Caso Master: aliado do governo, Renan diz que vai enviar a Lula perguntas sobre reunião fora da agenda com Vorcaro

 

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O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou nesta quarta-feira que pretende enviar perguntas por escrito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a reunião fora da agenda oficial com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Durante a reunião da comissão, Renan se referiu às pessoas que participaram do encontro com o banqueiro no Palácio do Planalto e afirmou que todos podem ser chamados a colaborar com a apuração do Senado.

— Todos que estiveram na reunião podem colaborar com essa comissão. Ao presidente da República nós pretendemos fazer por escrito algumas perguntas sobre o fato, se ele puder nos responder, ótimo — disse o senador.

O caso envolve visitas de Vorcaro ao Palácio do Planalto que não constaram na agenda oficial do governo. Conforme revelado pelo colunista do GLOBO Lauro Jardim, o dono do Banco Master se reuniu com Lula em dezembro de 2024 de em um encontro intermediado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. A reunião não aparece nos registros oficiais da Presidência nem nos controles de entrada do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Na semana passada, o ministro Fernando Haddad (Fazenda) afirmou que Lula recebeu Vorcaro quando não havia “indícios de crime” e que disse ao banqueiro que a decisão do Banco Central sobre a instituição financeira seria “técnica”. O Master teve a liquidação decretada pelo BC em novembro de 2025.

Outras idas ao Planalto

Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que Vorcaro esteve no Planalto em outras três ocasiões entre 2023 e 2024 — em 4 de dezembro de 2023, 1º de março de 2024 e 3 de abril de 2024. As visitas também não foram registradas nas agendas oficiais. O pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, esteve no local em 6 de novembro de 2024, em horário igualmente fora dos registros públicos.

Procurado, o Palácio do Planalto afirmou que Daniel e Henrique Vorcaro não foram recebidos no gabinete do presidente Lula ou por ministros no Palácio do Planalto, nas datas das visitas registradas pelo GSI. Em nota, o governo declarou que, à época, não havia denúncias formais de irregularidades contra os controladores do banco e que associar o caso ao governo busca desviar o foco dos responsáveis pelas fraudes.

A iniciativa de Renan ocorre no dia em que a CAE deve instalar uma comissão para acompanhar as investigações sobre o Banco Master. O colegiado pretende requisitar documentos, inclusive sigilosos, a órgãos como Polícia Federal, Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Tribunal de Contas da União (TCU).