CEO da Aramco, maior petrolífera do mundo, faz alerta sobre 'consequências catastróficas' da guerra

 

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O CEO da Saudi Aramco, Amin Nasser, em seus primeiros comentários públicos desde que a guerra com o Irã afetou os embarques de energia do Oriente Médio, alertou que o impacto nos mercados globais de petróleo será “catastrófico” quanto mais tempo durar a interrupção do Estreito de Ormuz causada pelo conflito.

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O diretor-executivo da estatal saudita, que é a maior petrolífera do mundo em valor de mercado, reservas e produção de petróleo, disse que a Aramco pode desviar mais petróleo bruto para uma rota alternativa que evita o estreito de Ormuz. Ainda assim, a empresa não consegue exportar seus volumes normais devido a limitações de capacidade.

A Arábia Saudita está reduzindo a produção em até 2,5 milhões de barris por dia, juntando-se aos Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait no aprofundamento dos cortes. Nasser recusou-se a divulgar os níveis de produção, mas disse em uma teleconferência que a Aramco “não está utilizando por enquanto” algumas de suas variedades de petróleo mais pesado.

— Há consequências catastróficas para o mercado mundial de petróleo quanto mais tempo durar essa interrupção, e consequências cada vez mais drásticas para a economia global — afirmou Nasser. —Embora já tenhamos enfrentado interrupções no passado, esta é de longe a maior crise que a indústria de petróleo e gás da região já enfrentou.

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A Saudi Aramco está correndo para desviar o petróleo de sua rota habitual pelo Estreito de Ormuz em direção a Yanbu, na costa do Mar Vermelho. A empresa pode bombear até sete milhões de barris por dia por meio de um oleoduto para o oeste e deve elevar o fluxo a esse nível nos próximos dias, afirmou Amin Nasser.

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Cerca de dois milhões de barris por dia desse volume serão destinados a refinarias domésticas espalhadas pela costa do Mar Vermelho. A empresa ainda está exportando produtos refinados, como diesel, a partir de suas refinarias no oeste, acrescentou ele.

Instalações da Saudi Aramco: CEO disse que a empresa pode desviar mais petróleo bruto para uma rota alternativa que evita o Estreito de Ormuz

Bloomberg

A Aramco normalmente exporta cerca de sete milhões de barris de petróleo por dia. A maior parte das exportações atuais pelo oleoduto Leste-Oeste é do seu tipo mais abundante, o Arab Light, além de algum Extra Light, disse Nasser.

—Portanto, em certas áreas onde temos petróleo médio e pesado, não estamos utilizando por enquanto, porque temos capacidade suficiente para atender às nossas necessidades — afirmou.

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Segundo ele, a empresa está usando sua rede global, incluindo locais de armazenamento fora do reino, para atender à demanda do mercado.

A petroleira também foi forçada a fechar a maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita após um ataque de drone, e trabalha para reiniciar as operações, disse Nasser. Alguns outros campos de petróleo também foram alvo de ataques, de acordo com declarações do governo da Arábia Saudita.

Recompra de ações e dividendos

Nesta terça-feira, a Aramco anunciou seu primeiro plano de recompra de ações, no valor de US$ 3 bilhões. A empresa pretende recomprar até 350 milhões de ações ordinárias ao longo dos próximos 18 meses, a partir de março, e poderá mantê-las por até 10 anos.

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A recompra é pequena para uma empresa com valor de mercado de cerca de US$ 1,7 trilhão e reduziria ainda mais o já limitado volume de ações em circulação livre. A Aramco está recomprando ações em um momento em que seus papéis subiram quase 12% neste ano, embora ainda tenham ficado atrás de outras grandes petrolíferas globais, como a Shell e a Exxon Mobil.

A Aramco também está aumentando seu dividendo base para US$ 21,9 bilhões no trimestre encerrado em 31 de dezembro, um aumento de 3,5% em relação aos três meses anteriores. O pagamento maior beneficiará o governo saudita e o fundo soberano do país, que juntos possuem mais de 97% da empresa. O governo depende fortemente desses dividendos para financiar seu plano multitrilionário de diversificação econômica.

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O fluxo de caixa livre da empresa — recursos que sobram das operações após investimentos e despesas — subiu para US$ 27,5 bilhões no trimestre, cobrindo o valor total dos dividendos pelo segundo trimestre consecutivo, após um longo período em que isso não ocorria.

O lucro líquido ajustado no trimestre caiu 1,9%, para US$ 25,1 bilhões, em linha com a estimativa de analistas compilada pela Bloomberg.

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