Cessar-fogo no Oriente Médio: guerra deixa mais de 1.600 mortos no Irã e 1.500 no Líbano; EUA têm 13 militares mortos, e Israel, 20
Pelo menos 1.665 civis foram mortos no Irã, incluindo 244 crianças, desde o início do conflito envolvendo forças iranianas, israelenses e americanas, número que coloca a crise humanitária no centro das negociações de cessar-fogo anunciadas nesta semana, segundo dados compilados pela Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos e reportados pelo The New York Times.
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Além das mortes no Irã, o conflito deixou um rastro de vítimas em outros países. No Líbano, mais de 1.500 pessoas morreram nos confrontos recentes entre Israel e o Hezbollah. Em países do Golfo, ataques atribuídos ao Irã causaram ao menos 32 mortes. Em Israel, o número chega a 20 mortos. Já os Estados Unidos registraram 13 militares mortos e centenas de feridos.
Cessar-fogo
Os Estados Unidos e o Irã anunciaram, na noite desta terça-feira (7), um cessar-fogo de duas semanas, pouco antes do prazo estipulado pelo presidente Donald Trump para que Teerã desbloqueasse o Estreito de Ormuz — uma das rotas mais estratégicas para o petróleo global — sob ameaça de consequências severas.
Na manhã desta quarta-feira (8), no entanto, havia dúvidas sobre a efetiva implementação do acordo. Novos ataques com mísseis e drones foram relatados em diferentes pontos do Golfo Pérsico, indicando possível falha na comunicação com comandantes locais iranianos, que operam sob um sistema descentralizado de decisões militares.
Apesar da incerteza no terreno, o anúncio do cessar-fogo teve impacto imediato nos mercados: o preço internacional do petróleo caiu cerca de 15%, para US$ 93 o barril. Ainda assim, permanecia indefinido se empresas de navegação considerariam o Estreito de Ormuz seguro para o tráfego comercial.
Após Trump afirmar que aceitara a proposta de cessar-fogo mediada pelo Paquistão, um funcionário americano declarou que os ataques dos EUA contra o Irã haviam sido interrompidos. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o país suspenderia suas “operações defensivas” e permitiria passagem segura pelo estreito durante duas semanas, desde que coordenada com suas forças armadas.
Mesmo assim, sinais de escalada persistiram. Sirenes soaram em Israel diante da aproximação de mísseis balísticos iranianos, enquanto Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos relataram novos ataques. No Bahrein, autoridades informaram incêndios após ações atribuídas ao Irã.
O histórico recente reforça o ceticismo. No ano passado, Israel e Irã continuaram trocando ataques mesmo após anunciarem uma trégua, o que levou Trump a criticar publicamente ambos os lados antes da efetiva redução das hostilidades.
Nesta quarta-feira, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acrescentou uma nova tensão ao afirmar que o cessar-fogo não se estende ao Líbano. Segundo ele, as operações contra o Hezbollah — apoiado pelo Irã — continuam e evoluíram para uma ofensiva terrestre no sul do país.
A declaração contraria o premiê do Paquistão, Shehbaz Sharif, que havia indicado que o acordo teria abrangência mais ampla.
O cessar-fogo deve abrir espaço para novas negociações. Trump afirmou que o período de duas semanas será usado para tentar consolidar um acordo de paz duradouro. Sharif convidou delegações dos EUA e do Irã para conversas em Islamabad, enquanto autoridades americanas disseram que negociações presenciais estão em discussão, embora ainda sem confirmação oficial.
Nos mercados financeiros, a reação foi imediata: o índice Nikkei 225, no Japão, subiu 5,4%, e as ações na Coreia do Sul avançaram quase 7%. Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 indicavam alta próxima de 3%.
A crise também provocou reações políticas e diplomáticas. O Papa Leão XIV criticou duramente a retórica de destruição total do Irã, classificando-a como “verdadeiramente inaceitável”. No Congresso americano, parlamentares de ambos os partidos apoiaram o cessar-fogo, mas democratas questionaram a legalidade da ação militar sem autorização legislativa.
