O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou nesta segunda-feira que está "profundamente chocado" com a vitória histórica do partido de extrema direita AfD na Saxônia-Anhalt, uma derrota esmagadora para O seu partido, União Democrata Cristã (CDU), nas eleições regionais do estado. Embora não tenha alcançado a maioria absoluta, o AfD disparou para o primeiro lugar no domingo, segundo pesquisas de boca de urna, colocando a extrema-direita ao alcance do poder em nível estadual pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial. — Não esperávamos que as coisas terminassem assim — afirmou Merz durante coletiva de imprensa, acrescentando que trata-se de um "resultado eleitoral que não podemos simplesmente ignorar". Análise: Vitória da extrema direita em eleição regional na Alemanha envia sinal a capitais europeias Quer morar fora? Veja guia interativo com informações sobre 36 países Quer mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Merz admitiu "derrota eleitoral mais severa em anos ou décadas" para a CDU, que governa o país sob sua liderança e que até então controlava o governo regional, mas afirmou que "desistir não é uma opção" e que a Alemanha precisa de "reformas fundamentais".
— Tenho consciência da minha responsabilidade pessoal para com o nosso país. Estou determinado a fazer jus a essa responsabilidade — afirma, aparentemente descartando qualquer possibilidade de renunciar ao cargo, apesar da impopularidade.
Fundado em oposição à adoção do euro pela Alemanha, o AfD, um partido anti-imigração e pró-Rússia, obteve cerca de 44% dos votos, conquistando 39 cadeiras na câmara estadual, que tem 83 assentos, ficando a três cadeiras da maioria absoluta. O caminho para o partido alcançar a maioria necessária para governar tem de passar por uma coligação, potencialmente com o partido de esquerda Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), que deve conquistar cinco cadeiras. Agora, todas as atenções na Alemanha estão voltadas para o BSW, que já descartou apoiar Ulrich Siegmund, candidato do AfD para o cargo de governador do estado. Não descartou, no entanto, apoiar seu partido, com o qual políticos tradicionais juraram não colaborar. O partido populista também adota uma postura rigorosa em relação à imigração e apoia a importação de gás russo. — Este é um momento histórico para a nossa bela região. O povo demonstrou claramente que finalmente quer uma mudança política. E, acima de tudo, demonstrou que a quer conosco — comemorou Siegmund em entrevista à rede americana CNN. Siegmund, de 35 anos, já prometeu endurecer a política de imigração, eliminar a frequência escolar obrigatória e modificar o currículo de História nas escolas, que ele acredita estar muito focado na culpa da Alemanha do Terceiro Reich. Ex-vendedor com milhares de seguidores no TikTok: quem é Ulrich Siegmund, que liderou extrema direita em campanha histórica na Alemanha As eleições causaram um verdadeiro terremoto na Alemanha, um país onde a extrema-direita não governa nenhuma região desde 1945 e onde o sentimento de culpa pelos crimes do nazismo está profundamente enraizado. O triunfo da extrema-direita ocorre precisamente em uma região empobrecida do leste, onde o AfD soube tirar proveito do sentimento de nostalgia pelos anos da Alemanha Oriental comunista e do ressentimento em relação à persistente disparidade de riqueza com o oeste, décadas após a queda do Muro de Berlim em 1989. 'Extrema direita ganhando terreno' Internacionalmente, o resultado na Saxônia-Anhalt também gerou inúmeras reações, com vários países europeus se preparando para realizar eleições em breve, incluindo a Suécia em setembro próximo e a França, a Espanha e a Itália em 2027. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, alertou que a "ameaça da extrema-direita" está se espalhando pelo mundo. — É um alerta de que a ameaça da extrema direita, graças em grande parte à rendição da direita tradicional, está ganhando terreno na Europa e no mundo — disse Sánchez, um dos poucos líderes de esquerda na Europa, em uma reunião de seu partido em Madri. Morar na Alemanha: veja salários, custo de vida e o cartão que deixa o brasileiro procurar emprego por um ano no país Na França, onde o partido de extrema-direita Reunião Nacional (RN) lidera as pesquisas para as eleições presidenciais de abril de 2027, dois aliados do presidente Emmanuel Macron defenderam que partidos moderados de centro, esquerda e direita apoiem um único candidato capaz de derrotar Marine Le Pen. Em contraste, a vitória esmagadora do AfD foi celebrada pelos apoiadores do presidente americano, Donald Trump, nos Estados Unidos. Richard Grenell, ex-embaixador dos EUA na Alemanha durante o primeiro mandato de Trump, classificou os resultados como "uma grande vitória e um novo dia na Alemanha". Elon Musk também aplaudiu o sucesso do partido alemão, em resposta a uma publicação da co-líder nacional da AfD, Alice Weidel. No domingo, Trump publicou uma captura de tela dos resultados das eleições na Saxônia-Anhalt em sua plataforma Truth Social. O enviado presidencial russo, Kirill Dmitriev, então fez uma captura de tela da publicação de Trump e elogiou uma "vitória histórica para o pragmático AfD". Com AFP e New York Times
O Globo