Cerca de 160 pinguins-de-magalhães foram encontrados mortos em um só dia em praias de São Francisco do Sul, no Norte de Santa Catarina. O total registrado na segunda-feira passada supera em 33% a média histórica mensal para toda a região do estado, que é de 120 em outubro.
Enem 2026: Veja 10 temas que podem cair na Redação, segundo professores Dia dos Professores: Conheça profissionais que fazem a diferença na educação de jovens e adultos da EJA Os registros ocorreram nos trechos da Praia Grande e do Ervino. Juntos, eles correspondem a aproximadamente 26 quilômetros da faixa de areia. As informações são do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado pela Universidade da Região de Joinville (Univille).
Essa é uma espécie migratória que, durante o inverno, deixa colônias na Argentina, nas Ilhas Maldivas e no Chile. Atrás de alimento, as aves chegam às regiões Sul e Sudeste do Brasil.
Coordenadora local da equipe Univille que executa o PMP-BS, Jenyffer Vierheller aponta a chegada do El Niño como possível motivador do episódio.
— Entre os fatores que podem estar relacionados estão as condições oceanográficas e climáticas, incluindo a influência do fenômeno El Niño e a atuação das correntes marinhas. A dinâmica das correntes, especialmente a Corrente das Malvinas, pode contribuir para o deslocamento de carcaças que estavam à deriva no oceano até o litoral norte catarinense — afirma a pesquisadora.
Ela pondera, entretanto, que essas hipóteses precisam ser avaliadas em conjunto com outros fatores, como as condições de saúde dos animais e a disponibilidade de alimento.
O PMP-BS vem monitorando regularmente o litoral do estado desde 2015 e a quantidade de pinguins registrada em 2026 foi a maior de todo esse período. É o que destaca Andre Barreto, coordenador geral do projeto em Santa Catarina e no Paraná. — A cada ano fazemos análises dos registros dos animais e das condições ambientais para tentar entender os motivos que fazem os animais encalharem. Em 2026, parece que algumas mudanças nas correntes trouxeram mais pinguins para o nosso catarinense. Estes encalhes em outubro estão fora do padrão usual, pois o normal seria termos poucos nessa época.
O coordenador afirma ser necessário aguardar o fim de 2026 para juntar todos os dados, compilar as estatísticas oceanográficas para o período e comparar os resultados com anos anteriores. O país possui, desde 2023, uma Rede Brasileira de Atendimento a Encalhes e Informação de Pinguins (Repin). O grupo foi criado para promover o intercâmbio institucional, a cooperação técnica e o apoio à pesquisa, visando à conservação de pinguins-de-magalhães.
O que fazer ao encontrar um pinguim-de-magalhães na praia? Acione o PMP-BS/Univille pelos telefones 0800 642 3341 ou (47) 99212-9218 (número específico para os municípios de Itapoá, São Francisco do Sul, Bal. Barra do Sul e Araquari) e siga as orientações da equipe (envio de foto e localização exata). Não tente devolvê-lo ao mar; Afaste animais domésticos de perto do animal; Não tente alimentá-lo nem ofereça água; Não o coloque no gelo ou em piscinas, ele pode estar exausto e isso pode piorar o seu quadro de saúde. A realização do PMP-BS é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos.
O Globo