Uma caverna turística na Catalunha, na Espanha, escondia 280 gravuras pré-históricas nas paredes, incluindo 55 representações de animais. Os desenhos podem ter mais de 19 mil anos e formam o maior conjunto desse tipo já encontrado na região.
A descoberta aconteceu na Cova de la Font Major, uma caverna frequentada há décadas por turistas, espeleólogos e exploradores. Mesmo com tanta gente passando pelo local, as figuras antigas continuavam praticamente invisíveis nas paredes.
O responsável pelo achado foi o arqueólogo Josep Maria Vergès, do Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social (IPHES). Tudo começou quando ele percebeu um grupo de visitantes saindo de uma abertura que levava a uma galeria lateral, até então desconhecida por ele.
Ao entrar, encontrou inscrições modernas, com nomes e datas registrados desde 1957. Foi quando decidiu examinar as paredes com mais atenção.
Usando a lanterna do capacete, direcionou a luz lateralmente para a rocha. A iluminação criou sombras nos pequenos sulcos e revelou marcas que não eram facilmente percebidas.
Primeiro apareceram linhas verticais aparentemente antigas. Depois, ao iluminar outra parede, Vergès identificou a figura de um cavalo.
O desenho tinha características da arte paleolítica. A descoberta foi apresentada em um estudo publicado na revista científica Antiquity, na quinta-feira (5).
Os pesquisadores identificaram 280 gravuras, sendo 55 representações de animais. Entre elas aparecem cavalos, ursos e veados.
Uma das imagens chamou atenção por mostrar uma corça, fêmea adulta do veado, com a cabeça inclinada em direção a uma fissura natural da parede. A pesquisadora Míriam Salas-Altès, doutoranda do IPHES, considera a possibilidade de que a abertura tenha sido aproveitada pelos artistas para representar água.
Se essa interpretação estiver correta, a figura poderá estar entre as representações mais antigas conhecidas de água na arte humana. Mas os animais não são os únicos elementos encontrados.
As paredes também apresentam linhas paralelas organizadas em grupos de até 40 traços, além de círculos, semicírculos e símbolos parecidos com a letra Y. O significado desses sinais ainda é desconhecido.
Os arqueólogos não conseguiram identificar um sistema que permita interpretar as mensagens. A equipe ainda enfrenta uma dificuldade importante: não foi possível datar diretamente os desenhos feitos na rocha.
Por isso, a estimativa de mais de 19 mil anos considera principalmente as características e o estilo das figuras. Os pesquisadores também encontraram evidências de presença humana na caverna entre 26 mil e 41 mil anos atrás.
Entretanto, esse intervalo corresponde à ocupação do local e não comprova quando as gravuras foram produzidas. O conjunto encontrado é considerado o maior da Catalunha e o terceiro maior do litoral mediterrâneo da Península Ibérica.
Antes desse achado, apenas duas representações paleolíticas eram conhecidas na Catalunha, segundo os pesquisadores. A maior concentração de arte paleolítica conhecida na região europeia está tradicionalmente associada à área franco-cantábrica, entre França e Espanha.
As novas gravuras apresentam diferenças em relação aos registros dessa área. Para os pesquisadores, essas características levantam a possibilidade de uma tradição artística mediterrânea própria, ainda pouco documentada.
A identificação dos símbolos e a determinação mais precisa da idade das figuras permanecem entre as questões abertas pela descoberta. Matéria elaborada com base em dados e informações de Revista Galileu.
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