Catar aciona ONU e cobra indenização do Irã por ataques, enquanto cessar-fogo é marcado por novos bombardeios no Golfo

 

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O governo do Catar notificou, nesta quarta-feira (8) formalmente a Organização das Nações Unidas (ONU) de que responsabiliza o Irã pelos ataques com drones e mísseis contra seu território na última semana, elevando o tom diplomático em meio a um cessar-fogo ainda instável no Golfo. Em duas cartas, Doha afirma que Teerã deve “indenizar o Estado do Catar por todos os danos sofridos”, segundo o New York Times.

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A medida ocorre no momento em que a trégua de duas semanas entre Irã e Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump, tenta abrir espaço para negociações de paz. Apesar do acordo, relatos de novos ataques no Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e no próprio Catar indicam que o cessar-fogo ainda não se consolidou no terreno.

Trégua sob pressão e danos crescentes

O entendimento prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de petróleo, e negociações mediadas pelo Paquistão. O Irã aceitou suspender temporariamente as hostilidades sob a condição de coordenação militar para garantir a passagem segura, enquanto Washington interrompeu suas operações.

Ainda assim, a sequência de ataques após o anúncio da trégua reforça a fragmentação do comando militar iraniano e a dificuldade de implementar um cessar-fogo imediato. Países do Golfo relataram danos a infraestruturas críticas, como instalações petrolíferas e usinas de energia, ampliando o impacto econômico regional.

No plano político, tanto Teerã quanto Washington tentam capitalizar o acordo. Autoridades iranianas classificam a trégua como uma “vitória”, enquanto Trump a descreveu como “total e completa”, afirmando que a questão nuclear será resolvida.

População entre alívio e desconfiança

Em Teerã, houve celebrações após o anúncio do cessar-fogo, mas o sentimento predominante é de cautela. Moradores relatam alívio temporário após semanas de bombardeios, embora temam uma retomada dos confrontos a qualquer momento.

A desconfiança é alimentada pelo histórico recente: rodadas anteriores de negociação foram seguidas por novas ofensivas. Ao mesmo tempo, os danos acumulados, com centenas de mortos e infraestrutura comprometida, aumentam a pressão interna por uma solução duradoura.

A iniciativa do Catar na ONU adiciona um novo elemento ao cenário, ao deslocar parte do conflito para o campo jurídico internacional. O gesto sinaliza que, mesmo diante da trégua, os países da região se preparam para disputas prolongadas — não apenas militares, mas também diplomáticas e financeiras.