAY: Incrível. Acho que essa é a coisa mais impressionante. E isso sim talvez seja a maior diferença de todas, sabe? Fazer um trabalho para um público que está reagindo ali, na sua frente, ao que você está fazendo, e que pode reagir de maneiras completamente diferentes dependendo do dia, da forma como você faz e também do dia daquela pessoa e daquela plateia.

Existe um momento em que a plateia parece virar uma espécie de organismo. As pessoas acabam achando graça das mesmas coisas, se emocionando com as mesmas coisas, quase respirando juntas. É muito incrível. Cada apresentação é uma experiência única.

Chay Suede em 'A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay'

Divulgação/Flavia Canavarro

Agora, aqui em São Paulo, estamos fazendo duas sessões por dia. Isso é muito louco, porque no mesmo dia a gente experimenta peças muito diferentes. Talvez seja a maior descoberta da minha vida como ator.

Lidar com as plateias e lidar com o que elas me oferecem contra a cena, como é um monólogo, a resposta muda a peça. E lidar com essas diferenças, com plateias muito envolvidas e atentas e outras nem tanto, tem construído coisas novas em mim como ator. Coisas preciosas, que vou levar para sempre, para tudo o que eu fizer.

Eu assisti no primeiro fim de semana e voltei ontem. Achei muito diferente a reação do público — quando ria, quando não ria...

CHAY: Muito diferente. Até hoje as pessoas ainda riem e se emocionam em pontos inéditos. Nessas 25 apresentações, por exemplo, em 24 delas ninguém tinha rido em um ponto específico da peça. Na 25ª, riram. Isso é uma loucura.

Eu não mudei tanto assim a forma de fazer. Claro que fui me apropriando mais do texto, e isso ainda vai acontecer até o fim da temporada. Mas perceber que cada plateia, e cada indivíduo dentro dela, carrega suas próprias experiências e possibilidades é fascinante.

Chay Suede fala à CBN sobre sua estreia no teatro

Cada pessoa se relaciona com o texto e com o que você oferece de maneira única. No fim das contas, a peça é uma para cada espectador. O que cada um leva dali, o quanto se envolve ou não, tem a ver com o universo daquela pessoa — e isso também passa a fazer parte da peça. E, sendo um pseudodocumentário, acho que isso se estende ainda mais para além de uma ficção convencional, porque surgem também as perguntas sobre os limites entre o que pode ser verdade e o que é mentira.

Você postou algo no Instagram esta semana e acabou dando um pequeno spoiler: recebeu a monumental Fernanda Montenegro no Rio. Pode contar um pouco do que ela te disse naquele encontro?

CHAY: A única coisa que não posso contar... Foi tão íntimo, tão particular. Ela depois me mandou muitos áudios também. Foi tudo muito bonito e o encontro com ela mudou um pouco a minha vida, mais uma vez. Ela me deu algumas certezas que, mesmo depois de anos de carreira, eu ainda precisava ouvir. Foi muito importante tudo o que ela me disse. Por isso prefiro não entrar em detalhes.

Fernanda Montenegro assiste à peça de Chay Suede

Reprodução/Redes sociais

Mas uma frase ficou muito na minha cabeça: ela disse que o ator é a “terceira margem de um rio”. Fiquei com isso na cabeça por muito tempo e passei a pensar muito sobre essa frase. Fui atrás do conto de Guimarães Rosa que inspira essa ideia. E essa frase ainda reverbera em mim até hoje. As outras coisas que ela me disse vão ficar guardadas só no meu coração.

Pegando um gancho de um tema que aparece na peça — essa relação entre vida privada e vida pública —, queria que você falasse um pouco da sua própria experiência. Não do Cavaleiro Roobertchay, mas do Roobertchay. Como você lida com o Roobertchay e o Chay Suede? Até onde eles se encontram ou se separam? Existe um limite claro entre um e outro?

CHAY: Essas coisas acabam se misturando de alguma forma, porque a minha vida pública começou quando eu ainda era muito novo. Eu tinha acabado de fazer 18 anos. Então cresci, dos 18 anos até hoje, publicamente, de certa maneira.

Muitas das minhas relações também foram públicas — amizades, namoros, meu casamento e o nascimento dos meus filhos. Mas é claro que existe um limite muito específico e visível para mim e para os meus. Talvez esse limite não seja tão claro para as outras pessoas, mas ele existe muito para mim.

Ao mesmo tempo, não gosto de distanciar demais quem eu sou como pessoa pública de quem eu sou como pessoa privada, porque acho que uma coisa literalmente alimenta a outra. Se eu separasse tudo com muito radicalismo, correria o risco que alguns artistas correm e acabam fazendo essa escolha: o de não alimentar esse “eu público” com realidade e substância. E isso é justamente o que eu não gostaria de ser: uma pessoa pública vazia de sentimentos, de humanidade, de possibilidades reais.

Então existe, sim, um limite de intimidade e particularidade. Mas tudo o que eu sou como pessoa pública também é abastecido pela minha pessoa privada. Essas duas coisas acabam muito misturadas. Eu não separo com tanto pragmatismo.

Queria saber um pouco sobre o processo de selecionar as histórias que entrariam na peça. Imagino que tenha sido até um pouco terapêutico.

CHAY: Foi um pouco. Mas a escolha do que entraria ou não foi completamente do Galindo e do Felipe. O que fizemos foi conversar muito. Acho que nossos primeiros encontros aconteceram até nessa sala aqui, no Cultura Artística.

Eu contei muitas coisas da minha vida, de diferentes momentos — desde quando era muito pequeno até hoje. Foram uns três encontros mais ou menos. Depois disso, o Felipe e o Galindo continuaram conversando entre si, escolhendo o que achavam interessante e o que não achavam tanto, até que o Galindo escreveu a peça. Depois o Felipe foi amarrando tudo, fazendo considerações e também escrevendo coisas. A peça nasceu a partir desses três encontros.

Chay Suede em 'A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay'

Divulgação/Mayra Azzi

Claro que, depois de receber o texto, conversamos bastante. Dei opiniões, algumas coisas saíram, outras entraram. Mas o que vemos hoje no palco também foi uma surpresa para mim — o que eles escolheram, o que acharam interessante, do que eles excluíram porque acharam que não era interessante e que eu considerava interessante.

Com o tempo, fui entendendo melhor para onde estávamos indo juntos. A peça foi se mostrando para nós. As coisas descartáveis ficavam visíveis, assim como as essenciais. A própria peça foi convencendo a gente do que deveria sair e do que deveria ficar.

Para terminar: o que vem a seguir? O que ainda está na sua lista?

CHAY: Muitas coisas. Tenho uma produtora com meus irmãos e vamos fazer nossa primeira ficção este ano, com episódios bem curtos para a internet. Além disso, tenho uma novela para fazer até janeiro do ano que vem. A partir de fevereiro começo um filme com o diretor José Villamarim, além de outros projetos que ainda estamos estudando. Mas, até janeiro, a novela vai ocupar bastante do meu tempo.

*Com colaboração de Amanda Mazzei e Karina Almeida

Serviço

‘A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay’, com Chay Suede

Temporada: 7 de março a 3 de maio

Local: Teatro Cultura Artística (Rua Nestor Pestana, 196 – Consolação, São Paulo - SP)

Horários: Sábados, 19h e 21h30 | Domingos, 17h e 19h30

Venda: Ticketmaster