Casos de estupro crescem 56% em Niterói em 2025, e tendência de alta continua
Os registros de estupro em Niterói cresceram de forma significativa no último ano. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que a cidade contabilizou 212 casos em 2025, contra 136 em 2024, uma alta de 56%. O aumento ocorre apesar de Niterói ter completado recentemente um ano sem registros de feminicídios. Os números mais recentes também indicam crescimento no início deste ano. Em janeiro de 2026, foram registrados 17 casos, enquanto no mesmo período de 2025 houve 13 ocorrências.
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O cenário de aumento nos registros de violência sexual na cidade ganha novo capítulo com um caso divulgado nesta semana pela Polícia Civil. Um homem foi preso nesta terça-feira (10) acusado de estuprar a própria enteada, de 16 anos. Segundo agentes da 78ª DP (Fonseca), o suspeito foi detido em flagrante após ir até a delegacia para tentar coagir a adolescente a não denunciar o crime.
De acordo com a investigação, o padrasto entrou no banheiro enquanto a jovem tomava banho e tocou nas partes íntimas dela. Ainda segundo a polícia, ele ameaçou a adolescente para que ela não contasse o que havia acontecido.
A Polícia Civil informou que as diligências começaram logo após o registro da ocorrência. A partir da oitiva especializada da vítima e do depoimento de testemunhas, os agentes confirmaram a prática do crime. A adolescente passou por atendimento médico-legal e recebeu apoio psicossocial. O acusado foi encaminhado ao sistema penitenciário e permanece à disposição da Justiça.
Contraste nos indicadores
Embora os registros de estupro tenham aumentado, Niterói apresentou melhora em outro indicador de violência contra a mulher. A cidade completou um ano sem feminicídios, segundo dados do ISP.
A prefeitura atribui o resultado à ampliação de políticas públicas de acolhimento e prevenção, com serviços como o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) Neuza Santos, no Centro, além de núcleos de atendimento em unidades de saúde e a Sala Lilás, voltada ao atendimento de vítimas que precisam realizar exames no Instituto Médico-Legal.
O tema também ganhou repercussão nacional nas últimas semanas após a divulgação de casos graves de violência sexual no estado, incluindo o estupro coletivo de uma adolescente no Rio de Janeiro, que provocou indignação e reacendeu o debate sobre prevenção, denúncia e proteção às vítimas.
Especialistas em segurança pública costumam destacar que os números de violência sexual também refletem o aumento das denúncias, incentivadas por campanhas de conscientização e pela ampliação das redes de acolhimento às vítimas.
