Cedae resgatou ao menos R$ 40 milhões de investimentos antes da liquidação do Master, mostram relatórios

 

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A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) conseguiu resgatar cerca de R$ 40 milhões aplicados em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição financeira, em novembro. As informações constam em relatórios internos da companhia obtidos pela CBN.

Os documentos indicam que o investimento foi realizado em outubro de 2023, em CDBs com liquidez diária, após análises internas de risco e com base em avaliações de crédito então favoráveis ao Banco Master. Em setembro de 2025, após o Banco Central rejeitar a tentativa de aquisição do banco pelo Banco Regional de Brasília (BRB) e diante do aumento do risco percebido, a Cedae solicitou o resgate integral da aplicação. A resposta do banco foi a apresentação de um plano de retirada parcelada dos recursos, o que já sinalizava dificuldades de liquidez.

Ainda segundo os relatórios, a Cedae conseguiu efetivar resgates parciais que somaram aproximadamente R$ 40 milhões. Em novembro, no entanto, o plano de retirada deixou de ser cumprido, caracterizando um calote. A parcela prevista era de R$ 10 milhões, que não foram pagos.

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Com a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, em 18 de novembro, a companhia passou a considerar a perda do valor remanescente aplicado. Um relatório financeiro aponta que, apenas naquele mês, houve o provisionamento contábil de R$ 222,6 milhões em razão da liquidação do banco.

O Banco Master está em liquidação extrajudicial desde novembro. No mesmo período, a Polícia Federal deflagrou uma investigação para apurar suspeitas de fraude, envolvendo a suposta emissão de créditos falsos e práticas de lavagem de dinheiro.

Nessa quarta-feira (04), o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro aprovou, de forma unânime, a abertura de uma investigação sobre os investimentos realizados pela Cedae no Banco Master em 2023. A apuração vai analisar as circunstâncias da aplicação, as decisões de gestão financeira e as medidas adotadas após o agravamento da situação da instituição financeira.

Em nota, a Cedae disse que "vai prestar todos os esclarecimentos requeridos pelo TCE. A Companhia informa que as aplicações seguiram rigorosamente as normas estabelecidas pela política de aplicações financeiras, compliance e governança. Os investimentos foram informados mensalmente aos Conselhos de Administração e Fiscal, Comitê de Auditoria e Diretoria Executiva".