Caso Orelha: Software francês ajudou polícia a localizar suspeito no caso em Florianópolis
A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) utilizou um software francês de investigação forense para localizar o autor do ataque que levou à morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis. A informação consta no inquérito concluído nesta terça-feira (3), que reuniu provas técnicas, imagens de câmeras de segurança e depoimentos para esclarecer o crime.
Segundo a corporação, a ferramenta foi empregada para analisar a localização do responsável no momento do ataque. O software citado pela PCSC é o Mercure V4.2, desenvolvido pela empresa francesa Ockham Solutions/ChapsVision. A tecnologia é usada por órgãos de segurança em investigações forenses e inteligência policial e permite o cruzamento de grandes volumes de dados, como informações telefônicas, extrações de celulares, geolocalização e metadados.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, o recurso também possibilita a visualização de informações em mapas, gráficos e perfis de comunicação, o que auxilia na reconstrução de deslocamentos e conexões entre investigados.
Além do uso do software, os investigadores analisaram mais de mil horas de imagens, captadas por 14 equipamentos na região, ouviram 24 testemunhas e investigaram oito adolescentes suspeitos, segundo nota da corporação.
A apuração foi conduzida pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), ambas da Capital, com apoio de uma força-tarefa que envolveu as forças de segurança do Estado. Os procedimentos foram encaminhados para apreciação do Ministério Público e do Judiciário.
A Polícia Civil informou ainda que a extração e análise de dados de celulares apreendidos segue em andamento e pode reforçar provas já obtidas e trazer novas informações.
Caso Orelha
O cão comunitário Orelha foi atacado na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30, na Praia Brava, no Norte da Ilha. Laudos da Polícia Científica apontaram que o animal sofreu uma pancada contundente na cabeça, que pode ter sido provocada por um chute ou por algum objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa.
No dia seguinte, o cão foi resgatado por moradores e morreu em uma clínica veterinária em razão dos ferimentos.
Segundo a investigação, o adolescente apontado como autor do ataque saiu do condomínio às 5h25 e retornou às 5h58, acompanhado de uma amiga. Esse deslocamento foi considerado um ponto de contradição no depoimento, já que ele afirmou ter permanecido no condomínio, na piscina, e não sabia que havia imagens dele deixando o local.
Cão Orelha, assassinado em Florianópolis
Reprodução/Redes Sociais
Ainda conforme a corporação, o adolescente viajou para fora do Brasil no mesmo dia em que a Polícia Civil identificou os suspeitos e permaneceu no exterior até 29 de janeiro. Ao retornar, ele foi interceptado no aeroporto.
No momento da abordagem, um familiar teria tentado esconder um boné rosa e um moletom, peças consideradas importantes na investigação. A polícia informou que o familiar teria tentado justificar que o moletom foi comprado na viagem, mas o próprio adolescente admitiu que já possuía a peça e que ela foi utilizada no dia do crime.
A Polícia Civil afirmou que precisou evitar vazamentos durante a apuração, já que o adolescente estava fora do país e poderia fugir ou descartar elementos considerados relevantes, como o celular.
O inquérito foi concluído após o depoimento do adolescente nesta semana. Diante da gravidade do caso, a Polícia Civil informou que pediu à Justiça a internação do adolescente, medida equivalente à prisão no sistema adulto. Além disso, no caso Orelha, três adultos foram indiciados por coação a testemunha, segundo a corporação.
Em nota, a defesa do adolescente afirmou que ele foi indevidamente associado ao caso do cão Orelha e disse que as informações divulgadas até o momento seriam “elementos meramente circunstanciais”, que não constituem prova e não autorizariam conclusões definitivas. Os advogados também declararam que atuam de forma técnica e responsável, “orientada pela busca da verdade”, e criticaram a politização do caso, afirmando que a necessidade de apontar um culpado “a qualquer preço” tem inflamado a opinião pública.
Caso Caramelo
No caso do cachorro Caramelo, a Polícia Civil informou que quatro adolescentes foram representados por maus-tratos. A corporação não divulgou detalhes sobre a participação de cada um, e os dados dos envolvidos permanecem sob sigilo, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
