Cerâmica, pilates, ioga, desenho: crescem opções de atividades para quem quer desacelerar - QTU Questões do Universo

Cerâmica, pilates, ioga, desenho: crescem opções de atividades para quem quer desacelerar

Fonte: Bandeira da fonte

Numa cidade acostumada à pressa, desacelerar começa a virar uma escolha.
Não se trata apenas de encontrar um novo hobby, mas de recuperar um tempo que parecia perdido entre telas, notificações e compromissos: algumas horas para fazer algo com as próprias mãos, prestar atenção no próprio corpo, aprender, criar ou simplesmente estar.
Na Zona Sul, essa vontade de sair do automático vem dando forma a uma nova maneira de ocupar o tempo livre, com experiências que valorizam presença, concentração e encontro.
Celso Fonseca celebra a bossa nova em show: 'Aqui eu sou um anônimo célebre'
Terreno do Caiçaras vai a leilão: Clube teve autorização de uso renovada três meses antes de anúncio da venda por R$ 23,3 milhões
Foi observando o corpo moderno perder repertório de movimento que o bailarino e fisioterapeuta Rodrigo Fernandes criou, em Copacabana, o método Vértico Kinesis.
Ao longo de mais de 20 anos trabalhando entre a dança e a fisioterapia, ele passou a perceber um padrão recorrente entre os alunos: pessoas que caminhavam, treinavam e trabalhavam normalmente, mas já não conseguiam realizar movimentos que antes faziam sem pensar.
— A perda de mobilidade não chega como um evento.
Ela se instala devagar, num acúmulo de escolhas pequenas e repetidas, a cadeira em vez do chão, o carro em vez da caminhada, a tela em vez do corredor do prédio — destaca Fernandes.
Rodrigo Fernandes.
O bailarino e fisioterapeuta desenvolveu o método Vértico Kinesis e ministra aulas em Copacabana
Divulgação/Espaço Vértico
No Espaço Vértico, as aulas fogem de protocolos fixos.
Bolinhas de tênis, bastões, tecidos, rolos de EVA e outros objetos entram em cena para provocar novos estímulos no sistema nervoso e ampliar a percepção corporal.
— Quando o corpo percebe que não existe ameaça, a musculatura começa a liberar tensões que estavam ali há anos — diz.
Gabbiano: Restaurante tradicional da Barra comemora aniversário com uma semana de eventos e jantar a quatro mãos
Para Fernandes, o resultado mais importante não aparece necessariamente primeiro na estrutura física.
— O que vejo com mais consistência é a pessoa reconhecendo potencialidades que desconhecia em si mesma, saindo de um estado de alerta permanente e passando a confiar no próprio corpo — conta.
A proposta parte da ideia de devolver ao corpo um repertório de movimentos que costuma se perder ao longo da vida.
Agachar, girar, apoiar o peso nos braços, levantar do chão ou mudar de posição são gestos que a rotina adulta tende a restringir.
Nas aulas de mobilidade e função, a sequência muda a cada encontro para evitar que o movimento vire automatismo.
Pilates Reformer.
Aulas nas Bodytech de Copacabana, Leblon e Gávea
Divulgação/Bodytech
A mesma busca por um corpo que funcione melhor ajuda a explicar outra mudança visível na cidade com a expansão do pilates.
Durante anos associado principalmente à reabilitação, o método passou a ocupar espaço nas academias pelo fato de combinar fortalecimento, mobilidade, flexibilidade, equilíbrio, postura e consciência corporal com baixo impacto nas articulações.
Atividades em grupos: Ateliê da Barra une mapa astral e aquarela em vivência de autoconhecimento
Na Bodytech, o Pilates Reformer está disponível nas unidades de Copacabana, Leblon e Gávea.
As aulas coletivas têm 50 minutos e utilizam o equipamento formado por molas, alças e carrinho deslizante, que permite adaptar a intensidade a diferentes níveis de condicionamento.
— O sucesso do Pilates Reformer está diretamente ligado a uma mudança de mentalidade.
As pessoas estão cada vez mais preocupadas em investir em qualidade de vida, prevenção e longevidade.
O método oferece um trabalho completo, que fortalece a musculatura, melhora a mobilidade e contribui para o bem-estar físico e mental, respeitando os limites e as necessidades de cada aluno — explica Gabriela Marquez, professora da unidade da Gávea.
Para Daniel Guimarães, gerente nacional de Atividades Coletivas da Bodytech, a procura também reflete uma mudança na relação com as academias.
— O Pilates Reformer reúne características que o consumidor busca cada vez mais dentro das academias, uma experiência diferenciada, acompanhamento próximo e um trabalho que combina força, mobilidade e controle corporal — diz.
