247 – A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos após a derrota no segundo turno eleitoral para o presidente Lula (PT) e a publicação de um manifesto com teor golpista ganharam ampla repercussão em veículos de imprensa do exterior nesta quinta-feira (29). O itinerário do parlamentar rumo ao território norte-americano ocorreu de forma gradual.
Antes de aportar em Miami na quarta-feira (28), o ex-candidato à Presidência passou pela Argentina. Paralelamente ao deslocamento, Flávio divulgou uma carta contestando o processo eleitoral e autoproclamando-se “o verdadeiro presidente” do Brasil.
A manifestação por escrito passou por pelo menos três edições e virou pauta nos principais jornais do mundo. Nos Estados Unidos, o tradicional New York Times colocou a chegada do senador no centro da sua capa impressa desta quinta-feira.
Uma fotografia estampou a família do político descendo de um jatinho, acompanhada do texto: “candidato brasileiro derrotado desembarca nos Estados Unidos: Flávio Bolsonaro, que teve o passaporte cancelado, chegou a Miami com a família nesta quarta-feira”. Além da capa, o jornal nova-iorquino publicou uma reportagem detalhada sobre o voo e o documento no qual o parlamentar se autodeclara chefe do Executivo.
O veículo revelou que o Departamento de Estado norte-americano pretende conceder vistos para legalizar a entrada de Flávio e de seus familiares. O periódico advertiu que “a assistência do governo dos EUA a Flávio pode aumentar as tensões entre a administração Trump e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que acusou o presidente Trump de interferir nos assuntos internos de seu país”.
No Reino Unido, o The Guardian sublinhou a classificação dada pela imprensa brasileira ao texto: “golpista”. “O senador posteriormente apagou a carta e publicou uma nova, na qual, em vez de se autodenominar o ‘verdadeiro presidente’, descreveu-se como ‘o líder do Brasil’”, observou a publicação britânica.
O The Guardian apontou ainda a ausência de sustentação fática nas alegações de fraude e pontuou que o senador expressou gratidão ao presidente argentino, Javier Milei, “pela coragem, justiça e legalidade”, além de agradecer a Donald Trump e ao “maravilhoso povo americano que o acolheu”.
A agência internacional de notícias Reuters ressaltou em reportagem na quarta-feira que a apuração e a vitória de Lula receberam validação oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além do reconhecimento do próprio PL, partido da família Bolsonaro, de observadores internacionais e de chefes de Estado globais.
A agência destacou a posição das autoridades brasileiras: “a eleição no Brasil ocorreu em total conformidade com as exigências legais e constitucionais, disse o chefe da autoridade eleitoral, Kassio Nunes Marques, em um comunicado, sem fazer referência à carta de Bolsonaro”. Na América do Sul, o jornal argentino La Nación acompanhou minuciosamente os passos de Flávio durante a escala na Argentina e o posterior desembarque nos Estados Unidos, analisando as variações da carta e a simbologia utilizada.
A publicação resgatou comparações do senador com o venezuelano Juan Guaidó — que se proclamou presidente da Venezuela durante a crise com Nicolás Maduro — e com o francês Charles de Gaulle, líder do governo provisório pós-Segunda Guerra Mundial. O periódico argentino também dissecou o erro de símbolos cometido pela equipe do senador: a primeira versão exibia o brasão adotado na “Proclamação da República, em 1889”, vigente até 1968, “quando foi substituída durante a ditadura militar”.
Treze minutos após a postagem original, uma nova versão do manifesto foi divulgada com o brasão oficial e atual da República Federativa do Brasil.
Brasil 247