Cerca de 100 mil pessoas se deslocaram rumo a Ceuta após convocação nas redes sociais - QTU Questões do Universo

Cerca de 100 mil pessoas se deslocaram rumo a Ceuta após convocação nas redes sociais

Fonte: Bandeira da fonte

Cerca de 100 mil pessoas se deslocaram no Marrocos em direção à fronteira com Ceuta após convocações pelas redes sociais, segundo estimativas de entidades locais.

Ao menos 50 mil migrantes conseguiram atravessar para o enclave espanhol, desencadeando uma grave crise humanitária no norte da África.
O balanço oficial das autoridades indica ao menos 72 mortos, a maioria por afogamento ao tentar contornar as barreiras marítimas para alcançar o território europeu.

Organizações de direitos humanos criticaram a atuação do governo marroquino e acusaram o país de falhar na contenção do fluxo migratório.
A situação é especialmente crítica para centenas de adolescentes e menores de idade desacompanhados que permanecem em Ceuta.

Sem abrigo nem alimentação adequada, muitos jovens dormem ao relento e ocupam galpões abandonados em áreas industriais da cidade enquanto aguardam assistência.
Enquanto a Espanha reforça o patrulhamento e orienta a identificação de desaparecidos, milhares de pessoas já foram devolvidas ao território marroquino.
Inteligência espanhola acredita que entrada em massa de imigrantes teve ajuda de Marrocos, diz jornal
Os serviços de inteligência da Espanha acreditam que a entrada em massa de imigrantes em Ceuta vindos de Marrocos teve ajuda do governo marroquino.
Apesar de não terem planejado a ação, eles facilitaram a passagem, falharam em conter o fluxo de pessoas e ainda capitalizaram politicamente no caso.
A informação foi revelada pelo jornal El País, dizendo que a conclusão surgiu após análise da crise que pegou o governo espanhol de surpresa, devido ao foco no combate aos incêndios florestais no país.
Como não teve um planejamento para o episódio e sim um 'ato de oportunismo', a Espanha acredita que entre os motivos estariam a recente visita de Pedro Sánchez à Argélia, a nacionalização do povo saarauí (do Saara Ocidental) ou mesmo a rivalidade para sediar a final da Copa do Mundo de 2030.
Imigrantes entram em enclave espanhol na África, Ceuta.
Reprodução
O êxodo em massa teve origem em um boato disseminado pelas redes sociais e grupos de mensagens, após a recente decisão do Supremo Tribunal que confirmou que os migrantes que chegassem a Ceuta e Melilla nadando não poderiam ser deportados sumariamente, mas sim teriam seus processos analisados, assim como os que chegavam de barco.
Muitos jovens marroquinos acreditaram que entrariam na Espanha sem problemas e sem serem repatriados.
Embora as autoridades marroquinas tenham promovido essa mentira em 2021, permitindo a entrada de mais de 10 mil pessoas em Ceuta, e a tenham interrompido abruptamente em 2024, desta vez permitiram que continuasse.
Ao longo de julho, as entradas irregulares em Ceuta pelo mar aumentaram gradualmente.
O que começou como um pequeno fluxo virou uma entrada em massa na última semana.
Coincidindo com a celebração do Dia do Trono, um feriado em Marrocos, a vigilância fronteiriça marroquina foi reduzida ao mínimo, até ser completamente suspensa, permitindo a passagem das multidões.
O Departamento de Estado dos EUA descreveu o ocorrido como uma 'violação flagrante da soberania espanhola', culpando posteriormente a política de imigração do governo do premiê Pedro Sánchez.
O embaixador israelense na ONU chegou a chamar Ceuta de 'enclave colonial', uma declaração que teve de ser corrigida pela Embaixada de Israel em Madri.
Em carta aos chefes das instituições europeias , o presidente espanhol queixou-se da resposta 'egoísta, polarizadora e ilegal' de alguns países europeus, como a Itália, que anunciou a suspensão da livre circulação com a Espanha, e a Finlândia e a Dinamarca, que ameaçaram excluir a Espanha do Espaço Schengen.
Durante sua visita a Ceuta na última sexta-feira, Sánchez descreveu o fluxo maciço de marroquinos para Ceuta como um 'ataque e violação da integridade territorial da Espanha'.
Esta é a primeira vez na história democrática da Espanha que um chefe de governo usa termos que fazem referência direta ao Artigo 8º da Constituição, que lista as missões das Forças Armadas.
No entanto, diferentemente de 2021, o governo evitou apontar Marrocos como responsável por essa agressão, e o Ministério da Defesa não assumiu o comando das operações.
Em vez disso, se limitou a colocar cerca de 1,6 mil soldados da guarnição de Ceuta à disposição do Ministério do Interior para funções de vigilância e dissuasão.
Além disso, a Marinha mobilizou três lanchas de patrulha — uma oceânica e duas costeiras — que, entre outras tarefas, instalaram uma barreira de bóias flutuantes ao longo da fronteira marítima com Marrocos.