A experiência também conquistou quem não se adaptava ao treino convencional.
— Eu comecei a fazer Reformer Pilates porque queria uma atividade que trabalhasse o corpo de uma maneira mais completa, mas sem ser tão pesada para as articulações.
Para mim, fez diferença principalmente na questão da força e da estabilidade.
Sinto que tenho mais consciência do meu corpo e dos movimentos — conta Ana Paula Rocha, aluna da unidade de Copacabana.
Novidades gastronômicas: Chef Sei Shiroma reabre Ferro e Farinha em setembro e prepara inauguração do Suibi em Botafogo
The Simple Gym oferece duas modalidades de pilates
Divulgação/The Simple Gym
Na The Simple Gym, o pilates também ganhou uma metodologia própria e está disponível nas unidades de Gávea, Ipanema e Botafogo.
A experiência é dividida entre duas propostas.
A Sweat aposta em força, resistência e intensidade.
A Mind trabalha alongamento, mobilidade e respiração e termina com meditação guiada.
— O The Simple Pilates nasceu de um movimento que a gente já acompanhava lá fora, onde as aulas coletivas de reformer estavam super em alta, e da vontade de trazer esse formato para cá com a nossa identidade — explica Julia Coutinho, coordenadora de pilates da The Simple Gym.
A ideia, segundo ela, é permitir que a pessoa escolha o que precisa naquele dia.
— Às vezes quero sair acabada e suando, às vezes só quero alongar, desacelerar e relaxar — resume Marcela Coelho, aluna da unidade de Ipanema.
Não durou uma semana: placas do novo Rio Rotativo Digital são depredadas em Copacabana
Cerâmica para esquecer o celular
Enquanto o pilates responde ao desejo de se movimentar melhor, a cerâmica parece atender a outra necessidade: desacelerar pelas mãos.
No Soha Ateliê, no Jardim Botânico, Carla Pereira observa um comportamento que se repete entre os alunos.
Eles chegam olhando o celular e, duas horas depois, muitas vezes nem lembram onde o deixaram.
Soha Ateliê.
Aulas de cerâmica são administradas no Jardim Botânico
Divulgação/Soha Ateliê
Antes de criar o Soha, Carla trabalhava com fotografia de casamentos.
A rotina de longas jornadas fez com que encontrasse na cerâmica uma possibilidade de pausa.
— Eu encontrei na cerâmica paz, presença.
Durante a pandemia foi definitivamente o que me salvou — destaca.
O Soha nasceu como um espaço para curiosos, com uma proposta de experimentação e liberdade.
Para Carla, o barro tem uma característica que conversa diretamente com o desejo de desacelerar.
— O barro não responde à pressa.
É preciso sentir o material, respeitar seus limites, aceitar que nem tudo sai exatamente como imaginamos e entender que parte do processo está justamente no caminho — explica ela.
O espaço oferece aulas regulares e vivências para famílias, casais e grupos, além de eventos.
O ateliê é pet friendly, e quem o frequenta sempre encontra ali Torresmo, o cachorro mascote.
— Não é terapia, mas diria que é terapêutico.
Isso é algo que ouvimos diariamente dos alunos — relata.
Para Carla, a atividade também atende ao desejo de criar algo único em meio à tecnologia:
— Quem não quer se sentir singular num mundo imerso em tecnologia? O feito à mão tem um valor que a IA jamais vai substituir.
Cerâmica e vinhos no Estúdio CI, na Gávea
Divulgação/Estúdio CI
A procura por esse tipo de experiência também aparece no Estúdio CI, no Shopping da Gávea, que tem a cerâmica como ponto de partida para uma programação mais ampla.
Idealizado pela advogada Ciça Albuquerque, o espaço oferece aulas de modelagem e torno, pintura em cerâmica, experiências com vinho, encontros, celebrações e eventos corporativos.
— Quando comecei a trabalhar com a argila, percebi que havia ali algo que ia muito além de aprender uma técnica.
Existe hoje um desejo grande de experiências reais, de fazer com as próprias mãos, conviver, criar e sair um pouco dessa lógica em que tudo precisa ser rápido, produtivo ou digital — afirma, destacando que a ideia não foi criar apenas um ateliê.
— A cerâmica é o nosso ponto de partida, mas o que estamos construindo é uma experiência em torno do fazer, do encontro e da criatividade.
Criatividade vira refúgio
No mesmo Shopping da Gávea, a arte aparece por outro caminho.
A OBA — Oficina de Belas Artes abriu uma unidade no segundo piso com cursos de desenho e pintura para crianças, adolescentes e adultos.
