Chanceler alemão afirma que país ajudará a garantir estabilidade de Ormuz 'após a paz'

 

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O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, anunciou nesta quinta-feira (9) que o país se comprometeu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ajudar a garantir a estabilidade do Estreito de Ormuz. Isso, entretanto, só virá 'após a paz'.

Em um comunicado na Chancelaria, em Berlim, Merz afirmou que Trump 'sabe que duas condições devem ser atendidas para a Alemanha: um mandato internacional, de preferência do Conselho de Segurança da ONU, e a aprovação do Bundestag (Parlamento alemão)'.

O Irã permitirá a passagem de no máximo 15 navios pelo Estreito de Ormuz por dia, informou a agência de notícia iraniana TASS, citando uma fonte de alto escalão do governo.

O Estreito de Ormuz está aberto à navegação e qualquer pessoa que se comunique com as autoridades iranianas terá permissão para passar. A afirmação é do governo do país, através do vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh.

Em um vídeo divulgado nesta quinta-feira (9) Khatibzadeh afirmou à rede britânica ITV News que existem 'restrições técnicas devido à zona de guerra' para navios que tentam passar.

'É por isso que todos os navios que desejam atravessar o Estreito de Ormuz precisam se comunicar com nosso exército e forças armadas', disse ele.

Segundo ele, essas restrições 'estão muito ligadas às condições de guerra e levam tempo para serem removidas'.

'Portanto, a passagem segura está garantida. O Estreito de Ormuz está aberto. Mas, é claro, cada petroleiro e cada embarcação deve fazer os arranjos necessários com as autoridades iranianas para poder atravessar o estreito com segurança'.

No entanto, as nações vizinhas contestam essa afirmação. O ministro da Indústria dos Emirados Árabes Unidos, Sultan Al Jaber, escreveu na rede social Linkedin que o momento 'exige clareza'.

'Portanto, sejamos claros: o Estreito de Ormuz não está aberto. O acesso está sendo restringido, condicionado e controlado'.

Ele pediu ao Irã que abra incondicionalmente o estreito, por onde passaram apenas cinco navios nessa quarta (8), segundo a empresa de análise de dados Kpler.

Em outra entrevista, Khatibzadeh criticou os Estados Unidos depois que, mesmo após o acordo de cessar-fogo, Israel atacou o Líbano e teve apoio americano.

Em entrevista à BBC, ele cita que não 'se pode pedir um cessar-fogo e depois aceitar os termos e condições, aceitar todas as áreas em que o cessar-fogo se aplica, e mencionar especificamente o Líbano, e então o seu aliado [Israel] simplesmente inicia um massacre'.

Ele acrescentou que os EUA 'devem escolher' se querem guerra ou paz.

'Eles não podem ter as duas coisas ao mesmo tempo. São mutuamente exclusivas, isso é bastante claro', completou.

Embaixador iraniano apaga postagem sobre chegada de delegação

Embaixador do Irã no Paquistão, Reza Amiri Moghadam.

Divulgação

O embaixador do Irã no Paquistão apagou uma publicação feita nas redes sociais em que afirmava que uma delegação iraniana chegaria a Islamabad, capital paquistanesa, na noite desta quinta-feira (9).

Segundo um funcionário da embaixada informou à AFP, a publicação foi feita 'prematuramente'.

O embaixador Reza Amiri Moghadam afirmou em uma publicação no X na manhã desta quinta-feira que uma delegação iraniana chegaria 'esta noite a Islamabad para conversas sérias com base em 10 pontos propostos pelo Irã'. A publicação foi apagada pouco depois.

Um funcionário da embaixada iraniana em Islamabad disse à AFP que a publicação foi removida 'devido a alguns problemas'. Ele disse que 'não era para termos enviado'.

A exclusão gera novas incertezas sobre o cronograma de chegada e até mesmo das reuniões de negociação. Anteriormente, tanto os EUA quanto o Irã tenham confirmado sua participação nas negociações de paz, mediadas pelo Paquistão em Islamabad.