Cessar-fogo na Ucrânia teria envolvimento de tropas europeias e apoio militar dos EUA, diz jornal

 

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A proposta de cessar-fogo para a Ucrânia envolve diretamente os parceiros europeus do país, assim como um apoio dos Estados Unidos. O plano prevê o envolvimento progressivo de forças europeias e, em caso de violações repetidas, apoio militar direto dos EUA.

As informações são de uma reportagem do jornal Financial Times.

O plano começaria com o destacamento de uma força de dissuasão liderada pela Europa, apoiada por logística e inteligência dos EUA. Em caso de escalada, uma segunda fase seria acionada, envolvendo a Frente Popular da Ucrânia (Willing) e, por fim, uma resposta militar coordenada com participação direta dos EUA.

A ideia é, inicialmente, manter uma maior tranquilidade e distanciamento após um final da guerra. O envolvimento viria apenas em caso de necessidade.

Nessa madrugada, a Rússia lançou um grande ataque contra o território ucraniano, com cerca de 450 drones e 70 mísseis. A informação foi revelada pelo ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha.

'Nem os esforços diplomáticos previstos em Abu Dhabi esta semana, nem as promessas aos Estados Unidos impediram [a Rússia] de continuar a aterrorizar pessoas comuns no inverno mais rigoroso', escreveu ele nas redes sociais.

Rússia diz que divergências com Ucrânia diminuíram, mas que reunião de fim da guerra precisa ser em Moscou

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, e presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

Mikhail KLIMENTYEV, Thibault CAMUS / POOL / AFP

A Rússia afirmou nesta segunda-feira (2) que segue 'aberta a negociações' com a Ucrânia sobre a guerra. Segundo declaração do porta-voz do governo, Dmitry Peskov, houve progressos de algumas questões e as divergências diminuíram.

Apesar disso, ele defende que se trata um 'processo complexo e multifacetado'.

'Em algumas questões, fizemos progressos porque houve discussões e conversas. Em algumas questões, é mais fácil encontrar um terreno comum. Existem questões em que é mais difícil encontrar um consenso. Não é possível fazer nenhum progresso nessas áreas ainda', disse em uma coletiva de imprensa.

Ele completou comentando que uma negociação para o fim da guerra até pode acontecer. Porém, o presidente russo, Vladimir Putin, possui uma condição: a necessidade de ocorrerem em Moscou, capital da Rússia.

O porta-voz também afirma que o apelo do presidente francês, Emmanuel Macron, ao diálogo com Moscou 'é sensato, e nós o compartilhamos'.

Negociações entre Ucrânia, Rússia e EUA são adiadas e ficam para quarta-feira (4)

As negociações diretas entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos pelo fim da guerra serão retomadas na próxima quarta-feira (4) em Abu Dhabi. Os debates devem se estender até quinta-feira (5). O anúncio foi feito pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Inicialmente, estava previsto um encontro neste domingo (1º) em Abu Dhabi, que já recebeu nos dias 23 e 24 de janeiro um primeiro ciclo da negociação trilateral. Zelensky publicou nas redes sociais que a Ucrânia está preparada para uma discussão substancial e quer que o resultado os aproxime de um fim da guerra real e digno.

Apesar da retomada do diálogo, as tratativas seguem consideradas difíceis. Um dos principais entraves é a questão territorial, com a Rússia exigindo que as forças ucranianas se retirem de áreas da região de Donetsk ainda sob controle de Kiev.

Paralelamente às negociações em Abu Dhabi, houve movimentação diplomática nos Estados Unidos. O emissário econômico do Kremlin, Kirill Dmitriev, se reuniu na Flórida com o enviado especial americano Steve Witkoff, o secretário do Tesouro Scott Bessent e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.

Destruição na cidade de Kharkiv, na Ucrânia, após ataque com drones da Rússia.

Foto por SERGEY BOBOK / AFP