Cerca de 150 brasileiros querem deixar o Bahrein após escalada de ataques, diz embaixador
O Bahrein, no Golfo Pérsico, tem sido alvo de ataques em meio à escalada de tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
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Em entrevista ao Jornal da CBN, o embaixador do Brasil no Bahrein, Adriano Pucci, afirmou que diversas estruturas foram atingidas, entre elas três hotéis de redes internacionais, seis edifícios comerciais e residenciais, o aeroporto internacional, uma planta de dessalinização, além de um data center da Amazon e uma refinaria.
Segundo o embaixador, um base aérea do Bahrein, uma base militar e a principal base naval americana no país — que abriga cerca de nove mil soldados — foram atingidas logo no início do conflito.
Pucci explicou que território já recebeu mais de 300 projéteis, cerca de 100 mísseis e quase 200 drones. Há registro de duas mortes até o momento e nenhum brasileiro foi atingido.
"Recebemos mais de 300 projéteis aqui, mais 100 mísseis, quase 200 drones, totalizando 300. A taxa de interceptação aproximada é de 90% a 95%, mas qualquer drone que passa já é, por si só, grave. Tivemos dois mortos, 40 a 50 feridos até o momento e nenhum brasileiro, graças a Deus."
Cerca de 150 brasileiros no Bahrein querem deixar o país
De acordo com o embaixador, cerca de 300 brasileiros vivem atualmente no Bahrein, principalmente na capital, Manama. Desses, aproximadamente 150 manifestaram interesse em deixar o país. A comunidade brasileira no Bahrein é bastante diversa e representa diferentes perfis profissionais. Há jogadores de futebol, manicures, médicos, engenheiros e funcionários de empresas multinacionais.
"Aqui moram em torno de 300 brasileiros, aproximadamente 150 querem sair, e nós estamos trabalhando nessa facilitação. Uma particularidade do Bahrein é que ele é um arquipélago, então a situação aqui é mais difícil. O espaço aéreo segue fechado, e a única maneira de conectar o Bahrein com a Península Arábica, esta ilha, é por meio de uma ponte de 25 quilômetros, onde está o controle de imigração."
A população recebe alertas por meio de um aplicativo do governo, que aciona sirenes sempre que há risco de bombardeio. As autoridades orientaram os moradores a permanecerem em casa e evitarem deslocamentos desnecessários.
"O governo tem um app, um aplicativo, por meio do qual ele faz soar sirenes. Nós recebemos uma média de 30 ataques por dia, um pouco aleatórios, indiscriminados, tanto quanto aos alvos como em relação aos horários. O cenário na cidade é muito semelhante ao início do lockdown na pandemia de Covid. As ruas estão liberadas para a Defesa Civil, ambulâncias e polícia transitarem e atenderem aos chamados de emergência. Os brasileiros devem permanecer em suas casas, evitar quaisquer deslocamentos que não sejam indispensáveis."
