A Procuradoria-Geral da Espanha mudou de posição e passou a apoiar a abertura de uma investigação contra o cantor Julio Iglesias por supostas agressões sexuais a duas ex-funcionárias.
Veja mais: Quem é Marcos Muzzi, brasileiro que conquistou o título de melhor tiramisù do mundo na Itália 'Arquivo X' vai voltar em série dirigida por Ryan Coogler, de 'Pantera negra' e 'Pecadores' O Ministério Público emitiu um parecer favorável à competência da Audiência Nacional, tribunal de Madri especializado em casos complexos e crimes cometidos por espanhóis no exterior, para analisar as acusações, informaram fontes da instituição nesta quinta-feira. Caberá agora a um juiz decidir se dará início às investigações. A mudança de entendimento ocorre após uma primeira denúncia ter sido arquivada. Em janeiro, quando as duas mulheres apresentaram a acusação inicial, o Ministério Público considerou que a Audiência Nacional não tinha competência para examinar o caso porque os fatos teriam ocorrido no exterior e tanto as supostas vítimas quanto o acusado residiam fora da Espanha. Após o arquivamento, as ex-funcionárias apresentaram uma nova denúncia em setembro. Elas afirmam ter sofrido agressões sexuais e maus-tratos enquanto trabalhavam em propriedades de Iglesias, de 83 anos, nas Bahamas e na República Dominicana, em 2021. As fontes do Ministério Público não explicaram o motivo da mudança de posição. O que dizem as denunciantes Segundo depoimentos reunidos pela organização não governamental Women's Link Worldwide, que representa as duas mulheres, e pela Anistia Internacional, Iglesias “teria agredido e assediado sexualmente as mulheres, teria revistado regularmente seus celulares, proibido que saíssem da casa onde trabalhavam e exigido jornadas de trabalho de até 16 horas por dia, sem dias de descanso e sem contrato”. Em carta aberta publicada em setembro, as ex-funcionárias pediram à Justiça espanhola que lhes “reconheça e garanta os direitos que os Estados, incluindo o espanhol, se comprometeram a cumprir: investigar, proteger e garantir o direito à Justiça”. A Women's Link Worldwide sustenta que os tribunais espanhóis têm competência para analisar o caso com base em uma lei que “permite investigar e processar crimes cometidos fora do território nacional quando existem vínculos relevantes com a Espanha”. Julio Iglesias classificou as acusações como “absolutamente falsas” e negou “ter abusado, coagido ou desrespeitado qualquer mulher”. Considerado o artista latino que mais vendeu discos no mundo, com mais de 300 milhões de cópias comercializadas, Iglesias se tornou conhecido especialmente na Espanha e na América Latina por músicas como “Soy un truhán, soy un señor”, “Gwendolyne”, “Me olvidé de vivir” e “Con la misma piedra”. Nascido em 1943, ele também é descrito como o cantor de música romântica mais internacional depois de Frank Sinatra.
O Globo