Caso Ryan: Polícia Civil de SP conclui que PMs agiram em legítima defesa

 

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Quinze meses depois da morte do menino Ryan da Silva Andrade Santos, de 4 anos, a Polícia Civil de São Paulo concluiu a investigação do caso. O inquérito, que tramita em segredo de Justiça, foi enviado ontem (2) à Justiça.

A investigação concluiu que os policiais envolvidos na morte agiram em legítima defesa ao trocar tiros com dois adolescentes em uma moto. Segundo o inquérito, um dos projéteis da PM bateu no chão, ricocheteou morro acima e atingiu Ryan, cerca de 70 metros à frente.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, os PMs não tinham como prever que o projétil poderia atingir o menino. O relatório final é assinado pelo delegado Thiago Nemi Bonametti, de Santos.

“O projétil que atingiu apresentava abaulamento e chegou com energia final reduzida, não transfixando seu pequeno corpo, revelando que a hipótese mais provável é mesmo que foi atingido após o projétil ricochetear mais abaixo na via (próximo ao local de confronto), o que revela a impossibilidade de que esse resultado fosse previsível aos militares que dispararam em legítima defesa”, diz trecho do relatório.

Nenhum dos sete agentes investigados foi indicado pela Polícia Civil. Agora, cabe ao Ministério Público decidir se denuncia os PMs envolvidos ou se arquiva o caso. Caso apresente denúncia à Justiça, os PMs se tornam réus.

Ryan foi morto em 5 de novembro de 2024 durante uma ação policial no Morro do São Bento, em Santos, no litoral de São Paulo. O jovem Gregory Ribeiro Vasconcelos, de 17 anos, um dos suspeitos de trocar tiros com os policiais, também morreu na ocasião.

O menino de 4 anos foi atingido por um disparo de uma espingarda Benelli M3, calibre 12, segundo o laudo balístico. Na noite da morte, de acordo com o Boletim de Ocorrência, a arma estava em posse do PM Clovis Damasceno de Carvalho Junior.

A família de Ryan nunca foi procurada pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) para falar sobre a morte — seja para prestar condolências, seja para oferecer ajuda, seja para esclarecer os fatos.

A defesa do PM Clovis Damasceno de Carvalho Junior não foi encontrada. O espaço permanece aberto para manifestação.

O caso foi investigado também pela Corregedoria da PM em um inquérito policial militar. O IPM foi concluído e remetido à Justiça Militar, que encaminhou o caso para a Justiça comum. Dos sete PMs, quatro estão desempenhando funções administrativas, segundo a Corregedoria.