ChatGPT, Gemini e Claude no Enem: prompts e dicas para usar a IA ao estudar

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Fonte da notícia: A Gazeta A Gazeta

Com o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) se aproximando, ferramentas gratuitas de inteligência artificial, como ChatGPT, Gemini e Claude, já fazem parte da rotina de estudos de boa parte dos candidatos. A promessa de dispor de uma "monitoria particular" disponível a qualquer hora, capaz de montar cronograma, explicar conteúdos e até ajudar na redação, é atrativa.

O resultado, porém, depende diretamente de como se usa a ferramenta. A reportagem de A Gazeta conversou com alguns especialistas sobre Enem, redação e inteligência artificial (IA) e traz as principais dicas e orientações neste conteúdo.

O problema começa quando o aluno trata a IA como gabarito, aceitando e acreditando em qualquer resposta, sem questionar. É aí que moram as pegadinhas, que podem atrapalhar a preparação ao invés de ajudar.

A tecnologia precisa ampliar a capacidade de pensar, e não substituir ou atrofiar o pensamento Ana Lúcia de Souza Lopes, professora doutora da Universidade Presbiteriana Mackenzie

O uso da tecnologia para avaliar os textos divide opiniões. Professora de redação e corretora oficial, Amariles Lima é contra o uso para avaliação.

“A IA não consegue identificar padrões próprios do ser humano, como a sutileza de argumentação e a ironia. Tentar ‘simular uma nota’ é se enganar”, alerta.

Por outro lado, o uso como apoio pedagógico prévio tem mostrado resultados. A professora doutora Rutinelli Favero, do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), defende o uso como diagnóstico, em especial como recurso para os alunos que não fazem cursinho. “A IA tem uma disponibilidade constante.

O aluno pode testar e refazer sem constrangimento”, avalia. A regra de ouro, segundo ela, é o aluno sempre escrever o próprio texto e usar a IA apenas para apontar falhas de estrutura, argumento e coesão.

Amariles reforça que as ferramentas servem para apontar caminhos pontuais, mas não pra escrever no lugar do aluno. "Quando eu falo pro meu aluno que ele precisa de elementos coesivos, a IA me ajuda a mostrar qual elemento pode entrar ali, e depois o aluno reescreve o parágrafo com as próprias palavras.

Assim, ele está se apropriando do conhecimento e o texto final é sempre dele". Quem já incorporou esse uso na rotina confirma o benefício. Dentro da rotina apertada de ensino médio e cursinho pré-vestibular, o estudante Henrique Loureiro enxerga na IA um apoio, aproveitando melhor o seu tempo de estudo.

"O ChatGPT me ajuda a entender e criar uma base melhor para, depois, escrever a redação. Defendo o uso das IAs, porque vejo muitos colegas que ainda não sabe muito bem como começar um texto, quais estratégias usar para se organizar e a ferramenta ajuda nisso", conta.

Mas para que a inteligência artificial forneça essa base útil sem fazer o trabalho pelo aluno, tudo depende de como o pedido é feito. A professora Rutinelli alerta que o sucesso da ferramenta está diretamente ligado à qualidade do comando digitado, ou seja, o prompt.

Para o professor doutor em Ciência da Computação e Inteligência Artifical Jairo de Moraes, não existe uma lista de prompts "mágicos". "O papel do prompt é dar contexto para a IA antes de perguntar.

O ideal é fazer uma formulação dentro do contexto que você quer e passar o máximo de informação possível", especifica. Como exemplos, o professor sugere que a solicitação exija rigor ou posicionamentos em determinados papéis que trarão um retorno bem mais exato pela IA.

Alguns exemplos seriam: Também ajuda nessa jornada pedir precisão, questionar as respostas e desenvolver uma ideia com as próprias palavras depois que a ferramenta responde.

"É muito importante o aluno dar o feedback pra o chatbot (robô do chat). Pode fazer um resuminho: 'Então quer dizer que isso funciona assim.

Tá correto?'. O modelo vai ler a sua resposta e vai lhe dizer se o seu raciocínio está de acordo", complementa Jairo.

O mesmo raciocínio vale pra matemática e lógica. Contextualizar o pedido (dizer a disciplina e o tópico e pedir resposta baseada só no método ensinado em sala) evita respostas genéricas puxadas da internet.

A dica de pedir para a IA resolver um cálculo explicando cada etapa, em vez de só entregar o resultado final, também facilita conferir onde errou e manter o rigor.  Como Jairo reforçou, pedir problemas sobre conteúdos mais densos ajuda e, para a prova do Enem, vale a pena enviar questões das testes antigos, sempre tentando resolver sozinho antes de comparar com a explicação da IA. 

Também é possível pedir um nível de resposta diferente, mais leigo ou mais técnico, dependendo de quanto o aluno já domina do assunto. Jairo reforça que o mito mais comum ao enviar prompts é o da cordialidade.

"Dar bom dia, boa tarde, ser mais gentil ou mais hostil com o prompt não vai fazer a mínima diferença. A orientação que você vai escrever é o que faz toda a diferença", esclarece.

E o segredo ainda está na especificidade da pergunta. Um erro sutil é perguntar de forma que já assume uma "resposta certa". Ou seja, se você pergunta à ferramenta de IA "qual brasileiro ganhou o prêmio Nobel de Física?", você parte de uma premissa que existe um brasileiro que ganhou o prêmio.

A chance de a IA responder com uma informação errada é muito maior.  O professor alega que o pior erro para um candidato é tratar qualquer resposta como verdade absoluta.

"Você pergunta alguma coisa, tira uma dúvida, pega aquilo como verdadeiro, não questiona, e passa adiante. Às vezes, até leva para o professor, mas ainda é terrível.

A IA erra, e erra bastante. É preciso ter muito senso crítico pra usá-la."

Na prática, ele recomenda adotar a ferramenta para validar ou completar algo que já se sabe, em vez de usá-la pra aprender do zero um assunto sem repertório nenhum pra desconfiar se a resposta está certa.

Publicação Original A Gazeta agazeta.com.br
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