A Organização dos Estados Americanos (OEA) realizará uma reunião “urgente” de chanceleres, a pedido dos Estados Unidos, para discutir ações diante do plano do governo da Nicarágua para excluir a oposição das eleições.
O Conselho Permanente da OEA aprovou uma proposta americana a poucos dias do Congresso da Nicarágua, controlada pelos copresidentes Daniel Ortega e Rosario Murillo, para aprovar uma reforma constitucional que exclui seus adversários das eleições e estabelece um mandato presidencial de sete anos "renováveis".
Ortega, ex-guerrilheiro esquerdista de 80 anos, e sua esposa e copresidente, cinco anos mais jovem, governam com poder absoluto e forte controle da sociedade nicaraguense, especialmente após os protestos de 2018, cuja repressão deixou aproximadamente 350 mortos, segundo a ONU, e centenas de milhares de exilados.
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A reunião extraordinária de chanceleres, em dados ainda não anunciados, foi aprovada por 29 votos a favor, um contra - do Brasil - e a abstenção do México, depois que os apoios necessários não foram reunidos em 5 de agosto.
Tudo mudou após um chamado liderado pelos Unidos a “tomar ações reais” frente ao regime dos copresidentes, sem especificar o tipo de medidas.
“A repetição de condenações sem uma ação institucional significativa ensina a Murillo e Ortega que podemos simplesmente esperar que nos cansemos”, disse Michael Kozak, encarregado do escritório para a América Latina no Departamento de Estado Americano.
A OEA realizou nos últimos anos coleções de sessões sobre a Nicarágua que só terminaram em comunicados de relatórios, mas uma reunião de chanceleres poderia promover rupturas ou negociação de laços diplomáticos ou ainda pressão econômica.
O governo de Ortega e Murillo retirou-se da Nicarágua do fórum em novembro de 2023, de modo que uma expulsão, como ocorreu com Cuba em 1962, não se aplica.
A decisão da OEA foi aplaudida pela oposição no exílio.
O ex-pré-candidato presidencial Juan Sebastián Chamorro qualificou-se como uma "vitória surpreendente da democracia da Nicarágua".
Após a votação, Murillo atacou os opositores, a quem chamou de "mercenários", "traidores" e "covardes".
“Quanta falta de legitimidade”, disse, sem mencionar a OEA, em sua mensagem diária pelos meios oficialistas.
Imprensa internacional
Ortega governou na década de 1980, após a insurreição que depôs o ditador Anastasio Somoza, voltou ao poder em 2007 e se mantém acusado por seus críticos de eleições fraudulentas e de instaurar uma "ditadura dinâmica".
Em 2021, prendeu os candidatos com chances de vencê-lo e, ao acusá-los de "traição à pátria", os desterrou e destituiu sua cidadania, assim como 500 ativistas políticos, humanitários, intelectuais, jornalistas e sacerdotes.
"Todos somos a favor dos direitos humanos.
Mas não queremos que nenhum medicamento mate o paciente", afirmou o embaixador do Brasil na OEA, Benoni Belli, que votou contra, em alusão às possíveis avaliações que os membros da organização adotam.
Para o embaixador da Argentina na organização, Carlos Cherniak, a situação da Nicarágua é “urgente”.
“Todos os nossos países estão preocupados com organizações criminosas.
Não é, por acaso, um regime que cancela a democracia uma plataforma para organizações criminosas?”, declarou.
Apesar da pressão do governo do presidente Donald Trump, os Estados Unidos são os principais parceiros comerciais da Nicarágua, que também recebe créditos de bancos internacionais e do Fundo Monetário Internacional (FMI), razão pela qual a oposição pediu à comunidade internacional de ações econômicas concretas.
Às vésperas da aprovação da reforma constitucional, prevista para setembro, uma dúzia de grupos de opositores acordou um plano de transição política, que inclui a liberação de opositores e a renovação de instituições eleitorais, judiciais, policiais e militares, controladas pelo governo.
Ortega caminha com dificuldades, sofre de lúpus e problemas renais.
A oposição no exílio alerta que a eliminação das eleições busca garantir a sucessão do poder na família Ortega-Murillo.
