Cessar-fogo entre EUA e Irã: 'respiro de alívio, mas com a consciência de que não acabou', diz especialista
Representantes dos Estados Unidos e do Irã devem se reunir, na sexta-feira (10), no Paquistão para negociar um plano de paz definitivo. O convite foi feito pelo primeiro-ministro paquistanês, que intermediou o cessar-fogo de duas semanas fechado, nessa terça-feira (7), entre o presidente Donald Trump e o regime iraniano.
A editora-chefe do Observatório Político dos Estados Unidos e Pesquisadora de Pós-Doutorado da Universidade Federal de Uberlândia, Tatiana Teixeira, em entrevista aos âncoras Mílton Jung e Marcella Lourenzetto no Jornal da CBN, destaca o aspecto frágil do acordo e o risco de ruptura:
"O aspecto muito frágil desse cessar-fogo temporário, é o risco de ruptura. As divergências continuam no meio do caminho, o elefante não foi tirado da sala, ele continua ali, só que agora as pessoas entraram na sala para talvez olhar para ele. Foi um respiro de alívio, mas com a consciência de que não acabou, na verdade não está nem no início do processo, que tenha um desfecho que seja razoável para todas as partes envolvidas. Então, qualquer incidente pode romper o cessar-fogo, e corrompendo o cessar-fogo, a gente pode ver uma reativação doaescalada".
Tatiana Teixeira explica que é um acordo que envolve Estados Unidos e Irã. Nele, o Irã coloca suas condicionalidades, tendo apresentado um plano de dez pontos, sob mediação, principalmente, por parte do Paquistão e de forma mais suave, de Catar e Omã, visando facilitar essa negociação e evitar um colapso imediato na região:
"Um aspecto importante é que esse acordo, da forma como ele foi feito até agora, ele não envolve Israel. Então é um cessar-fogo que, na visão de Israel, não inclui o Hezbollah. (...) Então ele não é um cessar-fogo da guerra, mas ele se restringe a Estados Unidos e Irã, o que significa que a guerra regional continua ativa ali nos seus focos de sempre, existe esse alto risco de contaminação".
A trégua foi anunciada 90 minutos antes de expirar o prazo dado pelo presidente americano em que ele ameaçava “exterminar a civilização iraniana” se o Estreito de Ormuz não fosse reaberto.
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