Caso Padrinho Paulo Roberto: MP do Rio vai recorrer após decisão da Justiça de absolver religioso
A Promotoria de Justiça do Rio, junto à 11ª Vara Criminal da Capital, recorrerá da decisão proferida pela Justiça de absolver Paulo Roberto Silva e Souza, denunciado em 2025 por violação sexual mediante fraude e por abuso psicológico por sua ex-assistente, Jéssica Nascimento de Sousa. Nesta semana, juíza Renata Travassos Medina de Macedo absolveu o líder religioso das acusações. De acordo com a sentença, as provas colhidas apontam para um “relacionamento amoroso voluntário e recíproco”, e não para um crime de abuso. A defesa de Jéssica informou que também vai recorrer da decisão.
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Para a juíza Renata de Macedo, mensagens trocadas entre Paulo Roberto e Jéssica mostraram um teor “ afetuoso”. Já para a promotora Flávia Abido Alves, do MP do Rio, indicou no pedido de condenação de março deste ano que a materialidade e a autoria dos crimes foram comprovadas na audiência de 27 de janeiro e que teria ainda agravamento, já que o daimista era chefe da denunciante e porque além do vínculo laboral ele tinha relação de autoridade e poder sobre ela, que frequentava a igreja que Paulo presidia.
Na decisão desta semana, a juíza julgou a acusação do réu improcedente, determinando a absolvição, mas destacou que a absolvição proferida neste processo refere-se apenas às acusações feitas pela vítima Jéssica Nascimento de Sousa. Outras denúncias ou registros de ocorrência podem gerar novos inquéritos ou processos independentes, desde que não tenham prescrito ou sido julgados anteriormente.
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Mea-culpa em 2007
O GLOBO acompanhou o caso, ouviu os relatos de Jéssica e localizou outras cinco mulheres que disseram ter sido vítimas de situações semelhantes. Entre elas, a americana Maria del Castilho, que, em depoimento à polícia, relatou episódios de abuso sofridos, segundo ela, no Rio de Janeiro, em 2007.
Naquele mesmo ano, Paulo Roberto enviou a ela um longo e-mail admitindo desvios de conduta, citando arrependimento e culpa. “Quero lhe oferecer minhas sinceras desculpas por ter cruzado quaisquer limites pessoais. Sinto profundamente qualquer mal-entendido que eu possa ter causado e desejo apenas trazer um encerramento saudável e completo a este incidente (...) Este incidente foi uma armadilha do diabo e um teste de Deus, ambos em um só. Eu não a culpo por isso. Foi minha culpa. A responsabilidade é minha, não sua”, diz ele em parte do texto.
De acordo com a magistrada, os depoimentos de outras mulheres que afirmaram ter sido importunadas pelo réu no passado são “juridicamente irrelevantes” para este processo. A juíza observou que tais relatos surgiram com o intuito de corroborar a tese acusatória, mas não acrescentaram nada sobre a relação específica entre Jéssica e Paulo Roberto, que era o único objeto do julgamento.
Repercussão do caso
O caso teve grande repercussão nas instituições do Santo Daime no Brasil e nos Estados Unidos. O Centro Eclético Fluente Luz Universal Sebastião Mota de Melo, responsável pela igreja Céu do Mar, divulgou um comunicado confirmando o afastamento do líder religioso de suas funções. Já a Igreja do Culto Eclético da Fluente Luz Universal (maior instituição da doutrina Santo Daime no país) disse reconhecer o papel de destaque de Paulo Roberto no passado, mas, do ponto de vista ético, considerou “inaceitáveis suas possíveis condutas de abuso e importunação sexual”.
Nos Estados Unidos, o Centro Eclético de Fluente Luz Universal Rita Gregório de Melo — América Norte (Ceflurgem-AN), por sua vez, divulgou um comunicado suspendendo Paulo Roberto indefinidamente de todos os convites e permissões para visitar ou liderar obras em suas igrejas.
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