Caso Master: Toffoli reduz prazo para PF colher depoimentos de investigados

 

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Uma decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), reduziu de cinco para dois dias o prazo para a Polícia Federal colher os depoimentos dos investigados no caso Master. A medida, revelada pela jornalista Julia Duailibi, da TV Globo, gerou desconforto entre investigadores e peritos da PF, que veem a mudança como um obstáculo ao avanço das apurações.

Segundo delegados e peritos ouvidos pela reportagem, a redução do prazo limita o tempo disponível para ouvir investigados considerados centrais no inquérito e é considerada incomum em processos dessa natureza. Internamente, a avaliação é de que a decisão pode comprometer o desdobramento da investigação.

Além disso, outra determinação de Toffoli, tomada nesta semana, definiu os peritos responsáveis pela análise de todo o material apreendido na operação, incluindo celulares que estão sob custódia da Procuradoria-Geral da República (PGR). De acordo com investigadores, os aparelhos sequer estão com a Polícia Federal, o que, na avaliação da corporação, retira sua autonomia no processo.

PF alerta sobre riscos para investigação

Fontes da PF afirmam que, até o momento, os peritos designados ainda não tiveram acesso aos materiais apreendidos. Entre os nomes escolhidos pelo ministro há profissionais reconhecidos pela alta capacidade técnica e ampla experiência, mas que também não conseguiram iniciar os trabalhos.

Investigadores alertam que a demora pode colocar em risco toda a operação. A principal preocupação é com a extração de dados dos celulares, considerados fundamentais para o avanço das investigações. Segundo a PF, com o passar do tempo, alguns sistemas operacionais podem apagar informações automaticamente ou dificultar a recuperação dos dados.

Outro ponto levantado é a falta de clareza sobre o armazenamento dos aparelhos. A Polícia Federal afirma não saber exatamente onde os celulares estão, se permaneceram lacrados, se foram ligados ou se sofreram algum tipo de interferência externa. Caso um celular seja ligado, há o risco de o titular apagar dados remotamente.

Até agora, a única informação oficial é que os aparelhos apreendidos seguem sob custódia da PGR, por determinação do ministro Dias Toffoli. A PF recolheu notebooks e outros equipamentos eletrônicos, mas concentra sua maior preocupação em três celulares específicos: os de Daniel Vorcaro, do investidor Nelson Tanure e do cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel.

Apesar das críticas, investigadores reconhecem a qualificação técnica dos peritos nomeados por Toffoli. Um deles, inclusive, participou da criação de um software utilizado atualmente pela Polícia Federal para extração e transcrição de dados e áudios, ferramenta já empregada nas investigações da trama golpista.

A tecnologia utilizada pela PF é considerada uma das mais avançadas do país e permite, em alguns casos, acessar dados de celulares mesmo com os aparelhos desligados e sem necessidade de senha. Há expectativa de que os peritos tenham acesso aos aparelhos ainda nesta quarta-feira, o que não havia ocorrido até a última atualização. Os celulares seguem sob custódia da PGR.