Caso Henry: psiquiatra diz em júri que Jairinho tinha perfil 'sádico' e reforça tese de homicídio
O terceiro dia do júri do caso Henry Borel começou com um depoimento voltado a reforçar a tese da acusação de que a morte do menino não foi um acidente. O psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro afirmou que, a partir da análise do processo, Jairinho apresentaria um perfil marcado por perversidade, sadismo e prazer em infligir dor a crianças.
Rafael Bernardon começou a ser ouvido por volta das 11h45 desta quarta-feira (27). Ele foi contratado por Leniel Borel, pai de Henry, e elaborou um parecer anexado ao processo.
Durante as perguntas do promotor Fábio Vieira, o psiquiatra disse que traçou o perfil de Jairinho com base na imagem pública do ex-vereador, no comportamento dele como político e em relatos de ex-namoradas e ex-companheiras.
Segundo Bernardon, havia uma diferença entre a persona pública de Jairinho, associada à imagem de um político articulado e sedutor, e o comportamento dele em ambientes privados.
O psiquiatra também citou um suposto padrão de agressões contra crianças pequenas, filhas de mulheres com quem o ex-vereador se relacionava.
Na avaliação dele, Jairinho usava o status político e o poder econômico para se aproximar dessas mulheres e criar relações marcadas por dependência financeira, promessas de casamento ou deslumbramento.
A partir daí, segundo Bernardon, os filhos dessas mulheres passavam a ser alvo de agressões.
O psiquiatra citou relatos envolvendo Natasha de Oliveira Machado e Débora Mello Saraiva, ex-namoradas de Jairinho. Os casos são usados pela acusação para sustentar a existência de um padrão de violência atribuído ao ex-vereador contra filhos de mulheres com quem ele mantinha relacionamento.
Depois de falar sobre esse perfil, Bernardon tratou diretamente da morte de Henry. Ele afirmou que, com base nos laudos e pareceres médicos, os elementos apontam para homicídio.
O psiquiatra destacou a dinâmica das lesões, a hemorragia interna e o estado clínico de Henry na chegada ao hospital.
Segundo ele, a criança chegou com 34 graus de temperatura corporal, em um quadro de hipotermia que levaria tempo para ocorrer em uma criança previamente saudável.
Para Bernardon, esse conjunto de fatores não é compatível com um acidente de pequena ou média proporção.
Sobre Monique Medeiros, o psiquiatra afirmou, no parecer, que ela não estaria subjugada por Jairinho.
Na avaliação dele, Monique colocou interesses próprios acima da proteção do filho e não afastou Henry da situação de abuso, mesmo diante de sinais de alerta.
Delegado foi ouvido por mais de nove horas
Na terça-feira (26), o principal depoimento foi o do delegado Edson Henrique Damasceno, responsável pela investigação inicial na 16ª DP, na Barra da Tijuca. Ele falou por mais de nove horas.
Ao fim da sessão, a delegada Ana Carolina Lemos Medeiros de Caldas também foi ouvida, em um depoimento mais curto.
Henry tinha quatro anos quando morreu, em março de 2021, depois de ser levado a um hospital na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.
Segundo o laudo do IML, o menino tinha 23 lesões e morreu por hemorragia interna e laceração hepática provocadas por ação contundente.
Jairinho e Monique são julgados por um júri popular formado por cinco homens e duas mulheres.
A previsão é que o julgamento dure entre sete e dez dias.
