Uma das grandes comediantes do país, a atriz Berta Loran terá o seu centenário de nascimento celebrado no lugar onde ela mais se sentia feliz: o teatro.
“Berta – Minha vida por um palco”, com texto de Miriam Halfim, sobrinha da atriz, e Marcelo Aquino, e direção de Ary Coslov, estreia em 4 de setembro, no Centro Cultural Justiça Federal.
A montagem revisita a trajetória de Berta, desde a infância em Varsóvia, na Polônia, até sua morte, aos 99 anos, em 2025, em Copacabana.
Aos 9 anos, ela chegou ao Brasil com os pais e cinco irmãos, fugindo da crescente perseguição nazista na Europa.
No Rio de Janeiro, a família se instalou em um sobrado na Praça Tiradentes.
Por incentivo do pai, alfaiate e ator, Berta entrou para o teatro ainda adolescente e construiu uma carreira de quase oito décadas.
Com mais de 2 mil personagens, Berta começou no teatro de revista, passou por dezenas de peças e conquistou o público brasileiro nos programas de humor da televisão.
Em Portugal, onde morou por seis anos, entre o fim dos anos 1950 e o início dos 1960, participou da peça “Fogo no Pandeiro” e alcançou grande sucesso.
Anos depois, a experiência no país inspirou uma de suas personagens mais conhecidas: a imigrante portuguesa Manuela D'Além Mar, de “Escolinha do Professor Raimundo”, marcada pelo sotaque carregado e pelo bordão "Manuela D'Além Mar, de Trás-os-Montes, sim senhoire!"
Em cena, Andrea Dantas, Alexandre Regis, Junior Vieira e Patrícia Pinho conduzem uma narrativa que combina comédia e crítica ao esquecimento cultural no Brasil.
Andrea e Patrícia dividem o papel de Berta em diferentes momentos de sua trajetória, além de interpretarem outros personagens.
Com humor ácido, o espetáculo também coloca em discussão a preservação da memória artística e histórica do país.
Como dramaturga, Miriam Halfim tem se destacado com obras que jogam luz sobre personalidades e episódios históricos.
Filha de um dos irmãos de Berta, a autora teve muito contato com a tia ao longo de sua vida.
"O palco deu a ela tudo o que ela quis.
Apesar de uma infância muito difícil, miserável, em Varsóvia, Berta escolheu viver com alegria.
Ela dizia que felicidade é uma escolha", lembra Miriam.
A proximidade de Miriam com a tia foi fundamental para a construção do espetáculo, ao lado da extensa pesquisa realizada por Marcelo Aquino, coautor do texto.
“Nós somos um país com um problema sério de preservação da memória.
Tem uma questão cultural com a memória, a gente apaga com muita rapidez muitos artistas”, declara o autor.
Para ele, a peça também contribui para manter vivo o legado de uma artista que abriu caminho para muitos humoristas, principalmente mulheres.
Nos bastidores, a montagem reúne um time de nomes experientes: Aurélio de Simoni assina a iluminação, enquanto Mauro Leite é responsável pelos figurinos.
A trilha sonora fica por conta de Ary Coslov e Marcelo Aquino, e a direção de produção é de Celso Lemos.
Juntos, os elementos ajudam a levar ao palco diferentes momentos da trajetória de Berta, mantendo viva a memória de uma artista que fez do teatro sua grande paixão.
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Berta – Minha Vida por um Palco
