Celebrado esta semana, carnaval brasileiro na África sobrevive há 200 anos: conheça

 

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Nesta segunda-feira, 6 de abril, a ilha de Lagos, na Nigéria, celebrou o Carnaval Fanti. Definido como um evento com raízes na história afro-brasileira, o festival celebra, há dois séculos, a memória e o legado de ex-escravos — e seus descendentes — do Brasil que retornaram para África no século XIX, principalmente para a cidade de Lagos — onde fica a ilha — a capital do país do oeste africano.

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O evento é tradicionalmente celebrado em abril, junto com as celebrações da Páscoa. De acordo com o site oficial do evento, o motivo é a “consonância com as tradições das festas católicas que as comunidades Aguda trouxeram do Brasil”.

De acordo com os produtos do evento, a partir de 1830, ex-escravos, majoritariamente de ascendência ioruba, das américas — principalmente do Brasil, mas também de Cuba e de outros países latinos — retornaram, assentando na ilha de Lagos, onde ficaram conhecidos como os Aguda.

Bairros foram criados: Popo Aguda, Olowogbowo, Lafiaji e o bairro de Campos Brasileiros. O crescimento dessa população foi tão vertiginoso e significativo que, em 1880, os Aguda já representavam 1/10 da população de Lagos.

“Acredita-se que o nome derive de fantasia, palavra portuguesa que significa traje ou vestimenta imaginativa”, dizem: “Enquanto a própria tradição da festa descende da Careta, uma forma afro-católica de performance de rua com máscaras que a Aguda conhecida no Brasil”

Exibição dos membros da banda de baile da Carreta

Reprodução/Instagram

(A Careta, nesse caso, remete à tradição dos caretas, de forte presença no Nordeste, em que pessoas fantasiadas saem às ruas “para se vingar de Judas” no Sábado de Aleluia).

Desta união entre a cultura brasileira, trazida pelos retornantes, e a tradição ioruba — presente na Nigéria — nasceu o Carnaval Fanti, que é separado, desde suas primeiras celebrações, em sete comunidade diferentes, intimamente ligadas a bairros que nasceram de assentamentos dos Aguda: Isale-Eko Woro, Olowogbowo, Okoo-Faji, Lafiaji, Okepopo, Movimento Juvenil Unido Epetedo e a Carreta dos Campos Brasileiros.

Desses, dois têm ligações íntimas com os ex-escravos que voltaram do brasil: a Carreta dos Campos Brasileiros e a Lafiaji.

'Foliões' da Carreta dos Campos Brasileiros

Reprodução/LAGOS FANTI CARNIVAL

A Carreta é um dos pilares fundadores da tradição Fanti. A comunidade tem origem na Praça de Campos, um dos locais com presença de retornados de Cuba e do Brasil “como Papa Ramon Campos, cujo legado permanece vivo no nome do distrito”, afirma o festival.

Utilizando o verde e o amarelo, prioritariamente, suas fantasias celebram a ligação entre a Nigéria e os ex-escravos que daqui voltaram.

'Foliões' da comunidade Lafiaji

Reprodução/LAGOS FANTI CARNIVAL

Já os Lafiaji têm origem no Bairro Brasileiro de Lagos, sendo outro pilar do movimento Fanti. Eles são reconhecidos como os “mestres” da tradição Careta na cidade.

“Conhecidos por sua presença marcante e imponente, seus grupos de vermelho e branco são famosos por suas coreografias sincronizadas e por seu compromisso em preservar o mistério mascarado e a energia contagiante que os retornados trouxeram do Atlântico”, diz o festival.

'Foliã' da comunidade Lafiaji

Reprodução/LAGOS FANTI CARNIVAL

O evento foi revivido pelo governo de Lagos em 2025 em um evento no qual a comissária estadual de Turismo, Artes e Cultura,Toke Benson-Awoyinka reafirmou o “compromisso com a preservação cultural e a revitalização da comunidade com o renascimento do Carnaval Fanti”.

No evento deste ano, que contou com a presença da esposa do governador do estado de Lagos, o vice-governador e o comissário de turismo, “Os diferentes grupos deslumbraram a multidão com carros alegóricos e apresentações que refletiam seus meios de subsistência e seu patrimônio cultural”, reporta a Agência de Notícias da Nigéria, NAN.