Cassio Scapin, de 61 anos, vive uma semana marcada por grandes perdas.
Em um intervalo de menos de 24 horas, morreram suas colegas de ofício, as atrizes Laura Cardoso, aos 98 anos, e Glória Menezes, aos 91.
Além delas, o ator perdeu a mãe, Maria Aparecida de Souza Scapin, aos 88 anos, na terça-feira (18).
Em entrevista à Quem, durante a estreia do espetáculo do Cirque du Soleil, em São Paulo, o ator falou sobre o momento delicado e transformou a ocasião em uma homenagem às três.
Ao comentar a perda das veteranas, Cássio destacou que a partida delas representa o fim de uma geração importante para a dramaturgia brasileira.
"A importância dessas duas atrizes...
Aliás, não só dessas duas atrizes.
É uma geração, a gente tem que ficar muito atento, que é uma geração que está indo embora.
E é uma geração onde a gente bebeu pouco", frisou.
Glória Menezes e Laura Cardoso
Globo/Paulo Belote e Cedoc/TV Globo
O ator ressaltou ainda que teve o privilégio de conviver profissionalmente com essas grandes referências.
“Eu peguei essa geração trabalhando, eu tive possibilidade de conversar, de trocar com essa geração”, contou.
Cássio também defendeu que o legado deixado por artistas como Laura e Glória seja conhecido pelas novas gerações.
“Mas tem uma geração que não tem ideia da importância para a formação do ator e das questões que essas mulheres exploraram dentro das carreiras, de como elas foram artífices do seu trabalho.
Então, eu acho que o legado que elas deixam tem que ser explorado”, afirmou.
Cássio Scapin
Patrícia Devoraes/Brazil News
“A gente tem que correr atrás.
Moçada, corram atrás dessa geração.
Corram atrás para saber quem eram essas pessoas e qual era a importância e qual foi a importância dessas pessoas para a cultura da gente e para o teatro em geral”, ensinou.
Amigo das duas, Scapin ainda relembrou os últimos encontros com cada uma delas.
"Olha, com a Laura eu cruzei rapidamente num evento, numa estreia", conta.
Com Glória, a despedida foi mais longa: "A última vez que encontrei a Glória foi antes da pandemia, antes do Tarcísio [Meira] morrer.
A gente esteve num jantar juntos; eu fazia uma peça com o Tarcísio, que era O Fiel Camareiro, falamos um monte de coisa".
Cassio Scapin e Tarcísio Meira
Reprodução/Instagram
A ida ao espetáculo também ganhou um significado especial para Cássio Scapain por causa da relação de sua mãe com o universo circense.
“Hoje eu me dei ao luxo de vir ao circo.
Morreu a minha mãe, morreu a Dona Laura e morreu a Glória.
Então, eu era amigo das duas e, enfim, filho da Dona Cidinha, que partiu junto.
Então, ontem foi um dia muito pesado, muito bravo, e hoje eu me dei ao luxo, eu me dei o carinho, o afeto de vir ao circo para desanuviar a cabeça”, desabafou.
Ele explicou que decidiu assistir à apresentação também como uma forma de homenagear Maria Aparecida.
“Minha mãe adorava circo.
A gente tinha uma parente que era do circo, que andava na bola e fazia equilíbrio no rolo, enfim.
Era o circo do seu Arlindo Pimenta, da família Pimenta.
Então, é uma espécie de homenagem, assim, para minha mãe.
Eu decidi, falei: ‘Não, eu vou lá ver o circo’”, explicou.
Cássio também comentou sobre a relação de sua família com a arte circense e falou sobre uma habilidade que poucos conhecem.
“Na minha vida, quando eu era jovenzinho, quando eu fazia escola de arte dramática, tinha o Circo Piolin ali, a escola de circo.
Cheguei a fazer trapézio, eu era volante.
Então, há muitos anos não exerço mais essa pequena habilidade, esse pequeno aprendizado, mas é uma coisa que eu acho que ninguém sabe, pouca gente sabe”, revelou.
