Caso Master: Gleisi diz que Lewandowski avisou Lula que prestava ‘atividades privadas’ e ‘deve’ ter falado sobre banco

 

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A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta quarta-feira que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski informou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando foi convidado a assumir a pasta, em 2024, que prestava consultorias privadas e teria de se afastar ao assumir o cargo. Lewandowski foi membro de um conselho consultivo do Banco Master antes de ser ministro, e seu escritório de advocacia teve contrato com a instituição.

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Gleisi disse não ver impedimento nenhum na prestação do serviço por Lewandowski ao Master e lembrou que foi durante a gestão do ex-ministro que a Polícia Federal (PF) prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro e iniciou as investigações sobre o caso.

— Ele (Lewandowski) avisou (Lula) que prestava atividades privadas, econômicas, e que ele teria que se afastar. Não sei se ele (Lewandowski) falou exatamente do Master, ele falou: “Olha, tenho que me afastar de atividades”. Ele deve ter comentado, mas isso não era impeditivo. Por que seria impeditivo? — disse a ministra a jornalistas.

Gleisi também afirmou que vê um movimento da oposição para tentar atrelar o escândalo do Master ao governo Lula, mas que políticos de oposição precisarão prestar explicações sobre o caso.

— Fico me perguntando por que as pessoas ficam divulgando que o ministro teve (contrato com o Master). Qual é o crime de você ter um contrato como esse? O que que isso está influenciando nas apurações que o governo está fazendo? O presidente do Master (Vorcaro) foi preso na gestão do Lewandowski, que era o ministro da Justiça e estava no comando da Polícia Federal — afirmou a ministra, acrescentando:

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— O governo está atuando com toda autonomia e quer que todas as responsabilidades sejam apuradas. A maioria dos envolvidos nesse processo do Master, inclusive de contratos do Master com órgãos de previdência, envolvem a oposição.

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Gleisi citou os governos do Distrito Federal, que controla o BRB, banco estatal que tentou fazer uma aquisição de parte do Master antes da liquidação, e o do Rio de Janeiro, em alusão a fundos de pensão que alocaram investimentos no banco de Vorcaro.

— A oposição também tem que explicar porque que o cunhado do dono do banco (o pastor Fabiano Zettel) foi o maior doador individual da campanha do Bolsonaro e do Tarcísio (em 2022). Tem muito mais explicações para a oposição dar do que o governo. Quem tinha relação com o Banco Master eram eles. Isso está claro. Em relação ao ministro Lewandowski, nós estamos muito tranquilos assim como ele. Não há nada de irregular, nada de imoral, nada de ilegal. E volto a dizer, a Polícia Federal está agindo com rigor nesse caso — disse Gleisi.

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O pastor evangélico e investidor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, foi alvo de uma operação da PF deflagrada em 14 de janeiro. Ele chegou a ser detido no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando se preparava para embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, mas foi liberado em seguida. Seu celular foi apreendido pelos agentes.

Zettel é advogado e presidente da Moriah Asset, fundo de private equity voltado a investimentos no setor de bem-estar. Ele foi o principal doador das campanhas eleitorais de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo e de Jair Bolsonaro à presidência em 2022, tendo doado R$ 2 milhões e R$ 3 milhões para os candidatos, respectivamente.

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