Uma montanha pode ser muito mais do que apenas uma bonita paisagem. Ela pode ser cenário para uma escalada solitária, palco de um recorde, território de povos tradicionais ou até um alerta sobre os impactos da presença humana. É essa diversidade de histórias que o Rio Mountain Festival leva ao público em sua 21ª edição, de 28 de outubro a 1º de novembro, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ).
Cine Odeon, na Cinelândia, reabre este mês após mais de seis anos fechado 'Arquitetura é um lugar em que você vive; tem que pensar no uso', diz Elizabeth de Portzamparc Serão 32 filmes de esportes de aventura, natureza e cultura de montanha, sendo seis produções brasileiras. Entre os filmes brasileiros, “Tinha uma pedra no caminho”, de Larissa Corino e Pedro Rettore, mergulha nos bastidores de um dos grandes feitos do highline nacional: a travessia de 1.420 metros entre montanhas em Itatim, na Bahia. O documentário revela o trabalho de atletas, técnicos e colaboradores tornando possível a maior linha já montada no Brasil.
A montanha também aparece como território de cuidado e segurança em “Delírio Tropical – 30 anos do COSMO no Marumbi”, de Bruno Carvalho. O filme resgata a história do Corpo de Socorro em Montanha (COSMO), criado para atuar nos resgates e, principalmente, na prevenção de acidentes no complexo do Marumbi, no Paraná. Outro filme brasileiro que será exibido é “Um passo a mais”, de Rafael Duarte. Ele leva o público até o Everest acompanhando o montanhista Bernardo Fonseca em sua chegada ao cume. A expedição, porém, vai além da conquista. Ao longo do caminho, o filme chama atenção para o lixo deixado na região e para a responsabilidade dos próprios montanhistas na preservação. A programação também conta com filmes internacionais. Em “Framed”, de Bernardo Gimenez, o escalador Siebe Vanhee enfrenta uma escalada solitária enquanto acumula as funções de atleta, cinegrafista e narrador, registrando o próprio desgaste em selfies. Em paralelo, “L’Inutile”, de Antoine Mesnage, acompanha uma equipe de highliners na montagem de uma linha de 800 metros sobre o vazio, a mais de 4 mil metros de altitude, no maciço do MBlanc. E, em “Nanga Parbat: ecos de Sísifo”, de Tom Dauer, o montanhista e piloto de parapente David Göttler encara a jornada até o cume do Nanga Parbat, a 8.125 metros de altitude.
A programação também inclui exposição fotográfica, encontros com autores e o tradicional Concurso Fotográfico “Ar de Montanha”.
O Globo