CEO do BTG diz que nível de juros é 'irreal e desnecessário'
O CEO do BTG Pactual, Roberto Saloutti, afirmou que o atual nível da taxa básica de juros, hoje em 14,50%, é "irreal e desnecessário", e que esse é uma das principais causas para o "elevado custo de capital" para a indústria no país:
— Eu adoraria que o juro nominal fosse 7, 8%. Acham que banqueiro gosta de juros alto, mas não é. Você tem que ser muito mais conservador ao ofertar crédito. E o grande desafio como país é conciliarmos agendas de demandas sociais com a Taxa Selic, que é irreal e desnecessária — afirmou Saloutti em evento de comemoração ao Dia da Indústria, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), no centro da capital.
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O CEO do banco de investimentos afirmou ainda que a taxa básica está no atual patamar por conta da "expansão dos gastos públicos":
— Quando você tem gastos do governo crescendo 5, 6, 7% ao ano, precisa aumentar os juros para diminuir consumo e importações. E como você toma medidas para fiscais para o consumo subir, precisa subir os juros — associou ele à equação do PIB.
Saloutti disse que, independente de figuras políticas, a revisão dos gastos será necessária no próximo mandato presidencial:
— é o que queremos para o Brasil, independente de quem seja o presidente. Precisamos de consenso político para endereçar esse gargalo, que é o custo da Taxa Selic. Não adianta voluntarismo. Já vivemos isso — afirmou.
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Samuel Pessoa, economista do BTG Pactual e também presente ao evento, afirmou que a indexação do crescimento dos gastos públicos impõe restrições a queda do nível de juros:
— Se metade do orçamento está vinculado a crescer 4, 5% ao ano, o país tem desequilibro fiscal. Se não tiver clareza na direção do país, vai para juros, vai para expectativa de inflação. É ser muito "anti-povo" que o gasto primário suba no mesmo nível de crescimento da economia? — disse.
