Centenas de aviões de Israel bombardeiam Líbano e Irã “neste momento”, diz Exército
Centenas de aeronaves israelenses bombardearam simultaneamente alvos no Irã e no Líbano nesta segunda-feira (2), em mais um capítulo da rápida escalada militar no Oriente Médio iniciada no fim de semana. O anúncio foi feito pelo próprio Exército de Israel, que afirmou que a ofensiva ocorre “neste momento” e que o movimento libanês Hezbollah “pagará caro” por ataques realizados durante a madrugada.
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A porta-voz militar israelense, general Effie Defrin, disse em entrevista televisionada que a operação envolve uma mobilização aérea em grande escala.
— Neste momento, centenas de aviões da Força Aérea estão bombardeando simultaneamente o Líbano e o Irã — afirmou.
Segundo ela, o Hezbollah abriu fogo contra Israel durante a noite e tinha plena consciência das consequências. “Nós avisamos, e eles pagarão caro por isso”, acrescentou.
A nova ofensiva ocorre após dois dias de ataques intensos e retaliações que já provocaram centenas de mortes e danos em diversos países da região.
Escalada desde o fim de semana
No Irã, ao menos 555 pessoas morreram desde o início da ofensiva lançada no sábado por Estados Unidos e Israel, segundo informou nesta segunda-feira o Crescente Vermelho iraniano. De acordo com a entidade, os bombardeios atingiram dezenas de municípios em diferentes partes do país.
“Após os ataques terroristas sionistas-estadunidenses realizados em várias regiões do nosso país, 131 cidades foram afetadas até o momento e, lamentavelmente, 555 de nossos compatriotas morreram”, afirmou a organização humanitária em mensagem divulgada no Telegram.
A ofensiva inicial teve como objetivo atingir a cúpula do governo iraniano e pressionar por uma mudança de regime. Desde então, o conflito se espalhou rapidamente pelo Oriente Médio, com mísseis e drones atingindo instalações militares, aeroportos e infraestruturas civis em vários países.
No domingo, ataques e contra-ataques atingiram cidades do norte ao sul do Irã, incluindo áreas próximas às fronteiras com Armênia, Turquia e Paquistão, além da costa do Golfo Pérsico. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), um dos alvos foi o quartel-general da Guarda Revolucionária iraniana.
Em comunicado nas redes sociais, o comando afirmou que mais de mil alvos foram destruídos, incluindo centros de comando, bases militares e embarcações de guerra. O Centcom declarou ainda que a operação envolveu caças, aeronaves de reconhecimento, drones, sistemas antimísseis e bombardeiros.
Também no domingo, um bombardeio israelense destruiu uma base em Teerã usada por unidades responsáveis pela repressão a protestos. De acordo com a Força Aérea israelense, suas aeronaves operavam “livremente” sobre a capital iraniana.
Região em alerta
A resposta iraniana ampliou o alcance do conflito e atingiu países que tentavam se manter fora da disputa. Mísseis foram lançados contra posições associadas aos Estados Unidos no Catar e também contra alvos nos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Omã, país que vinha atuando como mediador entre Washington e Teerã.
O impacto foi imediato no tráfego aéreo internacional. Com o fechamento do espaço aéreo em boa parte do Golfo Pérsico, aeroportos estratégicos como Dubai, Abu Dhabi e Doha suspenderam voos por tempo indeterminado, afetando conexões em diversos continentes.
No mar, dezenas de petroleiros e navios de carga interromperam suas rotas nas proximidades do Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás transportados no mundo. Embora o Irã não tenha anunciado oficialmente o bloqueio da passagem, operadores marítimos relataram alertas atribuídos à Guarda Revolucionária advertindo embarcações a não transitarem pela área. Pelo menos quatro navios foram atingidos.
Empresas de navegação como MSC e Maersk anunciaram a suspensão temporária de operações na região. Representantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) disseram que pretendem elevar a produção a partir de abril para conter uma possível disparada no preço do barril.
Novos ataques e pressão diplomática
A escalada também provocou reações diplomáticas imediatas. A Arábia Saudita, que foi atingida por mísseis iranianos, convocou o embaixador do Irã para protestar contra os ataques e alertar para riscos à segurança regional. O governo saudita afirmou que tomará todas as medidas necessárias para proteger seu território.
Nos Emirados Árabes Unidos, onde três pessoas morreram, o governo anunciou o fechamento de sua embaixada em Teerã e convocou o embaixador iraniano.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores emiradense classificou os ataques como uma escalada grave e irresponsável, afirmando que a ofensiva atingiu áreas civis, incluindo aeroportos, portos e zonas residenciais.
Mortes em Israel
Em Israel, o domingo também foi marcado por ataques mortais. Na cidade de Beit Shmesh, na região central do país, nove pessoas morreram quando um míssil atingiu um abrigo instalado em uma sinagoga. Mais de 70 ficaram feridas.
Explosões também foram registradas em Tel Aviv e Jerusalém, deixando feridos e aumentando o clima de alerta nacional. A fronteira com o Líbano permanece em vigilância máxima diante da possibilidade de novas ações do Hezbollah, aliado do Irã.
O governo israelense fechou todos os pontos de entrada para a Faixa de Gaza e suspendeu voos no aeroporto Ben Gurion, principal do país. A aeronave utilizada pelo primeiro-ministro foi transferida para Berlim por precaução.
Em pronunciamento, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o objetivo da campanha militar é atingir “o coração de Teerã” e indicou que os combates devem se intensificar nos próximos dias.
Segundo ele, Israel convocou 100 mil reservistas, que se somarão aos 50 mil militares já mobilizados desde o início da guerra na Faixa de Gaza.
— Estamos envolvidos em uma campanha na qual as Forças de Defesa de Israel estão mobilizando toda a sua força como nunca antes, para garantir nossa existência e nosso futuro — declarou.
