Caso Henry: Monique cobre o rosto ao ver fotos da necropsia durante depoimento de delegado no júri
Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, cobriu o rosto e manteve a cabeça baixa durante a exibição de fotografias da necropsia do corpo do menino, nesta terça-feira, no segundo dia do julgamento dela e do ex-vereador Jairinho pela morte da criança. As imagens foram apresentadas pela defesa de Jairinho durante o depoimento do delegado Edson Henrique Damasceno, então titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), responsável pelas primeiras investigações do caso.
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As fotografias exibidas aos jurados mostravam lesões no queixo, nariz, lábios e região dos olhos do menino. Enquanto as imagens eram projetadas no plenário, Monique permaneceu com uma das mãos sobre o rosto durante toda a exibição.
As fotos foram mostradas pelo advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, integrante da defesa de Jairinho. Durante o interrogatório do delegado, o advogado questionou quem havia produzido os registros fotográficos e se a polícia chegou a realizar algum procedimento para melhorar a qualidade das imagens captadas pelas câmeras do elevador do condomínio onde Henry morava.
As gravações exibidas no julgamento mostram as imagens do elevador registrando Jairinho e Monique levando o menino já desacordado em direção ao Hospital Barra D’Or.
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A defesa também questionou o delegado sobre o atendimento prestado no hospital após a chegada da criança. O advogado de Jairo perguntou se seria comum uma unidade hospitalar receber um paciente já em óbito, como sustentam os investigadores ter ocorrido no caso de Henry.
Em resposta, Damasceno afirmou que, na sua avaliação, a equipe médica tentou reanimar a criança justamente por se tratar de um menino de apenas quatro anos.
— Acredito que tentaram reverter uma tragédia — respondeu o delegado.
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Gabriel de Paiva / Agência O Globo
'Virar logo essa página'
A linha de questionamento faz parte da estratégia adotada pela defesa de Jairinho, que busca discutir os procedimentos realizados após a chegada de Henry ao hospital. Mais cedo, o próprio delegado relatou aos jurados que a investigação identificou mensagens nas quais Jairinho pressionava um executivo da Rede D’Or para que a declaração de óbito fosse emitida diretamente pelo hospital, evitando o encaminhamento do corpo ao Instituto Médico-Legal (IML).
Segundo Damasceno, a investigação concluiu que o ex-vereador insistiu diversas vezes para o procedimento ser agilizado e que, caso a medida tivesse sido adotada, a apuração da causa da morte poderia ter sido dificultada. O delegado afirmou ainda que as mensagens analisadas pela polícia indicavam que Jairinho pretendia “virar logo essa página”.
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