O julgamento de Luis Felipe Magno Paraense da Costa, acusado de matar Priscyla Soares Gomes e alterar a cena do crime para simular um suicídio, foi encerrado sem sentença no fim da noite de quinta-feira (4), no Fórum Criminal de Belém. O juiz Cláudio Hernandes Silva Lima dissolveu o Conselho de Sentença e determinou a realização de uma perícia em vídeos e fotografias que teriam sido publicados em páginas do Instagram relacionadas ao caso.
Segundo o magistrado, o material, que não constava nos autos do processo, precisa ser analisado tecnicamente para preservar tanto os direitos da vítima quanto os do réu. Após a perícia, o laudo deverá ser incluído no processo e, somente então, um novo julgamento será realizado. Ainda não há data definida para a nova sessão do Tribunal do Júri.
Durante o julgamento, o juiz informou aos jurados que tomou conhecimento da existência de páginas no Instagram com imagens que mostrariam o corredor do apartamento onde Priscyla foi encontrada morta, no bairro do Mangueirão, em Belém. Diante da existência do novo material, a sessão foi encerrada antes que houvesse uma decisão do Conselho de Sentença.
O processo deverá aguardar a realização da perícia nas imagens, a elaboração do laudo e a inclusão do material nos autos antes da realização de um novo julgamento.
A imagem mostra Luis Felipe Magno Paraense da Costa durante o julgamento. (Foto: Divulgação)
O caso
Priscyla Soares Gomes, de 29 anos, foi encontrada morta dentro do apartamento onde morava, em fevereiro de 2023. Luis Felipe responde pela acusação de homicídio qualificado e fraude processual. Conforme a denúncia, a morte teria sido provocada por estrangulamento e, posteriormente, a cena teria sido alterada para sustentar a hipótese de suicídio.
O juiz chegou a ler durante a sessão a denúncia, que possui 65 páginas. No documento, consta que a causa da morte foi asfixia mecânica por estrangulamento. Segundo a acusação, Priscyla foi encontrada com um cabo de antena envolto em duas voltas no pescoço, sem nó. A denúncia também aponta lesões que indicariam a ocorrência de luta corporal entre a vítima e o agressor.
Depoimentos
Um médico legista ouvido durante o julgamento afirmou que Priscyla não cometeu suicídio. O profissional apresentou aos jurados elementos relacionados ao exame realizado no corpo da vítima.
O delegado responsável pela investigação também prestou depoimento e relatou ter visto imagens que, segundo ele, mostram Luis Felipe no local do crime.
A defesa apresentou, ainda, uma testemunha que afirmou manter uma relação de amizade e envolvimento afetivo com o réu havia cerca de cinco ou seis meses. Ela relatou que, na data do crime, Luis Felipe teria ido buscá-la no trabalho, em um shopping, e os dois teriam saído para lanchar. Depois, segundo o depoimento, seguiram para a casa dela, onde o acusado teria passado a noite e deixado o imóvel na manhã seguinte.
A testemunha foi apresentada como álibi de Luis Felipe e afirmou que estava com ele no período em que, segundo a acusação, Priscyla teria sido morta.
Prisão
Luis Felipe foi preso em São Paulo, em fevereiro de 2025, e permanece detido. Ele é acusado de homicídio qualificado pelas circunstâncias apontadas na denúncia, além de fraude processual pela suposta alteração da cena do crime para simular um suicídio.
O Liberal