Centro de atendimento a deportados e migrantes é inaugurado no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte
Repatriados e estrangeiros que chegarem ao Brasil por meio do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na região metropolitana, serão acolhidos, a partir de agora, pelo Centro de Referência em Direitos Humanos para Pessoas Repatriadas e Migrantes. O espaço foi inaugurado, nesta segunda-feira (09), em uma sala do terminal. A ação é desenvolvida conjuntamente pelo Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, pela Organização Internacional para as Migrações e com apoio da BH Airport, concessionária que administra o aeroporto.
Segundo a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, o centro foi pensado num contexto de deportações rotineiras de brasileiros pelo governo dos Estados Unidos. Conforme a pasta, entre fevereiro de 2025 e de 2026, foram deportadas ao Brasil mais 3.400 pessoas, sendo que 2.252 chegaram no Aeroporto de Confins, num total de 43 voos.
Repatriados e estrangeiros que chegarem ao Brasil serão acolhidos pelo Centro de Referência em Direitos Humanos para Pessoas Repatriadas e Migrantes
Ascom MDHC
A ministra ressalta que, na maior parte dos casos, os deportados chegam sem nada e, por isso, precisam de orientação e acolhimento.
"As pessoas, quando elas chegam aqui, muitas vezes elas chegam sem documentação, elas chegam com ativos no exterior, por exemplo, deixaram casa, mobiliário, inclusive dinheiro mesmo que auferiram no trabalho e muitas vezes elas chegam sem nenhuma referência. O que fazer? Onde procurar, qual que seria então o primeiro ponto onde ela pode ter esse apoio", afirmou.
O atendimento é realizado por uma equipe técnica especializada e com experiência em direitos humanos, polÃticas públicas, atendimento psicossocial e a migrantes e pessoas em situação de vulnerabilidade. O fluxo prevê acolhimento inicial, identificação de demandas imediatas, orientação sobre direitos e encaminhamentos articulados com a rede local.
O chefe da missão da Organização Internacional para as Migrações, Paulo Caputo, afirma que o objetivo é tratar esse público com dignidade numa situação de deportação ou de mudança forçada para o paÃs.
"É muito importante porque este centro vai oferecer acolhimento, orientação e apoio a gente que chega no Brasil em condição de vulnerabilidade. E é também uma poderosa resposta à situação internacional, porque reafirmamos aqui no Brasil que a dignidade e os direitos das pessoas, nós não podemos mexer com isso", disse.
Neste ano, entre janeiro e março, pelo menos oito voos com deportados dos Estados Unidos já pousaram no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte.