A escola recebe desde alunos que nunca desenharam até quem pretende aperfeiçoar técnicas, montar portfólio ou se preparar para cursos superiores que exigem avaliação prática.
Há aulas de cartoon, desenho realista, mangá, histórias em quadrinhos, moda, comunicação visual, pintura em tela e preparação para o Teste de Habilidades Específicas.
A variedade de técnicas inclui grafite, lápis de cor, pastel seco, aguada de nanquim, aquarela e guache.
— Acreditamos que a arte é para todos.
Não é preciso chegar sabendo desenhar, nem ter a preocupação de produzir algo perfeito.
Muitas vezes, o desenho começa como curiosidade ou hobby e acaba se tornando aquele momento da semana em que a pessoa consegue desacelerar, se concentrar em si mesma, relaxar e simplesmente criar — afirma Thiago Rebelo, sócio da escola.
OBA — Oficina de Belas Artes tem oficina de desenho no Shopping da Gávea
Divulgação/OBA
Leonardo Souza, também sócio da OBA, resume a proposta de outra maneira.
— Mais do que ensinar técnicas, queremos despertar a criatividade, a confiança e o prazer de criar — diz.
A busca por desaceleração não se limita ao fazer manual.
Na Gávea, a professora de ioga Branca Messina criou a Corpo Portal, escola itinerante que pretende levar o curso de formação de professores para diferentes lugares.
O primeiro módulo começará em setembro, na Gávea.
— Muitas pessoas chegam até mim querendo silenciar a mente, mas eu costumo dizer que a gente não sai da mente pela mente.
A gente sai pelo corpo, pela respiração e pelo mantra — relata.
A proposta da escola é usar movimento, respiração e presença como ferramentas de pertencimento e regulação do sistema nervoso.
— Não se trata de performance, mas de escuta, de habitar o corpo e de lembrar quem se é — explica.
Branca Messina.
Professora abriu nova escola de formação em ioga
Divulgação/Corpo Portal
A ideia de levar a atividade para fora dos espaços convencionais também aparece em uma parceria entre a Bodytech Company e o Parque Bondinho Pão de Açúcar.
Aos sábados, antes da abertura oficial do parque, o projeto Bem-Estar no Parque Bondinho leva aulas de ioga, funcional, Mat Pilates e Wolffit para o Morro da Urca, combinando atividade física, natureza e uma experiência no ponto turístico.
As atividades começam às 7h30, com subida a partir das 7h.
Depois da aula, os participantes seguem para um café da manhã no restaurante Embaixada Carioca, no Morro da Urca.
A programação prevista inclui Wolffit no próximo sábado (29), ioga em 5 de setembro, funcional em 12 de setembro, Mat Pilates em 19 de setembro e novamente funcional em 26 de setembro.
— As pessoas buscam experiências que vão além do treino convencional.
Desenvolver esse projeto em parceria com o Parque Bondinho nos permite incentivar a prática de exercícios em um ambiente que valoriza a natureza e proporciona uma forma diferente de viver a cidade — afirma Alexandre Accioly, presidente do conselho da Bodytech Company.
O investimento (R$ 250 por pessoa) inclui a aula, o acesso ao parque no horário exclusivo e o café da manhã.
As vagas são limitadas.
Filosofia ganha novo endereço
Dupla.
Hanri Soares e Anderson Thives no Estúdio OFilosofo
Divulgação/Briefcom
Em São Conrado, a desaceleração ganha ainda outra linguagem.
O Estúdio OFilosofo_ + Anderson Thives abriu as portas na última terça-feira, no Fashion Mall, como um espaço dedicado ao pensamento, à criação e à experimentação cultural.
O projeto nasceu da página OFilosofo_, criada pela jornalista, comunicadora, psicanalista e filósofa Hanri Soares.
O espaço físico foi concebido para receber diferentes formatos de produção e encontro, com curadoria de Hanri e direção artística do artista multidisciplinar Anderson Thives.
— Mais do que um espaço físico, o Estúdio propõe uma experiência.
O ambiente foi concebido para estimular o diálogo, a produção artística e a circulação de ideias, reunindo diferentes linguagens em um cenário cuidadosamente planejado para múltiplos formatos de mídia — afirma Hanri.
Além de gravações de vídeos, podcasts e entrevistas, o local recebe encontros temáticos, rodas de conversa, jantares intimistas, degustações e experiências culturais que aproximem arte, comportamento e pensamento contemporâneo.
O espaço também funciona como uma galeria pop-up, com exposições temporárias de Thives e de artistas convidados.