Caso Master deve ter ‘corrida por delações’ que ameaçam Congresso e Judiciário, analisa especialista

 

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Na última quinta-feira (19), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro do Presídio Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal. O movimento é visto como o primeiro passo em direção a um possível acordo de delação premiada com investigadores da Polícia Federal e integrantes da Procuradoria Geral da República.

O ex-banqueiro ainda está na fase inicial da negociação, e apresenta uma proposta de colaboração, com um relato preliminar do que pode falar e nomes envolvidos.

Para entender melhor quais são os próximos passos do caminho à delação premiada, o Estúdio CBN recebeu nesta sexta-feira (20) Cláudio Couto, Cientista Político da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, que esmiuçou como funciona essa nova etapa da investigação do Caso Master.

O cientista político alertou que o momento pode deflagrar uma 'corrida' por delações, similar à lógica vista na Operação Lava-jato: quem delata primeiro obtém vantagens. Com o passar do tempo e o aumento no número de acordos, o ineditismo das informações que podem ser delatadas fica comprometido. Assim, muitos podem pensar ‘antes eles do que eu’, buscando garantir os benefícios da delação premiada.

‘O delator entrega os seus comparsas, entrega aqueles com quem fez negócio para tentar minimizar os danos sobre si. Então, eu imagino, que a gente deve ter sim uma correria’, afirmou Couto.

Para a delação avançar, Vorcaro precisa apresentar evidências que conectem a provas ou informações úteis que levem à obtenção de provas. Apesar de muitas delas já terem sido coletadas nos celulares apreendidos, o especialista acredita que ainda é possível Vorcaro trazer novas revelações para o caso:

‘Ele pode ter uma contabilidade paralela, uma operação que foi feita por meio de um banco, de uma instituição financeira… Há uma série de documentos que podem aparecer, há muita coisa que para além do celular. E ele pode dizer, por exemplo, onde essas coisas estão, onde certos acordos foram feitos, como certas transações acabaram acontecendo. E, consequentemente, produzir mais provas.’

Ainda há um problema de magnitude maior, segundo o especialista. Como ressaltou durante a entrevista, Vorcaro será julgado no Supremo, e pode ter interesse em não delatar membros da Corte para não ‘cutucar a onça com vara curta’.

‘Eu fico me perguntando se, na delação premiada, ele teria algum interesse em delatar também membros do Supremo, sabendo ele que vai ser julgado no Supremo. Aí existe um problema de uma ainda maior’.

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