CEO da United sugere possível fusão com rival American Airlines, diz agência
O diretor-executivo (CEO) da United Airlines Holdings, Scott Kirby, levantou a possibilidade de uma combinação com a American Airlines, segundo pessoas familiarizadas com as conversas — uma proposta ousada que enfrentaria intenso escrutínio até mesmo sob uma administração Trump favorável aos negócios.
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Kirby apresentou a ideia a altos funcionários do governo, embora não esteja claro se alguma proposta formal foi feita desde então ou se há um processo em andamento para explorar um acordo, segundo as fontes, que pediram anonimato por se tratar de conversas privadas.
Um porta-voz da United Airlines se recusou a comentar, assim como representantes da American Airlines.
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United e American estão entre as quatro maiores companhias aéreas dos EUA, controlando juntas mais de um terço do mercado. Uma combinação criaria a maior companhia aérea do planeta. Como resultado, qualquer fusão entre os dois gigantes da aviação levantaria sérias preocupações antitruste e provavelmente enfrentaria forte reação de consumidores, políticos e companhias aéreas rivais nos EUA.
CEO da United, Scott Kirby
Bloomberg
Ao mesmo tempo, as discussões mostram como a recente turbulência do mercado trouxe a possibilidade de consolidação à tona. Em memorando no mês passado, Kirby disse aos funcionários que a empresa se beneficiaria de qualquer reestruturação do setor diante da alta nos preços do petróleo e do combustível, potencialmente criando oportunidades de aquisição.
“Estaremos lá para adquirir alguns desses ativos, pode ser uma situação em que todos ganham”, disse Kirby em uma entrevista à Bloomberg Television em 24 de março, em Los Angeles. Questionado se isso significaria comprar empresas inteiras, ele respondeu: “vamos ver, há muitos rumores sobre isso”.
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Para Kirby, um acordo envolvendo a American Airlines também teria um aspecto pessoal. Ele foi anteriormente presidente da American, mas saiu depois que ficou claro que não teria caminho para se tornar CEO da companhia. Kirby ingressou na United como presidente em 2016 antes de assumir o cargo principal.
As duas empresas têm se envolvido em uma disputa estratégica contínua, especialmente no Aeroporto Internacional O’Hare, em Chicago, onde competem por acesso a portões de embarque e participação de mercado.
Kirby também criticou a American Airlines por ter demorado demais para expandir produtos premium, que se mostraram populares e lucrativos na United e na Delta Airlines.
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As considerações do CEO da United ocorrem enquanto as companhias aéreas enfrentam preços mais altos de combustível de aviação devido à guerra entre EUA e Irã e ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, uma passagem crucial para o transporte de petróleo.
Kirby já respondeu reduzindo parte da capacidade no mercado, dizendo que quer se preparar para possíveis aumentos de custos.
Fusões de companhias aéreas nos EUA precisam ser analisadas e aprovadas pelo Departamento de Transportes, bem como pelo Departamento de Justiça. O secretário de Transportes, Sean Duffy, disse que o governo avaliaria diversos fatores ao considerar possíveis fusões, incluindo o impacto na concorrência — tanto doméstica quanto global — e nos preços das passagens.
“O presidente Trump gosta de ver grandes negócios acontecerem”, disse Duffy à CNBC em 7 de abril. “Há espaço para algumas fusões no setor de aviação? Sim, acho que há.”
No entanto, Duffy acrescentou que não se comprometeria previamente com nada.
Ele também afirmou que, se houver uma fusão entre duas grandes companhias, elas terão que se desfazer de parte de seus ativos, já que os EUA não querem ver uma única empresa com participação de mercado excessiva, o que poderia elevar os preços para os consumidores.
A United tem um valor de mercado de cerca de US$ 31 bilhões, comparado a apenas US$ 7,4 bilhões da American. As ações da United caíram 15% neste ano, enquanto as da American tiveram desempenho pior, com queda de 27% desde o início de 2026.
As ações da American chegaram a subir até 11% no pós-mercado após a reportagem da Bloomberg News. Já as da United avançaram até 1,3%.
Com a American, sediada em Fort Worth, Texas, a United ganharia acesso à maior rede doméstica dos EUA — e encerraria a disputa territorial em Chicago entre as duas empresas.
Mas isso também ocorreria enquanto a American enfrenta uma série de desafios operacionais e estratégicos, desde a redução de cerca de US$ 35 bilhões em dívidas até a tentativa de reconquistar passageiros corporativos afastados por uma estratégia de marketing impopular — posteriormente revertida.
O CEO da American, Robert Isom, também está sob pressão de pilotos que o culpam por não conseguir reduzir a diferença em relação a concorrentes mais lucrativos, como Delta e United.
O setor aéreo dos EUA, como existe hoje, foi em grande parte moldado por consolidações, incluindo Delta com Northwest Airlines, United com Continental e American com US Airways.
Ainda assim, a história do setor também é marcada por acordos que não avançaram.
Em janeiro de 2025, a United negou estar em negociações com a JetBlue Airways. Uma aliança anterior entre JetBlue e American foi desfeita por ordem de um juiz federal por violar leis antitruste dos EUA. Um acordo separado da JetBlue para adquirir a Spirit Airlines também foi barrado por motivos antitruste.
