Caso Rosalina segue longe de chegar a um ponto final: amiga e confidente, testemunha morreu em janeiro

 

Fonte:


Uma das principais testemunhas do processo que apura o assassinato da milionária portuguesa Rosalina Cardoso Ribeiro da Silva, de 74 anos, morta com dois tiros na noite de 7 de dezembro de 2009, em Saquarema, na Região dos Lagos, a cantora de fado lusitana Maria Alcina Pinto, de 86, morreu, de causas naturais, no último dia 28 de janeiro, em um hospital do Centro do Rio. Elas eram amigas e confidentes.

Prisão de Rodrigo Bacellar: Justiça mantém decisão após audiência de custódia no sábado

Fora da boca do povo: enquete perguntando quem é o governador do Rio termina sem acertos no Largo da Carioca

Mais de 16 anos após o crime, o advogado e ex-dirigente de um partido político de Portugal Domingos Duarte Lima, apontado como autor do homicídio pela polícia do Rio, ainda não foi submetido a um julgamento. Rosalina, que era sua cliente, foi encontrada morta hora depois de se encontrar com ele, que nega o crime.

Maria Alcina segura a foto da amiga Rosalina que foi assassinada

Wania Corredo / 06-08-2010

Maria Alcina foi a pessoa que registrou o desaparecimento da milionária na delegacia do Catete, a 9ª DP. Impressionada com um sonho que tivera, no qual a amiga aparecia gritando por socorro, a cantora procurou a polícia após ficar três dias sem receber notícias de Rosalina. No início do dia 7 de dezembro de 2009, as duas haviam conversado por telefone. Na ocasião, a cantora prometera almoçar com a também portuguesa no dia 8, antes que a conterrânea embarcasse de volta para Portugal. A viagem estava programada para 12 de dezembro.

— Costumava falar com Rosalina três vezes por dia. Ela disse que ia almoçar comigo. Liguei outras vezes no dia 7, mas não consegui falar com ela. Durante aquela noite, acordei com a sensação de que minha amiga estava gritando por socorro — contou a cantora ao EXTRA, em entrevista concedida em agosto de 2010.

Um amor proibido

O corpo de Rosalina foi encontrado por uma equipe de guardas municipais na manhã de 8 de dezembro de 2009, em uma espécie de cemitério de carros roubados, às margens de uma estrada que liga os distritos de Ponta Negra e Sampaio Corrêa, em Saquarema.

Local onde a vítima foi encontrada morta, em Saquarema, na Região dos Lagos

Marcos Nunes

Ex-secretária do milionário industrial Lúcio Tomé Feteira, que morreu em 2000, Rosalina teve um relacionamento com o patrão e viveu um amor proibido por 32 anos. Ela ganhou o direito de ficar com parte de uma herança em Portugal, e disputava com uma filha de Feteira, fruto de outro relacionamento dele, um espólio no Brasil que girava na casa de R$ 80 milhões. Entre outras coisas, a portuguesa era cotitular de contas bancárias espalhadas pelo mundo em nome do empresário Lúcio Tomé Feteira.

Processo foi enviado em 2016 a Portugal

Por decisão da Justiça brasileira, o processo foi remetido à Justiça Portuguesa em 2016, onde o caso será julgado. As autoridades judiciárias do país estariam aguardando a chegada de uma parte de alguns documentos, como mídias e peças processuais, para realizar o julgamento.

Procurada pela reportagem, a Procuradoria-Geral da República de Portugal informou ter solicitado agora o envio do processo físico, e o caso tramita no Tribunal Judicial de Sintra. Também procurado, o Conselho Superior de Magistratura de Portugal alegou que arquivos de imagem e de áudio mencionados no processo não foram enviados pelas autoridades brasileiras. Frisou ainda que a falta dessas peças estaria impedindo o avanço do processo para a fase de julgamento. Já a Procuradoria-Geral da República, em Brasília, afirmou que as peças solicitadas já foram remetidas.